sexta-feira, 19 de julho de 2013

Invasores de corpos - 1993



Por Jason

Há quem diga que essa produção de 1993, a terceira de quatro adaptações de Body Snatchers (1955), de Jack Finney,  se trata de uma obra prima da ficção e do horror, pilotada pelo diretor Abel Ferrara. Há aqueles que não sabem como defini-la e ainda aqueles que, de todas as produções que já saíram para o cinema baseadas na obra, só não é pior do que a versão de 2007 com Nicole Kidman e Daniel Craig (Invasores). Faço parte do último grupo.

A maior diferença dessa adaptação da história original, é que ela se passa numa base militar no Alabama. Um químico é chamado para a base e se muda para lá com a sua família com a finalidade de investigar uma suposta contaminação química que está mudando o comportamento das pessoas do local. Até aí, o filme poderia incorporar o drama familiar, sua tentativa de adaptação ao local que inspira segurança mas ao mesmo tempo frieza e hostilidade - e dar assim corpo a tragédia e o horror que se anunciam (até por uma questão de identificação com os personagens que vemos na tela, o que não ocorre com nenhum deles). Em virtude da mudança, a filha adolescente, por exemplo, demonstra não estar muito satisfeita, uma vez que ela precisa lidar com a madrasta - e o drama originário dessa situação é criticamente subtraído do roteiro capenga do filme. 

O irmão mais novo da menina, nota-se, sofre em se adaptar na escola do lugar e com os outros colegas de sala, testemunhando alterações de comportamento na turma (a cena dos desenhos na escola, ao menos, é uma boa sacada) e percebe que sua mãe foi substituída por uma cópia sem emoção (outra boa sequência). Aí vem os maiores problemas da trama. Primeiro, a falta de suspense e dramaticidade - Invasores de Corpos é um filme tão sem emoção quanto as cópias alienígenas fabricadas em vagens gigantes ETs. A amizade da menina com uma personagem caricata, Jenn, filha do comandante do lugar, não ajuda em nada a trama e o romance adolescente tosco da menina com um piloto de helicóptero é jogado na cara do espectador sem nenhuma química e com um desenvolvimento pífio. 

Há coisas piores. O filme é curto, mas parece ter o dobro do tamanho por um problema terrível de ritmo - e tem aquele aspecto de novela mexicana (não sei se propositalmente, mas parece fora do tom que a trama pede). Dos atores, os únicos que ainda transmitem alguma segurança são Forest Whitaker, em papel ingrato e desperdiçado, e R. Lee Ermey, preso naquela figura estereotipada de militar da qual ele nunca conseguiu se livrar. O filme ainda tem Meg Tilly (irmã de Jennifer Tilly), protagonizando uma cena de nu frontal, desperdiçando sua beleza e seu talento de indicada ao Oscar (por Agnes de Deus) - e que se afastou definitivamente do cinema no meio da década de 90. O resto dos atores não são dignos de nota. 

Por fim, o clima de produção de quinta categoria é ovacionado no mau uso dos péssimos efeitos especiais: as criaturas vem em vagens gigantes que assimilam o corpo humano como se fossem uma macarronada sem molho - isso para não falar da sequência em que uma das cópias dos personagens é atirada para fora do helicóptero desgovernado num terrível final. 

Cotação: 1,5/5

A obra original sofre com remakes que não conseguem superá-la em importância, qualidade e originalidade. O filme de 1993 só alimenta essa tese.


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