segunda-feira, 15 de julho de 2013

Uma noite de crime - (The purge) - 2013



Por Jason

É fácil perceber o motivo pelo qual Uma noite de crime foi massacrado pelos críticos americanos. O enredo em si já é difícil de aturar, mais difícil ainda são as opções absurdas do roteiro para fazer a trama engrenar. Vejamos.

Apesar de uma ideia interessante - durante um dia no ano, por doze horas, os EUA de 2022 deixam indisponíveis todos os sistemas públicos de segurança e de saúde (bombeiros, polícia, hospitais, etc) - permitindo qualquer tipo de crime sem que os autores sejam punidos. Isso permitiria assim que a sociedade agisse da forma que quisesse, revelando sua verdadeira face. Há aqueles que decidem por viver em segurança porque podem pagar por isso, há aqueles que querem participar deste ritual de "purificação social" e existem aqueles que são caçados e sofrem com a violência porque não podem se proteger.

Nas mãos de pessoas habilidosas, o roteiro poderia render um debate interessante e um estudo profundo sobre a violência e o ser humano (Kubrick teria um derrame ao ver o desperdício disso). Até que ponto o ser humano tem o direito de tirar a vida de outro? Como é possível julgar um ser humano como bom ou ruim em um momento em que todos estão desamparados pelo Estado? Num estado de calamidade, em que não existe o Direito para regulamentar leis de proteção ao individuo, são os próprios homens que fazem suas regras - e a humanidade recorre à violência. O resultado seria a total desintegração social. 

O problema? São vários os problemas da produção.  No começo, somos apresentados a família, que mora em um bairro considerado seguro, em uma mansão com um "moderno" aparato de segurança. A família se prepara para passar a noite, mas o roteiro pouco faz pelos personagens, não dando tempo para desenvolvimentos. De repente, o filho mais novo desarma o sistema de segurança para ajudar uma pessoa que fugia. Nesse meio termo, somos obrigados a suportar uma trama ordinária envolvendo a filha do casal, que namora as escondidas e que tem medo do pai que não aceitará o relacionamento. O rapaz então decide aproveitar a noite para conversar com o pai e acaba revelando a verdadeira intenção, alimentando rapidamente toda uma confusão. 

É difícil acreditar e aceitar que o filho tenha desarmado o "moderno" sistema de segurança da casa para um ESTRANHO que está pedindo ajuda no meio da rua Deus sabe o motivo - quando todos sabem o que pode acontecer naquela noite. Pior: que o pai, um especialista no assunto, seja capaz de permitir que a criança saiba o código de segurança, não se precavendo. Com a chegada desse estranho, o pai de família precisa lidar com uma mudança nos planos de ter uma noite segura, uma vez que esse estranho pode ser um assassino e colocar em perigo toda a família. Do lado de fora, uma equipe de assassinos que o caçavam ameaça invadir a casa e matar toda a família se o fugitivo não for entregue. 

É aqui que, mais uma vez, fica impossível aceitar que o sistema de segurança inclui portas de metal - que ridiculamente são tão frágeis que são incapazes de suportar um carro puxando-as com correntes. Difícil também suportar o fato de que os assassinos não se certificam de suas ações e morrem porque são todos burros (mesmo tendo a oportunidade de matar suas vítimas facilmente eles misteriosamente não fazem ou demoram a fazer, sabe lá o motivo - o filme não explica...). Para piorar a situação da família, os vizinhos se revelam verdadeiros psicopatas - personagens que o filme sequer os explorou e caem de paraquedas no meio da confusão. O resultado é uma reviravolta completamente louca da trama ao final na qual a família acaba surpreendida e joga a última pá de cal na cara do espectador. 

Lena Headey e Ethan Hawke atuam bem, mas as crianças são péssimas. O líder dos assassinos também é outro que não tem tempo de ser desenvolvido e se resume a fazer discursos idiotas. A direção apela para clicheria, com câmera no melhor estilo Atividade Paranormal (não a toa, são os mesmos produtores) e algumas sequências de luta corporal cujo resultado final é pífio. De bom mesmo é o fato de que o estúdio e os produtores não tem do que reclamar: o filme custou uma mixaria de 3 milhões de dólares, mas faturou quase 77 milhões, um dos maiores custos benefícios do ano.

Cotação: 1/5

A sensação que se tem quando termina é de que o filme saiu do nada para chegar a lugar nenhum.


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