segunda-feira, 27 de maio de 2013

A bruma assassina - 1980



Por Jason

John Carpenter faz um interessante exercício de mistério e suspense nesse filme de 1980 com argumento superficial: na história contada por um dos personagens, um navio de piratas cheio de tesouro afundou na costa de uma pequena vila de pescadores durante um nevoeiro. O tesouro é saqueado pelos habitantes da vila. Os náufragos retornam um século depois, na forma de mortos vivos que surgem envoltos em um nevoeiro, querendo o tesouro de volta e vingança dos herdeiros e descendentes daqueles que tomaram o tesouro e construíram a vila de Antonio Bay.

Carpenter é feliz em construir o suspense ao não mostrar a ameaça por inteiro durante todo o filme até o seu final, o que garante pelo menos metade do êxito da produção. A ameaça surge aqui e ali, em sombras de olhos vermelhos no meio da névoa - repare na sequência do barco. Sem saber com o que estão lidando, os moradores vão desaparecendo à medida que são atacados pelo que vem dentro da névoa. Há pelo menos uma cena de susto genuíno - protagonizada por Jamie Lee Curtis, dentro de um barco, com um armário e um cadáver que aparece subitamente - mas o clima do filme é mais de mistério do que horror.

Como quase todo filme que usa efeitos especiais dessa época, o filme envelheceu drasticamente. Os efeitos, aliás, são menos elaborados que outro clássico do diretor, O enigma de outro mundo. É impossível não rir com tanta fumaça branca e gelo seco que aparece por tudo quanto é canto dos cenários (o espectador acaba esperando que os atores comecem a tossir desesperadamente) e a expressão de horror dos atores que dá ao filme um inigualável tom trash - Jamie Lee Curti, que surge de paraquedas na trama depois de pegar uma carona na estrada e se envolver rapidamente com um interesse amoroso, acaba sendo a melhor da produção. A trilha sonora também é eficiente em criar o clima sombrio, mas os instrumentos eletrônicos utilizados para tal acabaram deixando-a datada.

Não dá para esperar muita coisa do filme, porque o interesse de Carpenter é apenas criar um tom sombrio da narrativa em um filme cujo pecado - e talvez também o melhor dele - é ser simplista demais. É difícil encontrar um meio termo para A bruma assassina, que parece ter fãs proporcionais ao número de pessoas que o acham descartável. Repare que não há interesse no espectador em se aprofundar na trama dos piratas nem buscar explicações para tal maldição - e nem o filme acaba buscando isso. A trama investigativa é capenga e os personagens são todos rasos - da mulher do rádio, que vai parar no teto do farol fugindo de dois zumbis à velha que é arrastada enquanto cuida do menino, nenhum tem profundidade. 

O filme é curto, de pouco mais de uma hora e vinte minutos, e é uma obra menor de Carpenter que ganhou aura de cult. Rendeu uma refilmagem tenebrosa em 2005 e inspirou o interessante - mas igualmente tosco - O nevoeiro (2007). A cena final, com o conflito na Igreja, é um ode ao trash. Nada mais Carpenter.

3/5

É um exercício de suspense, carregado de tensão e nada mais que isso. Preste atenção em Janet Leigh, do clássico de Psicose (1960).

Um comentário:

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