terça-feira, 23 de julho de 2013

O enigma do mal - 1981




Por Jason



Há algo de errado na casa de Carla Moran. Ao chegar de um dia cansativo, conferir como estão os três filhos e se preparar para dormir, Carla recebe um soco na cara, é arremessada na cama e quase morre sufocada pelo agressor que colocou um travesseiro em sua cara e a estuprou. Socorrida pelo filho mais velho, que investiga a casa, Carla descobre que não há ninguém lá. Mais tarde, coisas estranhas começam a acontecer em seu quarto, com os objetos se movendo e barulhos de origem desconhecida, que a forçam a pegar as crianças e passar a noite na casa de uma amiga.

Depois de perder o controle do carro sem saber o motivo, e aconselhada pela amiga a procurar ajuda psiquiátrica. Carla é novamente estuprada dentro do banheiro de casa. O ataque é tão violento que a deixa cheia de marcas. Inicialmente, a mulher é tratada como uma desequilibrada mental, com um problema de histeria, delírios e uma potencial suicida. Mas Carla é atacada outra vez na frente dos filhos por uma força invisível que a estupra e agride o filho mais velho a ponto de quebrar seu pulso. Ela não está louca - há uma entidade a atacando e ela não está disposta a parar. 

Barbara Hershey, então jovem e bonita - muito antes de se deformar em plásticas mal sucedidas e se transformar na mãe depressiva de Nina em Cisne Negro - consegue aqui uma atuação bem calibrada, na pele de uma mulher aterrorizada por algo que não sabe o que é nem o que quer dela. Pior: Carla tinha uma vida desajustada. Foi mãe aos 16 anos, mas o pai do filho morreu. Depois se envolveu com outro homem que embora a tenha lhe dado um rumo na vida, a abandonou. Tem um relacionamento fracassado com um homem que passa mais tempo longe do que perto dela. Seu pai era um pastor extremista e ela foi abusada - depois de velha, se vira como pode para cuidar dos filhos enquanto precisa provar que tudo o que está passando é verdadeiro e não é coisa da sua cabeça, como denuncia o ceticismo das pessoas ao redor.  

As cenas dos ataques são bem filmadas e a direção é segura em expor o desespero da mulher e a gravidade do problema - Carla é levada até como cobaia de um experimento cientifico para atrair a entidade. O filme é também eficiente em usar os efeitos especiais, em maioria todos práticos. A montagem é outro fator a favor, já que o ritmo do filme é excelente. Joga contra o filme a trilha sonora - toda vez que a entidade se manifesta começa uma estranha batida incessante totalmente deslocada com o clima do filme (é bizarro). 

Outro ponto contra está no terceiro ato, em que o filme repete a fórmula de outros filmes deste tipo, com a entrada de estudiosos em fenômenos paranormais para avaliarem o caso e ajudarem Carla (tem até uma velha estudiosa de parapsicologia e paranormalidade, como em Poltergeist). Há uma entrada em um terreno de fantasia, com os estudiosos pensando ser possível congelar a aparição (capturar a entidade!) tal qual Os caça fantasmas. Por fim, o roteiro não dá espaço para desenvolver os personagens secundários nem o conflito entre crença e ciência, representada pelos estudiosos dos fenômenos e pelo seu psicologo em inexpressivos diálogos. 

Em tempo:

O enigma do mal é baseado em um caso real ocorrido em 1976, quando investigadores paranormais Kerry Gaynor e Barry Taff investigaram o caso de uma mulher da Califórnia, e alegou ter sido agredida fisicamente e sexualmente por uma entidade. Os investigadores testemunharam os objetos se moverem em sua casa, fotos capturadas de luzes flutuando e viram uma aparição humanoide, mas nunca tentaram capturar um espírito.

Cotação: 3,5/5

Filme é um ótimo exercício de tensão  que prende a atenção do espectador do começo ao fim.

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