quinta-feira, 6 de junho de 2013

Parceiros da Noite - 1980



Por Jason

A trama policial de Parceiros da Noite é simples. Há um assassino de homossexuais à solta na cidade. Ele escolhe um tipo de homem padrão, o atrai para o sexo e o mata a facadas. O personagem Steve (Al Pacino, com uma cabeleira trash), é chamado para ajudar nas investigações. O seu superior explica a ele que ele deverá se infiltrar no mundo gay para atrair o assassino, uma vez que ele tem um perfil que se encaixa no padrão das vítimas. A partir daí, o policial entra na noite gay, povoada por drogas e sexo da cidade, se fazendo de potencial vítima, ao passo que faz amizades e entende como funciona o meio. A polícia nesse meio tempo conta com a ajuda e um travesti, que conhece toda o meio e auxilia indiretamente na investigação.

A direção de William Friedkin, de clássicos como Exorcista e Operação França e mais recentemente do elogiado "Killer Joe" consegue criar cenas tensas, como no momento em que uma vítima é assassinada no parque e cenas bizarras, como o assassinato a punhaladas de uma das vítimas amarrada a cama. Exibe pedaços de corpos e sangue além de cenas de grande teor sexual sem nenhum incômodo ou constrangimento. Um dos destaques é a sequência em que um dos suspeitos, de nome Skip, é torturado. A violência visual aqui não tem limites. O ritmo do filme é um ponto a favor - ele passa bem - e Al Pacino se dedica inteiramente, como de costume, usando seu talento em favor de um produção diferente e, porque não, pesada para os padrões de Hollywood. 

Mas o filme peca em alguns aspectos. Como se não bastasse o visual do personagem, há ao menos uma cena protagonizada por Pacino capaz de arrancar risos - a da dança desengonçada no meio dos gays em uma boate. A questão do preconceito contra os homossexuais é apenas pincelada aqui e ali - nos travestis que são pegos pelos policiais no começo, no grupo de homens que soltam piadas para o policial e no tratamento dado pela polícia. O filme também antecipa e muito o assassino, cujo perfil psicológico se resume a problemas com a figura paterna - um deslize em se tratando de filmes policiais como este onde a investigação policial constrói um perfil psicológico.

Quase não há, assim, profundidade dramática em relação ao tema: o drama está mesmo no relacionamento entre Pacino e sua mulher Nance, resumido a alguns poucos diálogos também com o seu chefe. A transformação do personagem engolido pelo submundo é mais mérito do ator do que do trabalho do roteiro em cima do personagem. E a visão do mundo gay é a pior possível. Em todas as boates, os homossexuais estão enlouquecidos, cheios de drogas, transando o tempo todo, em ambientes de promiscuidade e onde todos os homens são bonitos, com corpos bem torneados - uma visão um tanto exagerada e superficial. 

Para coroar, o final é subjetivo.

Cotação: 3/5

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