terça-feira, 16 de julho de 2013

Vírus - 1999



Por Jason

Durante uma transmissão com a MIR, uma entidade alien domina a tecnologia da estação e desce para o navio russo que a contatava, assumindo o maquinário do navio e eliminando sua tripulação na forma de um vírus de computador. Um grupo de marinheiros num rebocador atravessa uma tempestade no meio do Pacifico e acaba se deparando com o navio abandonado. 

O capitão decide então rebocá-lo, com a finalidade de exigir depois uma quantidade em dinheiro do governo russo para reavê-lo e assim, claro, ficarem ricos. Com o desenrolar da trama, descobre-se uma tripulante russa viva, que explica que essa vida alien está tentando criar uma nova forma de vida misturando máquinas e humanos. Os visitantes do navio deverão agora encontrar um meio de saírem de lá com vida, antes de serem mortos e se transformarem em experiências bizarras de ciborgues - além de enfrentarem uma tempestade que se aproxima.

Vírus é baseado na HQ de mesmo nome, da Dark Horse, lançada em 1992. O filme parece ter nascido da correria dos estúdios e da tentativa das produtoras de pegarem embalo em tramas envolvendo navios, mar, naufrágios e barcos no final da década de 90 depois de Titanic - assim como o trash divertido Tentáculos que usava descaradamente propagandas em comparações absurdas com o filme de James Cameron, o caro e ruim filme de ação Velocidade Máxima 2 (que custou 160 milhões e não se pagou) e o impressionante Mar em Fúria - só que aqui o resultado foi uma mistura indigesta de ficção, trash, horror, suspense e aventura no mínimo bizarra. Os efeitos especiais - de maioria prática, animatronica e robótica, pessimamente enquadrados - só ressaltam a característica de filme B pela péssima direção de um tal John Bruno. 

O diretor não sabe esconder seus bonecos plásticos cheios de sangue falso e órgãos de mentira feito de borrachas quando deve e expõe a ameaça sem nenhum traço de suspense para o espectador. Não sabe também tirar proveito da direção de arte, que mostra o navio completamente revirado e destruído e o design interessante das criaturas. A fotografia do filme, clara e exposta, não condiz com o tom que o filme deveria encontrar, outro erro fatal. Tamanho empenho em fazer algo ruim resultou em um retumbante fracasso para os estúdios Universal, que resolveram bancar 75 milhões de dólares mas o filme, metralhado pelas críticas pesadas, não conseguiu arrecadar mais do que 30 milhões em seu percurso nos cinemas. 

Não ajuda em nada o fato de ele ser um péssimo diretor de atores e o time de atores escolhidos. William Baldwin é uma porcaria atuando (ele ri em quase todas as cenas e fala rindo o tempo todo, um detalhe inconveniente dentro do filme). Jamie Lee Curtis é simpática e boa atriz, mas está completamente perdida dentro da trama. Donald Sutherland está ali apenas para pegar o cheque, na figura caricata do capitão do rebocador que protagoniza uma cena bizarra em que se transforma em um ciborgue assassino e é despachado rapidamente. Os coadjuvantes são todos descartáveis e desinteressantes porque o roteiro não se preocupa nem um pouco de desenvolvê-los. Para não falar da horrível e deslocada trilha sonora. 

Tem coisas mais absurdas no roteiro do que o próprio plot. Quando o personagem Steve (Baldwin) anuncia pelo rádio para os colegas que uma tripulante foi encontrada e atirou neles, por exemplo, os outros reagem ignorando o fato (!), (mesmo sabendo que perderão o dinheiro no caso de encontrarem alguém da tripulação no navio). Uma das coadjuvantes, a russa, de repente resolve retornar ao encontro do perigo (?) ao invés de fugir, apenas para morrer pouco depois. na composição do personagem de Donald Sutherland, que no meio do caminho resolve se transformar numa criatura meio homem meio máquina apenas para ser destruído segundos depois de aparecer. Sem falar no coadjuvante negro que desaparece depois de surtar e milagrosamente retorna vivo - para morrer pouco depois (!). Revoltado com o ritmo, o roteiro transforma tudo em uma correria nos minutos finais. 

Mas é tarde, o estrago já foi feito. 

Cotação: 1/5

Uma tosqueira de 75 milhões de dólares.


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