segunda-feira, 3 de junho de 2013

O ano em que vivemos em perigo - 1982



Por Jason

O filme se passa na década de 60, em meio a uma revolução na Indonésia. O então jovem Mel Gibson interpreta Hamilton, que cobre o regime de Sukarno. Lá, ele vai se envolver romanticamente com a funcionária da embaixada britânica Jill à medida que recebe ajuda de Billy Kwan, um fotógrafo anão, que sofre de amor platônico por ela e acaba unindo os dois.

O filme é feliz em retratar a miséria do país. A população está morrendo de fome e não menos chocante são as cenas de pessoas e crianças comendo os grãos de arroz que caem no chão no meio da lama. O dilema do personagem Hamilton também é bem trabalhado, uma vez que a britânica lhe passa uma informação secreta e, em virtude da ambição por um furo jornalistico, Hamilton acaba forçando Jill a se afastar dele, pelo perigo que ambos correm com essa revelação. 

No campo do elenco, Mel Gibson aparece atuando no automático ao passo que Sigourney Weaver, no auge, injeta beleza, talento e classe como Jill, diferente da mulher forte pela qual ficou marcada como Ripley da série Alien nos cinemas. Jill é sentimentalmente vulnerável e, apesar de resistir as investidas do jornalista no começo, acaba se rendendo a paixão perigosa com o jornalista - que parece trair a confiança do amigo Bill por ser uma pessoa, na sua concepção, de caráter duvidoso, capaz de sacrificar a própria segurança e a de Jill pela matéria bombástica. 

Mas é Linda Hunt, no papel do anão Billy, que rouba a cena do filme. Linda consegue transpor não apenas o gestual e as características do personagem sem parecer caricata, o que é um grande acerto do filme. Billy é um personagem misterioso - mantém uma mulher e uma criança sob seus cuidados, mas guarda amor pela personagem Jill e mesmo assim acaba fazendo com que ela e Hamilton fiquem juntos. Descontente com a descoberta do verdadeiro país que se esconde por trás do regime, arquiteta seu protesto e acaba pagando caro por isso. Tamanho esforço da atriz lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz coadjuvante.

O filme tem boa recriação de cenários e é tecnicamente bem resolvido.  Mas há o grande porém. Peter Weir - diretor de filmes interessantes e bem resolvidos como A testemunha, O show de Truman e Mestre dos Mares -, aqui realiza um trabalho que beira o sonífero. "O ano em que vivemos em perigo" nunca decola na tela, nem explode, passando arrastadamente durante suas quase duas horas sem que praticamente se desperte algum interesse, seja no momento histórico que retrata, seja no romance fictício que ele amarra. Ao final há uma estranha sensação de que saiu do nada para lugar nenhum.


Cotação: 2/5



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