sábado, 6 de julho de 2013

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal - 2008



Por Jason

Vinte e sete anos separam o primeiro Caçadores da Arca Perdida de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. E isso, como tudo na vida, tem o seu lado bom e o seu lado ruim. 

A parte boa é que o esquema da trama não mudou (até os letreiros e o começo do filme, com uma jogada com o símbolo da Paramount, continuam idênticos - sem contar a Área 51, local para onde foi a Arca Perdida do primeiro filme, que aparece no prólogo em toda a sua plenitude). Indiana Jones conta em sua aventura com traições, aliados e inimigos (saem os nazistas, entram o russos, já que a trama se situa num período histórico pós Segunda Guerra Mundial, a paranoia da Guerra Fria). 

Todos estão correndo para encontrar a Caveira de Cristal, os inimigos estão em busca do tesouro e do poder que ele dará (ou dele emanará) - cabe a Jones e sua turma chegarem antes para impedir. As sequências de ação continuam exuberantes e Spielberg, como um mestre desse tipo de cinema, dá conta do recado perfeitamente. Não há aqui cenas picotadas nem confusas como um filme de Michael Bay. Tudo flui normalmente, sem trancos, sem altos e baixos. Ritmo, em um filme de Indiana Jones, é o garante parte do êxito da aventura. 

Não dá para falar nada dos cenários, suntuosos, que fazem jus a uma super produção milionária como essa, muito menos da trilha sonora eficiente de John Williams, que recupera o tema icônico. Ford tem timing cômico e retorna como um ícone do cinema de aventura. Indiana Jones é uma marca multimilionária, é um personagem que se tornou maior do que a sua própria franquia e Ford demonstra domínio total sobre ele. Ele está para Indiana assim como Stallone está para Rambo ou Schwarzenegger está para O exterminador do futuro. É impossível dissociar a sua figura de Jones. Jones continua fazendo fugas espetaculares surreais - como escapar dentro de uma geladeira de uma explosão nuclear - batendo e apanhando muito. Em favor disso, a trama é interessante, agora enveredando por um caminho diferenciado em relação aos outros filmes da série - envolve cultura Maia, Amazônia, Área 51, o Caso Roswell, crânios de cristal com poderes paranormais e visitantes de outros mundos. 

É de se destacar a ótima química com Karen Allen. O roteiro garante aos dois bons momentos no filme, já que eles brigam e se amam na mesma proporção, o que traz alívios cômicos bem vindos. O resto do elenco é de primeira linha, contando ainda com a vilã Irina (Cate Blanchett, um tanto caricata), Ray Winstone, que muda de lado o tempo todo, o ótimo John Hurt e Shia Labeouf, que não é exatamente um exemplo de atuação, mas também não compromete. O que importa é que todos parecem se divertir a berça e transmitem toda a diversão para o espectador. 

Mas tem o lado ruim. Vítima do tempo e do avanço da tecnologia, o filme sofre com o excesso de efeitos especiais criados em computador que nem sempre funcionam. A entrada do personagem Ox (Hurt) faz o filme quase perder o rumo no terceiro ato e qualquer espectador percebe isso (e Hurt não consegue usar seu talento em favor de um personagem mal desenvolvido e pessimamente resolvido). Se a trama estava envolta em mistério até ali e os assuntos de família de Jones e Marion (Allen) nos trazem bons momentos, percebe-se que a coisa degringola de vez. 

Desconte a parte geográfica e biológica do filme, que é um desastre: de repente, somos atirados em uma sequência em que Mutt (Shiah), o rapaz da cidade, pula de galho em galho como um macaco (!) ou os personagens são atacados por formigas gigantes assassinas (!); despencam das cataratas do Iguaçu que ficam logo ali, no Rio Amazonas (!). Se o espectador aceitou Jones fugindo de uma explosão nuclear dentro de uma geladeira, ele pode aceitar qualquer coisa que venha depois disso. Faltam ainda imagens que grudem na mente do espectador de maneira positiva (a bola gigante do começo do primeiro filme da série ou o final com a abertura da arca são bons exemplos). 

Mas o que pesa mesmo é o nível de diálogos, que decai ao insuportável nesse terceiro ato - o destaque fica por conta de Jones, deduzindo e mastigando tudo para o espectador sem deixar brechas para que ele interprete o mistério em torno da Caveira de Cristal; Hurt, saindo do transe e falando besteira; e Blanchett, com cara de idiota, pedindo para "saber tudo", na cena em que é despachada para o além. 

Nada que comprometa a diversão.

Cotação: 3,5/5 

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