quinta-feira, 13 de junho de 2013

Perdidos na noite - 1969



Por Jason

Vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Roteiro adaptado - e ainda indicado a melhor ator (Jon Voight e Dustin Hoffman), melhor edição e melhor atriz coadjuvante (Sylvia Miles), o clássico Perdidos na noite conta a história de Joe, um jovem do Texas que abandona sua vida de lavador de pratos e se muda para Nova York, onde passa a tentar ganhar a vida como garoto de programa. A tentativa inicial não dá certo e o destino de Joe cruza com o de Rizzo, um homem com problemas para andar que está definhando e que vive de furtos e golpes na cidade grande.

Perdidos na noite é sobre uma escória social, os párias, o lixo que a sociedade joga para debaixo do tapete. Joe e Rizzo, ambos sem dinheiro, vivem num muquifo deteriorado como suas vidas sujas, confusos como a cidade em que moram, se alimentando de planos e de sonhos distantes. Joe, desajeitado, avoado e ingênuo, não consegue compreender seu espaço e nem se firmar naquilo que almeja. Rizzo delira, achando que ganhará dinheiro em cima de Joe e que curtirá uma vida de luxo e poder em Miami. Esses dois personagens, desajeitados e porque não, tragicômicos, representa metade do êxito do filme.

A outra metade vem nas interpretações dos dois atores principais, Jon Voight e Dustin Hoffman, com destaque para o primeiro. Voight consegue traduzir toda a personalidade abobalhada de Joe e ao mesmo tempo ambiciosa. Joe, como ele diz ao final, espera ter uma vida fácil que só existe em sua cabeça e achaque o seu talento para o sexo é o bastante para isso. Aspira uma mudança ao final, uma esperança distante da realidade, em que almeja sair do ramo onde não obteve sucesso. Sua infância e juventude foram turbulentas - criado por uma avó relapsa e se envolvendo amorosamente com pessoas erradas, Joe sempre teve um contato pesado com o sexo e se gaba por ser excelente nisso. Não bastasse, é uma pessoa que precisa de controle e não raro traz momentos de explosão emocional.

Dustin, como Rizzo, consegue compreender seu personagem, mas derrapa em uma interpretação um tanto caricata. Como Rizzo, que se tornará amigo de Joe, Hoffman ainda consegue demonstrar que nutre um tipo de sentimento confuso de uso, interesse, e de amizade. Em uma cena, quando ele está suando mais do que deveria e Joe enxuga seu suor com a camisa, Rizzo o abraça e encosta sua cabeça. Delira em um sonho com o amigo, como se os dois formassem um casal de namorados, enquanto definha cada vez mais, mancando, tossindo e fumando sem parar. A química entre o grandalhão desajeitado de Voight e o baixinho manco de Hoffman, no entanto, é perfeita.

O filme traz outras construções bem interessantes, como a sequência do cinema, em que há uma metáfora pesada visual e sexual entre a cena que os espectadores acompanham e o filme que está se passando na tela. Constrói também um bom artificio para acrescentar à personalidade de Joe. Outra sequência interessante é a de Sylvia Miles que, embora tenha ficado em curto período na tela, garantiu uma indicação ao Oscar. Perdidos na noite fala de sonhos fragmentados e abandonados, de ações impensadas que as pessoas tomam e que por isso pagam em consequências, por diversas circunstâncias. Na imaginação de Rizzo, notem, a vida é colorida como Miami, mas a realidade é negra e fria como a noite de inverno de Nova York.

Há os pecados. A edição do filme, apesar do ótimo ritmo, às vezes mais prejudica o entendimento do que ajuda: a personalidade de Joe vem fragmentada em flashbacks e espirais descontroladas de imagens, o que pode se tornar confuso dentro do entendimento do roteiro. Personagens entram e saem na trama sem dizerem a que vieram e o final deixa uma interrogação sobre o que virá dali em diante para Joe, se ele finalmente encontrará seu espaço e se realizará, ou se ele apenas continuará naquela realidade dura e cruel na qual começou - o que pode não ser gratificante para alguns.

Cotação: 3,5/5 

Vale pela boa direção e o bom argumento do roteiro, além das performances notáveis do elenco.

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