terça-feira, 28 de maio de 2013

As esposas de Stepford - 1975



Por Jason

O filme (também conhecido como Mulheres Perfeitas e Esposas em conflito) abre com a bela Joanna, diante de um espelho e uma expressão apreensiva. Ela está se mudando do caos de Nova York porque seu marido quer se ver livre da cidade. No carro, Joanna vê um menino passar na rua carregando um manequim de uma mulher. Saca sua câmera e registra o momento. Pode parecer que estas duas cenas são descartáveis, mas o mote de As esposas de Stepford está justamente aí. Joanna é mãe, mas é uma mulher livre, decidida. Sonha em fazer uma carreira de fotógrafa, ter sua independência e não quer viver presa numa sociedade machista, que trata as mulheres como se fossem pessoas sem humanidade, verdadeiros manequins. E a sociedade de Stepford com que ela se depara é justamente esta. 

Em Stepford, as mulheres são donas de casas perfeitas. Tratam seus maridos como se fossem escravas sexuais e empregadas domésticas deles, mantendo a casa sempre limpa e arrumada. Joanna começa a se sentir sufocada e acha que há algo de errado no local até conhecer Bobby, que compartilha do mesmo sentimento. As duas decidem investigar o que acontece na cidade e se deparam com a transformação de Charmaine, uma mulher livre e atlética, que adora praticar esportes e é independente, em uma dona de casa com aspecto lobotomizado. Desesperada, Bobby, que suspeitava haver algo na água do lugar ou algum tipo de droga, decide sair da cidade, mas acaba sofrendo a mesma transformação. Joanna então se vê encurralada, tentando seguir os conselhos de uma mulher que ela procurou por achar que estava ficando louca: pegar os seus filhos e ir embora dali o mais rápido possível. Mas é traída pelo marido que pertence a uma associação exclusivamente masculina e, na tentativa de recuperar seus filhos, acaba descobrindo o segredo por trás de Stepford.

Baseado na obra de Ira Levin, o filme é uma metáfora poderosa feminista, crítica a sociedade machista e à perda de identidade humana. As mulheres do lugar se parecem com zumbis, reféns de seus maridos que se orgulham de suas esposas serviçais, o que dá ao filme um clima de horror psicológico absurdo e muito bem colocado. Em determinado momento, Joanna se abre com a psicóloga, explicando que quando voltar para casa não vai haver mais ela, mas uma cópia dela - e a fotógrafa dentro dela estará morta. A sociedade em que Joanna está é opressiva (um grupo de mulheres que um dia foi criado é dissolvido misteriosamente) e seu marido quer evitar a sua independência com a mudança para o lugar. O "eu" e os valores de personalidade são substituídos por conceitos mesquinhos e antiquados de um sistema, mas ainda assim vigentes em nossa sociedade, o que faz do filme uma produção de temática ainda atual. 

O filme tem boas atuações - a atriz que interpreta Bobby é o destaque, de pessoa esclarecida e cheia de vida para uma dona de casa robotizada. Mas pesa contra a produção o seu ritmo arrastado: o filme só começa a melhorar sua edição depois de uma hora e meia, com o confronto final entre a moderna heroína e o autor de toda a bizarrice. O final, de tom pessimista, é adequado dentro da proposta do filme - Joanna é engolida pelo sistema - mas soa frustrante para o espectador que esperava mais.

3,5/5

Boa ficção, com tema atual e interessante, prejudicada pelo ritmo lento e pelo final frustrante.

Um comentário:

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