sábado, 15 de junho de 2013

Amargo Pesadelo - 1972



Por Jason

Em Amargo Pesadelo, quatro amigos decidem descer as corredeiras de um rio antes que toda a região ao redor se transforme em um gigante lago de uma barragem. Jon Voight, Ned Beatty, Ronny Cox, Burt Reynolds são os homens que, praticando canoagem nas corredeiras violentas, se arriscam nesta aventura no meio de um povoado pobre que se desenvolve às margens do rio. Até que, de repente, dois deles são atacados por dois marginais e a história de aventura ganha ares dramáticos e aterrorizantes.

Os personagens Ed (Voight) e Bobby (Ned) são humilhados, sendo o segundo estuprado, numa sequência bizarra e ao mesmo tempo, tragicômica. Os outros amigos conseguem interferir que o mesmo aconteça com Ed, mas um dos caras acaba fugindo. A partir daí, os quatro começam a discutir o que será feito. Depois de uma confusão, eles decidem enterrar o corpo do morto e seguir a correnteza para sair de lá. Ocorre que o fugitivo está a espreita no alto e mata um dos amigos, ferindo Lewis (Reynolds). Ed vai precisar assim, mudar de atitude. De um cara indeciso no começo do filme, inexperiente e sem nenhum traço de uma personalidade capaz de sobreviver em um ambiente hostil, Ed vai ter que dar conta do assassino e evitar que este acabe com sua vida e a de seus amigos. O confronto entre os dois é tenso. Mas há mais problemas pela frente. O que fazer com o corpo do amigo e deste assassino?

Amargo Pesadelo é tenso. A citada sequência de estupro é um espetáculo de crueza e, embora tenha ganhado traços tragicômicos, ainda funciona bem. A câmera é crua, está perto da ação, na água, fora dela. O diretor subtrai a trilha, deixando os atores cavar uma cova rasa para enterrarem o corpo, saltarem nas corredeiras, remarem com o barco. É um arrojo de direção marcante, em se tratando de produções do começo da década de 70. Somos testemunhas de tudo, estamos dentro da correnteza, no barco daqueles homens. Nessa armadilha da direção, quem é beneficiado é Jon Voight. Aqui provando que já foi um ótimo ator, Voight se despe de qualquer vaidade, com seu olhar de desespero e angustia no meio de um aguaceiro enquanto grita pelo amigo perdido, na forma como se arrebenta nas pedras ou tremelica de medo com um arco e flecha nas mãos antes de matar o seu algoz. 

Outro ponto forte de sua atuação é na reação ao encontrar o corpo todo quebrado do amigo e na forma como ele decide agir com relação ao cadáver e como informar a família do ocorrido. Ao voltarem ao ponto de partida, o personagem de Voight assume a postura que deveria ser de Lewis, armando uma história que deveria ser repetida por todos e se tornando o eixo do grupo. Tamanho empenho só poderia render ao filme três indicações ao Oscar - Filme, direção e edição - mas Voight merecia uma, pela composição do personagem, sem dúvidas.

Em se tratando de estilo seco na direção, aliás, quem se prejudica é Burt Reynolds. Aqui canastrão, Burt aparece em algumas cenas fazendo suas caras e bocas, de forma que muitas vezes sequer sabemos se ele está rindo ou chorando ou sentindo dor. O filme também escorrega no que diz respeito ao personagem Bobby. Bobby foi violentamente estuprado e tratado como um porco, mas parece reagir a tudo o que lhe aconteceu sem a carga dramática necessária depois disso, o que deixa uma sensação de que faltou algo na composição do seu personagem após o acontecimento - e uma vez que isso seria um evento chocante, perturbador e emocionalmente arrasador para a sua personalidade. Nota-se que, mesmo submetido a uma violência sexual na frente dos amigos, ele parece superar facilmente a vergonha e o ato em si sabe-se lá o motivo.

Por fim, o final do filme tenta embutir uma trama de investigação sobre o ocorrido, tudo às pressas. Amargo Pesadelo terminaria de maneira brilhante se o final fosse subjetivo mas, ao mostrar o desenrolar dos acontecimentos e um epílogo extenso -, sem explorar as consequências dos atos daqueles homens no rio-, acaba dando um tiro no próprio pé.

Cotação: 3,5/5

  


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