quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eclipse Total - 1995




Por Jason


Baseado na obra de Stephen King, dirigido por Taylor Hackford (que ganhou o Oscar de melhor direção por Ray e é conhecido por dirigir Advogado do Diabo), o drama Eclipse Total começa com um suposto crime, que envolve uma velha senhora num casarão e a responsável por cuidar dela, Dolores Claiborne. Dolores é acusada de assassinato, o que faz sua filha Selena se deslocar de Nova York quinze anos depois que deixou o lugar, muito mais por uma obrigação do que para dar apoio a mãe. À medida que as duas reviram suas vidas, o passado se descortina, trazendo revelações que poderão afastar ou unir as duas definitivamente.

A direção se usa de uma fotografia fria, em um tom cinza e azulado, salientando a distância e a frieza da relação perturbada de mãe e de filha - em contraste com as cores que se revelam nas cenas que retratam o passado. É através dele que vamos descobrir porque Selena, como seu pai, tem problemas com bebidas e é viciada em remédios. Trabalha para um jornal, tem inteligência acima da média, mas uma vida amorosa fracassada. A personagem é encarnada por Jennifer Jason Leigh, que é boa atriz, mas que devido aos problemas pessoais e a escolhas erradas, nunca decolou na carreira.

Por outro lado, Kathy Bates tem aqui uma personagem de intensidade e complexidade excepcionais, que explora todo o seu talento e segura o filme do começo ao fim sem nunca cair no drama fácil. Dolores foi uma mulher maltratada pela vida: tinha um marido, Joe (o bom David Strathairn) que bebia e a humilhava, e cujos segredos que ele escondia, uma vez descobertos por ela, a transformaram em uma mulher magoada e ignorante. Para completar, trabalhava em uma casa para uma rica insuportável, como se fosse uma escrava, para poupar dinheiro a fim de pagar os estudos para a filha - e acabou vendo esta filha se transformar em uma pessoa mal agradecida, desajustada, com problemas com vício em drogas. 

Dolores morava isolada em uma casa velha decrépita e depois de vinte anos, agora já com a patroa em cima de uma cama, praticamente vegetando, aturou o temperamento difícil e suportou calada todos os insultos enquanto cuidava dela, por não ter mais ninguém em sua vida. Para completar, é perseguida pelo incansável Detetive Mackey (o ótimo Christopher Plummer), que culpa Dolores pela morte "acidental" do próprio marido. Qualquer atriz de menor calibre escolheria o drama fácil, mas Bates escolhe o caminho mais difícil para criar uma personagem incrivelmente fascinante e ao mesmo tempo real. Bates É Dolores, com todos os nuances, arrependimentos, dor, alegria, sofrimento e peso que carrega nas costas.

Eclipse Total tem os seus defeitos e não dá para fazer vistas grossas. Se a montagem do filme é boa, sobrepondo imagens do passado nas cenas do presente ou fazendo a alteração de cores da fotografia através de gradientes, de forma gradual, para os flashbacks, a trilha sonora de Danny Elfman ao fundo, tocando quase todo o filme, mais atrapalha do que ajuda (a trilha é sem inspiração e o uso dela pior ainda). A trama das duas mulheres é profunda e bem elaborada, a química entre as duas é outro ponto alto do filme, mas a trama policial é só pincelada, completamente sem profundidade. A personagem Vera, a patroa de Dolores, serve para alicerçar as ações e dar corpo a personalidade de Dolores, mas a figura não deixa de cair no estereotipo - o mesmo vale para o marido Joe. Por fim, tudo se resume de uma maneira superficial, depois de um rápido inquérito, cuja presença de Selena, apesar de necessária para o principal arco dramático do filme, transforma tudo em clichê. 

Cotação: 3,5/5



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