quarta-feira, 31 de julho de 2013

Johnny vai à guerra - 1971



Por Jason

Vítima da primeira guerra mundial, o soldado Johnny é encontrado entre a vida e a morte e levado aos cuidados médicos. As ordens são claras: dado o estado do corpo do rapaz, não há interesse em mantê-lo vivo a menos que seja por razões de estudo. Isso porque Johnny, acertado por uma bomba, perdeu os braços e as pernas. O rosto foi desfigurado, o cérebro teve hemorragias e ele é incapaz de falar, de ouvir, de se alimentar. Cego, surdo e mudo, é um resto humano, que respira sobre uma maca sem que possam reconhecê-lo por não ter uma identificação nem um rosto.

Sobrevivendo sob os cuidados médicos, o que sobrou de Johnny passa então a delirar, sonhando com sua vida antes daquela situação e se lembrando dos momentos em que estava vivo, de seus relacionamentos amorosos, de sua família, a relação com o pai, até o conflito. Tudo o que ele sabe e sente vem de sua cabeça: agonizando sem poder falar e se comunicar, o rapaz tenta entender a sua condição e se sacode sobre a maca, o que é entendido pelos médicos como espasmos musculares, uma vez que eles não acreditam que ele possa estar consciente. A enfermeira que cuida de Johnny e começa a se comunicar com ele, entendendo suas necessidades, tenta acabar com tamanho sofrimento, mas é impedida, deixando-o em um martírio eterno sabe lá Deus até quando. 

Não a toa, a representação dessas lembranças conscientes e seus delírios são coloridas, ao passo que a realidade amarga na qual figura o que lhe restou do conflito foi filmada em preto e branco, um grande acerto da direção de Dalton Trumbo (que nunca mais dirigiu nada). Trumbo é também autor do livro que inspira o filme, que se transformou num manifesto contra a guerra e um estudo sobre as possibilidades físicas, mentais e emocionais humanas. Trumbo é certeiro na forma como embaralha as memórias e alucinações de Johnny, de forma que as vezes soa impossível saber o que realmente aconteceu com o rapaz e o que é ilusão fruto de sua cabeça atormentada pelos acontecimentos. Mas sua execução como diretor soa falha, uma vez que o ator principal é fraco e parece não ser bem dirigido, uma total nulidade emocional. 

Não ajuda em nada também o ritmo do filme, que é um sonífero. A parte dramática é relacionada ao diálogo OFF do personagem, deixando os coadjuvantes completamente soltos dentro da trama e basicamente sem importância - a exceção parece ser o pai e a namorada, o qual ele a procura na sua mente como uma visão de conforto para sua situação. Ninguém - nem a enfermeira - e nada, além da situação em si de Johnny, porém, inspiram drama e isso acaba pesando no saldo final. 

Os letreiros finais, em que vemos o saldo de tantas mortes, feridos e desaparecidos durante tantos conflitos armados -, e a mensagem de morrer pela pátria -, não poderia soar mais cínica e irônica depois de acompanhada toda a agonia de alguém que não morreu, mas também não vive. Johnny vai a Guerra é assim uma obra interessante, e corajosa, um grito contra a guerra; uma produção que nos alerta para o fato de que não importa de que lado se esteja dentro do conflito, vivos e mortos, ao final todos saem perdendo. 

Cotação: 3/5

O filme está disponível legendado, no link abaixo.


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