sexta-feira, 14 de junho de 2013

Os Croods - 2013



Por Jason


A vida do homem das cavernas não era fácil. O homem pré histórico precisava se virar nos trinta para arranjar comida e escapar de não virar refeição! As dificuldades dessa época são mostradas logo no começo de Os Croods, com a família aloprada do patriarca brucutu super protetor Grug tentando arranjar um ovo para dar de comida a família -, formada por sua mulher, sua terrível sogra e três filhos.

A filha mais velha, Eep, no entanto, almeja outro tipo de vida que não seja viver pra sempre dentro de uma caverna. Curiosa e louca por aventuras, ela acaba descobrindo numa noite o jovem Guy. Guy, além de lhe apresentar o fogo, é inteligente o bastante para saber que o mundo está geologicamente mudando e que todos precisam se mudar da região quanto antes. A partir daí, o choque de ideias novas de Guy com o arcaico do patriarca levarão a família para uma aventura, cheia de desentendimentos e lições para a gurizada e para os adultos.

Os Croods, dos criadores de Madagascar, agrega valor em algumas linhas do roteiro. O confronto do novo com o velho é evidente, mas é o teor filosófico que fica sublinhado em certas partes da animação que chama a atenção, como a abertura da mente humana para novas ideias - da alegoria da caverna de Platão a conceitos de Sócrates, tudo está presente. Como nos faz entender os personagens de Guy e Grug, uma mente que se abre para novas ideias jamais volta ao tamanho normal. Em determinado momento, quando o desespero chega perto da família, ao invés de buscar novas soluções, como o jovem Guy faz, o patriarca retorna para a caverna. A própria Eep é a exemplificação da possibilidade de se libertar, da condição de escuridão que a aprisiona, através da verdade (o mundo exterior em colapso).

Claro que se trata de um filme infantil, mas é interessante perceber o quanto as animações como Os Croods deixaram de se voltar apenas para crianças e necessitam trazer consistência para não sacrificarem aqueles que as acompanham nos cinemas - os adultos. A animação traz personagens cativantes, bichinhos para vender que nem água para as crianças (a preguiça é ótima) e um visual deslumbrante, pontuado por efeitos especiais portentosos. De quebra, o filme prega a importância da união familiar para superar as adversidades.

Os Croods traz momentos piegas de drama e peca pela fragilidade com a qual desenvolve os outros personagens, como o restante da família. A trilha sonora é óbvia e não marca, a trama do trio central Eep, Grug e Guy é simplista e o resultado final bem com poucos grandes acessos de humor - um pecado em se tratando de animação - e com final feliz obrigatório. 

Cotação: 3,5/5

A produção já é um sucesso consistente, com mais de 550 milhões de dólares arrecadados mundo afora e deve render continuações. A Dreamworks precisa, uma vez que sua principal franquia, Shrek, está encerrada. A animação é muito bacana, leve e interessante. E é eficiente como entretenimento tanto para adultos quanto crianças.

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