sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Preço do Amanhã (In Time - 2011)



Por Ravenna Hannibal

Apareci de nooovo, e hoje vou falar do preço do amanhã!
Eu acho que o amanhã custa bem caro se você fica pensando muito nele, sou da filosofia que tem que viver o presente.
Mas não vou falar de auto ajuda aqui, não, né gentem? Só que os personagens pobres do filme “O Preço do Amanhã” LITERALMENTE tem que viver o presente senão o futuro deles vai pro saco.
A premissa do filme é muito interessante. No futuro, devido a avanços da engenharia genética, ninguém envelhece depois dos 25 anos. Em compensação depois dos 25 anos você tem que negociar o seu tempo. Os ricos vivem muuuitos anos por que lá o tempo é dinheiro -literalmente - e os pobres vão vivendo dia após dia, correndo o risco de morrer a qualquer momento por que a inflação de tempo na favela é absurda.
COOORRE SENÃO VOCÊ MORRE!
Infelizmente, o filme que tinha argumento pra ser uma espécie de Minority Report dos anos 2010, acaba deixando passar todas as possibilidades ideológicas e filosóficas que esse sistema de economia implicaria.
Levando em consideração que eu sou a chata da Ravenna Hannibal, tem umas coisas no roteiro que tem que ver, viu? 
Por exemplo, eles não explicam como exatamente funciona todo esse sistema de distribuição e produção do tempo. Os roteiristas e a direção são espertos em nos desviar sempre dessa questão, mas isso sempre acaba voltando à cabeça dos espectadores mais atentos. Por que? 
Bem, se você estiver assistindo o filme apenas para ver as cenas de ação e se divertir, ok. Isso não compromete seu entretenimento. Mas se você é daqueles chatos de galocha que nem eu que vêem o potencial do filme desperdiçado por falhas de roteiro, vai ficar incomodado com isso, pois parece um ato preguiçoso não aprofundarem esse ponto. A lógica superficial funciona dentro da ação, mas não funciona dentro dos questionamentos que o filme levanta.
E sim, o filme tenta fazer algum tipo de crítica que não se encaixa muito bem por que eles sempre dão preferência à ação. Os diálogos são bem espertinhos, fazendo uso de trocadilhos interessantes com a questão tempo/dinheiro/vida, mas não passam disso, não aprofundam as questões que o enredo parece querer explorar, mas se contém com medo de espantar o grande público. Mas se Minority Report conseguiu, por que O Preço do Amanhã não conseguiria?
Simples. Por que o diretor Andrew Niccol fez coisas interessantíssimas nesse sentido em filmes como O Senhor das Armas e Gattaca, mas aqui parece com preguiça (ou medo) de botar os miolos do público pra funcionar direito (eu não vou nem comentar ele ter dirigido A Hospedeira da Steflopie Meyer ¬¬).
Em termos de ritmo, ele é quase impecável, é ágil e tem cenas de ação bem dirigidas – apesar de pouco ousadas ou originais. Uma pena que, mesmo encaixados na hora certa, os diálogos não passem de discursos que parecem cultos, mas são vazios de sentido e muitas vezes caem em clichê. 
Avó, Mãe e Filha - Só as novinha!
Há uma cena em particular, que pra mim é uma das melhores do filme, de uma corrida do personagem do Justin Timberlake e da personagem da Olivia Wilde. Nessa cena percebemos que o Andrew também consegue ser sensível, mesmo adotando um estilo de ação um pouco mais “anos 80/90” por assim dizer. Em poucas cenas e com poucos enquadramentos, movimentos de câmera e direção de atores, ele consegue estabelecer alguma empatia entre público e personagens. Em contrapartida, ele acaba colocando os antagonistas (que não são exatamente vilões) encaixados dentro de estereótipos e pouco humanizados.
Sua direção é hábil também em camuflar um pouco a canastrice de alguns atores, uma vez que o filme é composto em sua totalidade por atores relativamente jovens. 
Olha, gente, Hanni aqui acha que o Justin Timberlake não é aquela coca-cola toda cantando, mas é melhor ele cantando do que atuando.
O caso em O Preço do Amanhã é que ele não compromete o filme pelos limites que o filme estabeleceu para sua faceta dramática. O Alex Pettyfer é um saco de batatas de tão expressivo. O papel dele exigiria alguém mais velho, só que por força de roteiro isso não era possível, só que gente, existem atores bons jovens também, tipo... tipo... Enfim, acho que podiam ter colocado o Cillian Murphy, que tem talento, pra fazer esse personagem, já que o desperdiçaram naquele pobre policial de superfície, que seria um personagem muito interessante se tivesse sido bem explorado.
A Amanda Seyfried tem talento, mas não rola química entre ela e o Justin (aliás rola química dele com alguém gente??), e ela parece forçada aqui. Talvez seja a peruca.

Cotação: 2,5/5


Uma premissa muito interessante, execução boa, mas superficial e sem recheio. No popular: bonitinho, mas ordinário. Triste. Dava pra ser muito mais.

TRAILER


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O despertar - 2011


Por Jason

Confesso que acabei me surpreendendo com este filme pois esperava bem menos dele. Na trama, que se passa na década de 20, a Inglaterra sofre com as perdas e o luto deixados pela I Guerra Mundial. A cética Florence Cathcart é uma especialista em desvendar fenômenos paranormais e abre o filme acabando com uma sessão de charlatões que induzem uma mulher a acreditar que está presenciando um fantasma de seu filho. Em seguida, Florence é chamada para visitar uma escola e explicar as visões do fantasma de uma criança. O caso, porém, colocará em dúvida tudo aquilo em que ela pensou acreditar até então. 

A cena em que é procurada e o problema apresentado é a chave central da trama. Um dos cuidadores da escola, Sr Mallory, apresenta a situação mostrando fotos que foram tiradas das turmas e nelas uma figura fantasmagórica de um menino aparece. A mulher, no entanto, cética, procura uma explicação para o fato. O problema é que um dos alunos sumiu e no dia anterior ele relatou ter visto o tal espirito do menino. Florence vai ao local para a investigação e arma seu aparato para identificar quem é a pessoa que está causando todo o transtorno, sem acreditar ainda que se trata de um espirito. Durante a noite, fatos estranhos começam a acontecer e ela descobre a participação de dois meninos - sendo que um deles, Florence não consegue identificar quem é.

À medida que o filme avança, descobrimos que ela está mais envolvida na história da escola do que ela pensa. Ela descobre que o espirito que atormenta os meninos é na verdade de alguém que já morou na casa e que Florence conhece muito bem e é louvável que a produção trate o tema com seriedade. Todo o filme tem uma reconstituição de época requintada e a parte técnica - fotografia, trilha sonora, cenários - é bem elaborada e deixam o filme consistente. Rebecca Hall, desperdiçada na porcaria Homem de Ferro 3, aqui se mostra segura em um personagem interessante e bem desenvolvido. Hall é capaz de compreender o seu personagem, embora falhe aqui e ali nas cenas de maior carga dramática, como uma mulher que desloca sua obsessão e ceticismo para o trabalho. Ela não compromete o saldo final. O filme ainda tem a excelente Imelda Staunton como a Sra Hill, que cuida das crianças e é fã do trabalho de Florence.

Os problemas do filme começam no terceiro ato, onde começa a confusão e quem já viu o filme provavelmente vai entender. O despertar, que lembrava até Os outros em sua ambientação, começa a se perder. Apesar de seu ritmo um tanto lento e mesmo não sendo um filme de sustos fáceis e nem um terror apelativo, o que agrada, ele entrega todo o segredo envolvendo o espirito perturbado de bandeja com direito a flashbacks didáticos (tudo poderia ser resumido numa linha de diálogo e incitado o espectador a pensar). Algumas explicações ficam soltas - como uma pessoa poderia esquecer tal tragédia em sua vida, é um verdadeiro mistério que nem Freud explica - e outras são chulas - o tal argumento de querer matar a mulher envenenada para ficar do lado de lá com o melhor amigo parece remendo descabido do roteiro, algo de quem não sabia o que fazer depois da revelação, quando o filme deveria acabar. Não ajuda em nada a presença de um personagem que cai de paraquedas na trama, que ameaça Florence e tenta estuprá-la. 

Sobre o final, muitos acreditam que a personagem poderia estar morta devido a uma cena de quase passagem para o além - Florence diz que precisa dormir, mas toma o antídoto para o veneno levado pelo espírito! Para mim, fumando, batendo papo com seu homem, falando com crianças e ainda por cima marcando encontro, planejando um novo livro, de duas uma: ou ela virou um espirito pop que adora ser visto e fazer o social com todo mundo ou ela ficou foi muito da viva. Diante das escorregadas do filme no terceiro ato, é melhor ficar mesmo com a segunda opção.

Preste atenção: 

Na casa de bonecas.

Cotação: 2,5/5

Não é memorável, mas vale pela competência dos envolvidos e da técnica da produção, que parece mais cara do que realmente é. O pecado é o último ato.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Gilbert Grape - 1993



Por Jason

A vida de Gilbert Grape não é fácil. Gilbert trabalha num pequeno mercado em Endora, um buraco no meio do nada onde nada acontece. Para completar sua vida desastrosa e sem expectativa de algum futuro melhor, o jovem tem uma família disfuncional que mora em uma casa velha. Sua mãe é depressiva e sofre de obesidade mórbida. Não sai de casa. O pai se enforcou e o irmão sofre de problemas mentais. Gilbert mantém um caso com uma dona de casa casada enquanto sustenta a família. Uma das irmãs é desastrada, a outra acabou de completar quinze anos e está naquela fase complicada de querer se destacar, sentindo vergonha da sua família e do que os outros pensam dela. A família não se entende e a responsabilidade da casa recai sobre ele desde que o pai se matou.

Uma visitante chega na cidade e acaba se envolvendo com Gilbert, mas ela está de passagem. Gilbert começa a perceber que nunca teve uma vida. Passou sua adolescência carregando a família nas costas porque o destino o colocou nessa situação. É também uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento. Impaciente com todo o esforço para fazer o aniversário de dezoito anos do irmão, Gilbert acaba descarregando seu martírio nele. Vem da mãe dele, contudo, a clareza sobre a situação dela e da condição da família, em uma cena chave do filme. Mais tarde, quando a coisa ganha um contorno mais trágico, é de Gilbert de novo a decisão mais difícil, mas a mais acertada diante de toda a situação.

Gilbert Grape é um bom drama muito mais porque tem personagens interessantes do que pela capacidade de direção de imprimir alguma nota autoral ou de apresentar algo inovador dentro do gênero. Todo mundo no filme parece buscar algum sentido em suas vidas ou parece sabotado pelo que o destino reservou: da mulher infiel e carente; o próprio marido traído, cujo ataque diante da família o leva a morte acidental - ou não; passando pelo dono do mercado que vê o movimento cair por causa de outro maior e mais sofisticado, e a própria família de Gilbert. Ao menos dois desses personagens tão complicados são mais consistentes do que os demais. 

O primeiro é a mãe de Gilbert, que sofre de obesidade mórbida e se trancou para o mundo porque virou motivo de piada. Ela, no entanto, é capaz de entender sua situação, mas antes de qualquer coisa, é mãe super protetora. Quando seu filho deficiente é preso, é ela quem arregaça as mangas e vai a delegacia para resgatá-lo de lá, despertando a atenção da população como se ela fosse uma atração de circo. Em seu último ato, como um desafio final, decide por subir as escadas da casa para sair daquele lugar por onde permaneceu por toda a vida, ciente do que isso pode acarretar. O outro, claro, é Arnie, o personagem de Leonardo DiCaprio, que por ingenuidade, parece justamente imune ao que a vida lhe causou: não é capaz de discernir entre o certo e errado e sua vida se resume a uma grande brincadeira mesmo quando é preso pela polícia. Pelo papel, DiCaprio ganhou sua primeira indicação ao Oscar merecidamente. 

Mas o filme não escapa de uma análise mais sutil. Gilbert Grape parece um dramalhão nos moldes de uma novela mexicana regada a trilha sonora óbvia (só faltou uma música tema melodramática tocando o filme todo para completar o pacote). Juliette Lewis, que é boa atriz, como interesse amoroso, é engessada num papel sem muita complexidade. Os outros personagens da família de Gilbert - suas irmãs - não se desenvolvem. Com relação a Depp, embora bom ator, aqui ele se resume a fazer cara de jovem galã e um tique nervoso de passar o cabelo grande para detrás das orelhas, além de dar aquela escorregada básica na parede na hora do drama. Depois de vê-lo se repetindo em papeis bizarros, carregado de maquiagem, poder revê-lo interpretando um personagem comum em um filme é até um alívio. 

Cotação: 3/5


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Billy Elliot - 2000



Por Jason

Billy era apenas um garoto de 11 anos, diferente dos demais. Um dia, é levado a treinar boxe induzido por seu pai, mas não leva o menor jeito. A vontade de dançar fala mais alto quando descobre as aulas de balé ocorrendo ao lado das aulas de boxe e ele começa a fraquentá-las escondido. Para completar, não possui um diálogo com seu irmão, precisa cuidar da avó e o pai está sem dinheiro devido a uma greve. Incentivado pela professora de balé, que vê em Billy um talento nato, ele resolve então se dedicar de corpo e alma a dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai na sua nova atividade.

Acima de tudo, o filme mostra ao espectador uma criança que já tinha uma vocação nata para uma determinada atividade - e como se faz necessária a presença da família no incentivo e no entendimento dessa vocação. Elliot, óbvio, por estar em uma atividade feminina, no meio de um buraco atrasado da Inglaterra da década de 80, sofre com o preconceito de uma sociedade machista, com os homens da cidade que vivem se engalfinhando em confusões como se quisessem assim provar sua masculinidade - e essa dualidade entre a brutalidade dos homens e a sensibilidade das crianças é mostrado sutilmente quando uma confusão numa greve ocorre paralelamente a uma aula de dança. 

A descoberta pelo pai de Elliot na aula de balé resume todo o pensamento da sociedade: meninos jogam futebol e lutam boxe, mas não dançam balé. Billy perdeu sua mãe e está numa fase em que não compreende o meio em que vive. O amigo se veste de menina, copiando o comportamento do pai quando a esposa sai de casa, o que só confunde mais as coisas na cabeça do menino. Há um contraponto evidente entre os sentimentos dos homens da família e Billy, mas o menino é tão forte e tão corajoso quanto eles, o que faz aqui toda a diferença na trama. Não se trata então de um filme musical, mas do drama de aceitar como se é e de olhar para uma situação com outros olhos - e o pai e o irmão, depois de muito resistirem, conseguem se aceitar como pessoas incapazes de compreendê-lo, mas capazes de reconhecer o talento em Billy e a incentivá-lo a ter um futuro melhor longe daquele fim de mundo.

O filme foi nomeado a quase 60 prêmios, incluindo 3 Oscar (Atriz coadjuvante, roteiro e direção). O elenco é bem calibrado. Jamie Bell atua com sensibilidade e espontaneidade. Atire a primeira pedra quem não se emocionar com a cena da carta deixada pela mãe para Billy. Ao ouvir da professora que ela deveria ser uma mulher muito especial, Billy, ingênuo, responde que ela era apenas a sua mãe. É a ingenuidade do garoto que o leva a tão disputada escola profissional de balé. Gary Lewis, que interpreta o pai, é o homem que não compreende os filhos e é incapaz de dialogar com eles. Perde a paciência e ameaça bater em Billy ao descobrir a dança, esmurra o filho mais velho ao saber que ele vai lutar pelos seus direitos. No entanto, seus esforços em ajudar o menino resultam em uma das cenas mais fortes do filme, quando decide ceder a greve e com o filho mais velho cai no choro. 

Mas é Julie Walters, como a professora de Billy, que se destaca. Sua função, além de professora acaba sendo a de cobrir a ausência materna de Billy e Julie, atriz calejada, é capaz de passar de áspera e exigente a sensível e compreensível.  Nada disso seria possível sem a capacidade de Stephen Daldry na direção, em seu primeiro longa metragem. A prova de sua sensibilidade viria mais tarde: Daldry, ótimo em extrair o melhor de seu elenco, seria um dos responsáveis por presentear Nicole Kidman com um Oscar por As horas e pela excelente performance de Kate Winslet em O leitor

Imperdível.

Cotação: 5/5

É uma pequena e simples obra prima.


domingo, 25 de agosto de 2013

O resgate do soldado Ryan - 1998




Por Jason

O filme começa com uma família visitando um tumulo no cemitério dedicado aos mortos da Segunda Guerra Mundial. O filme então volta para 1944, para o chamado Dia D, focando na operação das tropas em Omaha Beach na Normandia. No desembarque, os soldados são recebidos por uma tempestade de balas de tudo quanto é calibre dos inimigos. Tiros de canhões, metralhadoras, fuzis, morteiros, bombas, granadas, bazucas, sons ensurdecedores e efeitos especiais descabelantes, a técnica empregada ajuda a compor uma das cenas de abertura mais impressionantes da história do cinema. 

É um show espetacular de direção de Steven Spielberg, que coloca a câmera no meio do conflito à medida que as tropas americanas avançam pelo terreno da praia e pedaços de corpos voam para tudo quanto é lado. No meio de todo o caos da guerra, homens morrem afogados pelo peso dos equipamentos, gente procura pelo braço perdido numa explosão, um soldado apela para Deus, alguém segura as próprias tripas chamando pela mãe, ao passo que um grupo é morto incinerado. Os médicos tentam salvar o que não dá mais para ser salvo, costuram a pele rasgada de jovens que já estão mortos. A comunicação vai pelos ares, gente espera por um socorro que nunca virá. É o retrato cru do conflito e somos testemunhas do capitão John Miller que, ao chegar a praia e ver toda a recepção calorosa do inimigo, precisa armar uma estratégia às pressas à medida que vê todos os pelotões serem dizimados numa chuva de sangue. 

Depois dessa meia hora de inferno no meio da guerra, o capitão recebe a missão de resgatar o soldado James Ryan (Matt Damon), o caçula de quatro irmãos, que é paraquedista e que está também na Normandia. Os três irmãos mais velhos dele morreram em combates, o que faz os militares tomarem outra atitude. Porém, John não sabe se o soldado está vivo ou morto ou se foi capturado por tropas inimigas, e nem sabe como é Ryan, o que o leva a ficar procurando por todo Ryan que ele encontra pela frente. É também uma missão suicida, uma vez que a região está infestada de alemães. Ao encontrar o rapaz, o capitão precisa se decidir entre ficar ou seguir com a missão incompleta, uma vez que Ryan se recusa abandonar a missão a qual foi designado por achar injustos com os colegas. Horas depois, o grupo é atacado fortemente em uma ponte de acesso e quando tudo parece perdido, um caça acaba abatendo um tanque alemão que forçava passagem e os reforços finalmente chegam. Não sem tirar muitas outras vidas, é claro, que incluem a do próprio capitão ferido no combate.

Spielberg mexe na ferida do conflito. A certa altura, o oficial do exército questiona: o que dizer a uma mãe que perdeu os filhos numa guerra? Mandar uma mensagem, um elogio, uma bandeira enrolada e dizer obrigado? Isso parte de oficiais que muitas vezes não lutaram uma guerra, não sabe a dor e o sofrimento que é o conflito não só para quem está nas trincheiras, mas para quem está em casa mergulhado em angústia à espera do retorno de seus entes queridos. Nesse sentido, o filme é visceral em mostrar a crueldade do conflito e a forma como jovens e despreparados vão lutar contra inimigos que não conhecem e que deixaram sua humanidade ser subtraída pela violência do combate (o alemão que ganha liberdade é o mesmo que mata o capitão, afinal). Tudo a mando dos superiores em seus escritórios assépticos e bem iluminados, regados pela trilha sonora melodramática de John Williams, em contraste com a sujeira, a brutalidade e a escuridão da guerra. 

O elenco, além de Tom Hanks, é estelar, com  Paul Giamatti, um jovem Matt Damon, Vin Diesel ruim como sempre, Edward Burns cuja carreira não decolou, Ted Danson, entre outros. Hanks atua com a mesma competência de sempre e seu empenho em se transformar no capitão Miller, um professor de redação jogado no meio do conflito que tem que lidar com temperamentos tão diferentes e com as perdas irreparáveis, valeu merecidamente uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Falando em premiação, aliás, o filme ganhou o Oscar de Melhor Edição, Fotografia, Efeitos Sonoros, Melhor Som e Direção (para Spielberg) e mais de cinquenta prêmios, fazendo deste um dos maiores e melhores filmes de todos os tempos a retratar os horrores da guerra. As indicações também em Roteiro Original, Filme (perdeu para o sonífero Shakespeare Apaixonado), Direção de arte, Trilha Sonora, Maquiagem e Ator provam que Spielberg estava no seu auge como realizador porque tecnicamente, não há o que se questionar de um filme que tem quinze anos de idade. Tudo ainda é impecável e deve ficar assim ainda por muito tempo.

Se há alguma coisa contra a produção isso se deve ao fato de que o filme tem um excesso de duração - são quase três horas, sendo meia hora de conflito no começo e outra meia hora no final - que embora não comprometa o saldo final poderia ser usado para outros personagens que não se desenvolvem. Há ainda aqueles momentos de pieguice desnecessários e certos vícios de Spielberg, como o de Hanks discursando no meio dos soldados, dando aquela lição de moral enquanto a trilha sonora sobe ao fundo (desnecessariamente) para emocionar. Nada a declarar da patriotada representada pela bandeira tremulante dos Estados Unidos - a cruz de Miller ao final representaria melhor o sepultamento de uma nação que esqueceu que todo país já entra numa Guerra perdendo antecipadamente - sem falar no discurso de Ryan - o filme viveria muito bem sem isso. 

O resultado final, contudo, é espetacular.

Cotação: 4,5/5


sábado, 24 de agosto de 2013

Tubarão - 1975




Por Jason

A primeira coisa que marca no filme Tubarão é a sua premiada trilha sonora, apresentada de maneira eficiente já nos letreiros iniciais, quando a câmera passeia pelo fundo do mar com o ponto de vista da criatura monstruosa que mais tarde aterrorizará a costa da cidade Amity Island ao som dos acordes aterrorizantes criados por John Williams. 

Logo no prólogo, o espectador assiste aterrorizado o ataque a uma banhista, numa sequência perfeitamente executada e sugestivamente perturbadora. No dia seguinte, a vítima é dada como desaparecida e o Chefe Brody (Roy Scheider) vai investigar o caso. O corpo é encontrado mutilado na beira da praia e Brody acredita que a causa da morte é um provável ataque de Tubarão. É a partir dela que se dará todo o mote central dessa produção que se transformou num clássico inquestionável do cinema: todo o problema seguinte vai decorrer da ganância dos líderes políticos da cidade. 

O povoado de Amity está perto de receber muitos visitantes e turistas pois é uma cidade cujo comércio se movimenta principalmente no verão e o líder político do lugar não quer afastá-los. A coisa se complica quando um menino é devorado pela criatura marinha enquanto tomava banho no mar. Um oceanógrafo é chamado para ajudar Brody assim como um pescador. Mesmo com o problema rondando a costa da cidade, as pessoas continuam ignorantes sem querer interditar a praia. Negligente, o prefeito acredita que Brody está se precipitando e não quer que se fale em tubarão para não causar pânico nos visitantes. Contra todos os alertas, libera os visitantes para tomarem banho. Brody e o oceanógrafo não veem outra saída a não ser irem para o mar atrás do monstro e é daí que nascem as inesquecíveis situações do filme, num combate épico dos homens contra o tubarão em pleno oceano onde a besta, seres humanos - e o próprio barco em que estão - serão levados até o limite.

Mesmo com efeitos especiais que envelheceram terrivelmente, principalmente na segunda metade, Tubarão é estruturalmente perfeito e é sem dúvidas um dos melhores filmes da carreira de Steven Spielberg. Baseado em romance homônimo, o fenômeno literário de Peter Benchley, a primeira metade apresenta o problema, o tema, os personagens e a forma como eles lidam com a situação. Na segunda, a solução escolhida pelos personagens para dar fim a todo o sofrimento é ir a luta com as armas que eles dispõem. Os problemas durante a produção, com o tubarão de mentira dentro da água, fizeram com que a criatura marinha fosse escondida ao máximo, o que só melhorou o suspense do filme. Spielberg também se usou de um artifício que repetiria mais tarde, com Jurassic Park: se no filme dos dinossauros ele alterna cena com animatrônicos e computação, aqui ele alterna cenas com criaturas reais e animatrônicos para formar um composto sólido. O ritmo é outro ponto a favor, cortesia da premiada edição vencedora do Oscar. O espectador sabe que a criatura está no mar e ataca furtivamente, o que deixa abertura para um roteiro onde tudo imprevisível, como os pescadores que pescam o tubarão errado ou os meninos que usam uma barbatana para assustar os banhistas.

Os personagens são bem desenvolvidos. Brody, por exemplo, que tem um trauma de um quase afogamento é a reprodução da obsessão por eliminar o problema. Na procura por acabar com a criatura marinha e no embate final, ele precisa se superar e superar seus medos à medida que sua vida começa a passar por turbulência, seja como marido ou como pai preocupado. É desengonçado, não leva o menor jeito como homem do mar e é o contraponto ao personagem Quint (Robert Shaw). Quint é arrogante, uma pessoa ignorante, mas que tem clareza suficiente para conhecer a ameaça com a qual está lidando. O problema é que Quint não respeita sequer os limites de sua embarcação, obcecado também pelo dinheiro que poderá ganhar com o animal - que por sua vez também parece estar louco em transformar aqueles homens em refeição. O personagem de Richard Dreyfuss, por sua vez, faz o papel de guia condutor para o espectador, para que ele compreenda com o que os personagens estão lidando.  

Naquele ano de 1975, quando a temporada de verão americano era morta em lançamentos de arrasa quarteirões, Spielberg escolheu este momento oportuno para lançar sua produção. O público não costumava ir aos cinemas na época e migravam para as praias para passar a temporada. O marketing foi certeiro. Nascia ali o conceito blockbuster e a industria cinematográfica começava a mudar as estratégias de lançamento de seus filmes que culminaria com o lançamento dois anos depois de Star WarsTubarão venceu 3 Oscars, rendeu parque temático mas também sequências inferiores realizadas pela tentativa do estúdio de repetir a façanha do primeiro filme e lucrar em cima de uma marca que se mostrou extremamente lucrativa. O filme bateu recordes de bilheteria - arrecadando quase 500 milhões de dólares, cerca de cinquenta vezes o seu orçamento - e Spielberg nos presentou com um clássico. 

A história do cinema agradece.

Cotação: 5/5


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Carros 2 - 2011




Por Jason

O filme já começa como uma investigação de James Bond (os mais velhos enxergarão o Aston Martin cheio de quinquilharias tecnológicas do agente 007) numa plataforma de petróleo. Relâmpago McQueen depois de retornar para uma temporada com os amigos em Radiator Springs, topa uma corrida contra Francesco, um carro de Formula Um, promovida pelo criador de uma tecnologia alternativa limpa. Leva com ele o amigo Mate, o velho reboque. 

O aloprado reboque acaba se envolvendo sem querer na trama de espionagem que o vai levar a Paris e a Itália, sendo que os espiões acreditam que ele também é um espião disfarçado de reboque. Capturado pelos vilões e dentro da máfia, Mat descobre que há uma trama de carros velhos que se usam de petróleo para derrubar a nova tecnologia de combustível tendo como líder o próprio inventor que promovia as corridas. O desfecho da trama se dá em Londres, com a Rainha da Inglaterra concedendo a honra de Sir ao velho caminhão.

A graça do filme vem do fato de que os adultos mais ou menos entendidos de automóveis reconhecerão diversos modelos famosos. De americanos e franceses, passando por italianos, ingleses e japoneses, está tudo lá na tela. Não dá para falar nada da qualidade técnica. Tudo é deslumbrante, da água que parece real ao brilho da lataria dos automóveis, passando pela reconstituição dos cenários conhecidos. O filme também tem metáforas e mensagens para o espectador, instruindo os pequenos a se aceitarem como são independente de cor, origem ou idade e a dar importância a amizades verdadeiras para superarem os problemas da vida. 

Nada, porém, exclui o fato de que o saldo final do filme não empolga. Há um contingente de personagens e o roteiro se embaralha na tentativa de saber para quem dar destaque. A estrela do primeiro filme, McQueen, acaba relegado praticamente a figurante. O primeiro filme aliás, já não era lá a excelência, mas cumpria bem seu objetivo de entreter com qualidade, agradando crianças e adultos. Aqui não fica difícil entender os motivos pelos quais a Pixar resolveu apostar numa continuação para ele - apenas pelo lucro e por manter uma marca de quinquilharias no mercado. Mesmo faltando a criatividade e a originalidade típicas que se esperam da Pixar, Carros 2 tem um apelo mais global. Saem as corridas e o interior americano do primeiro filme, entram em cena pistas de todo mundo. 

A estratégia em usar uma marca já estabelecida ao menos deu certo: o filme custou mais que o primeiro, não se pagou nos EUA, mas em compensação faturou 100 milhões a mais ao redor do mundo. O derivado do filme, Aviões, que deveria ser lançado direto em DVD, no entanto, vem se mostrando uma roubada. Prova de que nem tudo relacionado a marca vinga como deve aos olhos sequiosos por lucratividade dos executivos da Disney.  

Cotação: 2/5

Entretém crianças de todas as idades, mas tem aquele jeito indefectível de descartável.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Incidente em Passo Dyatlov - 2013




Por Jason

Antes de falarmos desse filme do diretor de Duro de Matar 2, precisamos entender o mistério no qual ele se baseia. Em 1959, um grupo de nove pessoas, experientes montanhistas e escaladores, desapareceu nos Montes Urais, na então União Soviética. A descoberta dos corpos mais tarde, que deveria explicar o que houve com o grupo,  só complicou ainda mais a situação ao invés de ajudar a esclarecer o mistério. Tudo porque eles foram encontrados carbonizados, com um elevado nível de radiação, coloração alaranjada e desnudos, mesmo debaixo de um frio congelante. Havia também sinais de envelhecimento precoce - o cabelo de uns estavam brancos e chamou atenção o fato de que um dos montanhistas teve a língua arrancada.

Os investigadores concluíram que os montanhistas rasgaram suas barracas de dentro para fora no meio da noite, assustados com algo, e saíram correndo debaixo de uma nevasca - não se sabe, contudo, do que. Os corpos ficaram preservados por causa da temperatura e não demonstravam sinais de luta, mas as vítimas tinham crânios fraturados e costelas partidas. A hipótese de avalanche foi descartada não só pela disposição dos corpos, como também pelo fato de terem encontrados vestígios de que as vítimas fugiram de algo desconhecido usando roupas deixadas por quem já tinha morrido. As barracas, excetuando os rasgos feito por eles, também estavam intactas mesmo dois meses depois de buscas. 

O caso não teve uma conclusão, uma vez que pessoas relataram que na época havia nos céus luzes alaranjadas, de origens desconhecidas, que poderiam ter ou não a ver com o sumiço dos nove esquiadores. Para alimentar ainda mais o mistério, segundo uma antiga lenda mansi, a Montanha dos Mortos, onde os nove corpos mutilados foram encontrados, foi assim chamada devido a um acidente semelhante em que nove homens mansis também foram encontrados mortos enquanto tentavam se salvar de uma inundação da antiguidade.

Partindo desse pressuposto, que renderia um filmaço de mistério e discussões calorosas a respeito do que aconteceu com o grupo, o filme vai na contramão e traz o estilo já cansado de Atividade Paranormal, emulado em tantos outros filmes que já deu o que tinha para dar. Logo no começo, já sabemos o destino dos personagens - os jornais dão a notícia do desaparecimento do grupo. O espectador conhece o grupo de cinco pessoas, americanas, que vão refazer a escalada até os montes. Todos os personagens são desinteressantes. No meio do caminho, eles fazem apresentações para a câmera, didáticas, explicando o que houve com as pessoas em 1959, onde foram achadas mortas e as teorias a respeito sobre o caso. Encontram uma pessoa que presenciou todo o acontecimento, dando uma versão para os fatos, e conversam com ela antes de partirem.

Na montanha, uma avalanche leva logo uma das personagens. O grupo é forçado a abandonar um deles, ferido, que é morto por dois militares. Na fuga, os três restantes descobrem um bunker militar, com uma rede de tuneis. De repente, sai o filme de suspense e entra o filme trash. Os sobreviventes são atacados por criaturas deformadas - no melhor estilo Chernobyl - e descobrem uma trama envolvendo até mesmo O experimento Filadélfia  viagem no tempo e um portal, para desespero de qualquer espectador que esperava alguma coerência em toda essa confusão. Os efeitos especiais são pobres, as atuações precárias e a direção não tem nenhuma nota autoral, embora escape em uma ou outra cena eficiente em criar suspense. O final capenga só piora tudo.

Cotação: 1/5

Com roteiro horrível, atuações ruins e estilo cansativo, o filme desperdiça um dos maiores mistérios da humanidade com um terror tosco de doer.

Para saber mais sobre o evento misterioso, clique aqui.  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Indiana Jones e a Ultima Cruzada - 1989



Por Jason

Indiana Jones e a Ultima Cruzada começa com Jones jovem, na pele do falecido River Phoenix, em 1912. O jovem descobre um roubo de uma cruz no deserto de Utah e, decidido a levá-la para um museu, tenta fugir da gangue que a encontrou. Na fuga, escapando em um trem de circo, enfrenta cobras, usa um chicote para domar um leão mas é surpreendido quando tem que devolver o artefato aos bandidos. Esse prólogo explica rapidamente o medo de cobras de Jones, a cicatriz no queixo (na verdade, Harrison a adquiriu depois de sofrer um acidente de carro), a origem do tradicional chapéu e sua habilidade com o chicote, itens marcantes na concepção do personagem.

Em um truque de câmera, o tempo avança para Jones já velho. A disputa em um navio prestes a afundar é pela mesma cruz que ele finalmente consegue recuperar. Mais tarde, o espectador descobre que a trama está centrada no Santo Graal - o cálice que Jesus Cristo teria usado na Santa Ceia e que recebeu seu sangue na crucificação. Jones descobre que o pai foi capturado pelos nazistas e está preso em um castelo entre a Alemanha e a Áustria. Antes de chegar lá para salvá-lo, passa por Veneza, onde descobre, numa catacumba sob uma igreja transformada em biblioteca, o resto de uma inscrição que pode levar ao Santo Graal. É em Veneza também que ele conhece a Dra Schneider, a loira platinada com quem ele se envolve amorosamente.

Em seguida, a doutora se revela trabalhar para os nazistas. Pai e filho vão parar na Berlin Nazista e em determinado momento escapam de um dirigível nazista usando um monomotor. O ápice da aventura se dá no deserto, na meia hora final, que começa numa briga envolvendo tanques e cavalos, com os nazistas (algo como Rambo lutando ao lados dos afegãos contra os Soviéticos em Rambo 3) e culmina no fato de que Jones precisa do Santo Graal para salvar o pai baleado pelos vilões. 

Indiana Jones e a Última Cruzada só não é capaz de superar o primeiro episódio da franquia. Tecnicamente, o filme é brilhante em sua concepção, dos cenários, passando pelos figurinos e a fotografia. É um trabalho primoroso, como em todos os filmes de Spielberg. Os efeitos especiais envelheceram - as cenas aéreas se tornaram bizarras -, mas ainda assim não estragam a trama. O filme resgata também com melhor efeito o clima de aventura de Caçadores da Arca Perdidadestoado no segundo filme, mais infantilizado. A relação de pai e filho no filme é ótima: tanto Connery e Ford se entendem na trama e parecem estar a vontade e se divertirem muito com tudo. O tom de humor também é acertado, sem cair no exagero e mantendo a elegância da série. A única fraqueza do filme parece ser mesmo a loira robô platinada, que não convence em seu papel em um personagem caricato mal desenvolvido - a mulher tem cara de vilã desde quando entra em cena, a começar pelo sotaque.

O filme custou 48 milhões de dólares na época - custo de superprodução -, mas arrecadou dez vezes mais em bilheterias, se tornando um sucesso absoluto do cinema. É, depois do último filme em 2008, o maior sucesso da franquia. A aventura também é marcante pela participação de Sean Connery, como o pai de Jones, em um papel simpático que lhe rendeu indicação ao Bafta e ao Globo de ouro. De quebra, há cenas inesquecíveis, como a fuga de pai e filho em uma motocicleta, a Berlin tomada por nazistas, em que Jones se bate acidentalmente ninguém menos que Adolf Hitler e o final, em que Jones encontra um templário de 700 anos. Mais saboroso impossível.

Cotação: 4/5

Clássico imperdível.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Minority Report - A nova lei - 2002



Por Jason

Na ótima e esperta ficção Minority Report, A nova lei, Spielberg nos traz um mundo onde uma divisão da polícia acabou com os crimes da cidade de Washington. O sistema é considerado perfeito: o crime, que ainda não correu, é visualizado pelos chamados Precogs, três paranormais que vivem dentro de uma piscina e entram em colapso quando preveem o assassinato, informando aos policiais. Nesse contexto, Tom Cruise, o policial defensor do sistema, viciado em drogas, separado da esposa e sem superar a perda do filho, é vítima do sistema e acusado de assassinato por antecipação. Cabe a ele correr contra o tempo para provar a sua inocência, descobrindo aquilo que ele não esperava: provas de que há brechas no sistema.

Todo o desenho da produção e a parte técnica são deslumbrantes, como em todo trabalho de Spielberg, possíveis ao custo de uma superprodução de 100 milhões de dólares. No mundo do futuro, os carros despencam de verdadeiros cânions, presos em pistas magnéticas de alta velocidade. O personagem Anderton, de Cruise, movimenta seus painéis digitais usando os dedos em luvas especiais ao som de uma orquestra. Enquanto transita pelas ruas, comerciais de diversas marcas o reconhecem e oferecem diversos produtos. Os prisioneiros são postos em verdadeiros tubos de ensaio em que ficam em coma profundo pelo resto da vida, mudando o modelo prisional mundial. Em uma feira tecnológica, aparelhos realizam as mais obscuras fantasias dos consumidores. A certa altura entram em cena as aranhas robóticas com scanners de iris, que parecem ter saído de Inteligência Artificial, do próprio Spielberg, É durante essa fuga de Anderton que o filme ganha notáveis - e muito bem vindo - ares sombrios, que vão culminar em um bizarro transplante de olhos.

Em determinado momento, acompanhamos um voo do personagem - como em Farenheit 451, os policiais chegam em planadores pessoais. Spielberg deixa sua câmera em atividade ao ponto da plateia primeiro entender a cena. Movimenta sua câmera com elegância e constrói cenas de ação dignas de nota: Anderton se refugia numa fábrica de automóveis e a montagem do filme nos leva para dentro do maquinário, para dentro da ação, que nunca é videoclipada ou cheia de cortes bruscos. O mesmo vale dizer para a escalada do personagem sobre os carros no meio do trânsito, talvez a melhor e mais marcante sequência do filme.

Todo o filme tem um tom acinzentado. Poucos são os objetos coloridos em cena. Mas não seria este o futuro perfeito desejado pela sociedade? O futuro imaginado por Minority é ironicamente sufocante e prisional. Apenas perto do final, quando Agatha encontra a ex de Anderton numa casa do campo é que a coloração do filme, nota-se, muda - assim como quando os pre cogs estão livres, uma mensagem inconsciente de que a segurança, levada ao extremo, e a prevenção criminal imposta pelo sistema acaba transformando a sociedade numa espécie de robotização. O campo representa a libertação, não só mental como também emocional, enfatizada na cena mais dramática do filme, em que Agatha - uma futurista - fala de passado e de presente sobre o filho de Anderton.

Minority é baseado no conto de mesmo nome de Philip K Dick. Assim como no livro, o filme também questiona o poder de decisão humana entre o certo e o errado e suas respectivas consequências, seja elas quais forem - embora o filme não se aprofunde, um descuido tolo do roteiro que poderia deixar o filme ainda mais interessante. Toca, assim, na questão do livre arbítrio e nas responsabilidades morais de cada ser humano: como alguém pode ser responsabilizado por uma coisa que ainda não fez? E se o ser humano é senhor do próprio destino, o que impede ele de mudar de ideia e evitar que um ato aconteça no último instante? O personagem de Colin Farrell, apesar de pouco tempo de cena, tem atitude filosófica questionadora: é ele quem leva o espectador a pensar numa forma possível de burlar o sistema dito perfeito.

E poderíamos aqui discorrer e nos estendermos sobre uma série de questões relacionadas a Direito, Filosofia, Sociologia e muitos outros temas embutidos no filme, porque os assuntos levantados por ele são amplos e ricos. Há, contudo, diferenças enormes entre o conto de original - mais agressivo e sombrio - e o filme, já que, infelizmente ou não, nem tudo funciona em Hollywood como está no papel original. Antes de mais nada, Minority se trata de um filme de Spielberg e ele não nos deixa esquecer disso. 

A revelação do verdadeiro vilão no eixo central da trama é de certa forma antecipada, até pelos ecos da Precog Agatha. Por falar nela, Samantha Morton, talentosa, pouco pode fazer a não ser cara de doente como a personagem, a principal dos três Precogs (o roteiro esquece dos outros dois). É dela, aliás, as duas maiores cenas dramáticas do filme, aquela em que presencia o assassinato do personagem Leo Crow, que foi contratado para fingir ser o assassino do filho de Anderton, dentro da conspiração realizada pelo vilão, e a cena em que antecipa a captura de Anderton em que ela fala sobre o filho morto do policial. Agatha também tem parte importante na trama porque sua mãe foi assassinada uma vez que a queria de volta e sem ela o sistema não funcionaria, e é em virtude desse crime que ela vê "ecos" em suas visões - mas isso é apenas pincelado pelo roteiro do filme. 

Colin Farrell, que parecia ter um personagem interessante, acaba sabotado pelo roteiro e despachado para o além. O drama de Anderton parece pouco desenvolvido, bem como a própria tragédia da ex mulher que vai ter papel importante na sua salvação (a personagem parece que cai de paraquedas). O terceiro ato, que inclui um epílogo, também é mais longo do que o necessário. Nada disso impediu de Minority Report ser merecidamente um sucesso de público e de crítica. Gostem ou não, é Spielberg em mais um ótimo arrombo de imaginação.

Cotação: 3,5/5

Para saber mais: uma interessante comparação entre filme e conto que o originou aqui
Minority Report: uma análise juridica e filosofica: aqui

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Shark Night - 2011

Tubaraum comeno piranha não é novidade no cinema...


Por Tia Rá

Como muintas pessoas reclamaro do meu anaphalbetchismo, ando tomano umas aula de portugays para miorá minha linguage poish nossos fãs (uns três no mundo todo) saum muito importantchys para nóis, imbora num dê pra agradar todo mundo, neam gente? Tou tentano ser uma pessoa melhor e involuir como ser umana. Brigada. LEAVE TCHIA RÁ ALONE!!! 

Ok parei, rs.

Vortano a toda essa merda emossaum desse filme que me deixou abalada sexualmente e psicrogamente. Na trama, vagaboondas e beeshas se une pra passar aquele fim de semanan básico perto de um lago, rio, pântano e seja lá que merda é aquela. Ma aí eis que uns tubaraum digital de quinta categoria anda passeano por lá também tocano o terror e doido para comer os jovens gostosos belos de corpos sarados. Quando eu entendi o plot do filme ,eu disse QUERO TODOS MORTOS NOOOOOOOW!!! 



Mas aí, tipo... Feen do filme. W-T-F? O_O

Quede cenas de secço com o negaum pirokudo, gente? 
Quede peitos das vadias naipe Piranhas 3D
Quede pedaço de gente, quede SANGUE? 

Iska de tubaraum
Tudo o que eu pensava assistindo a essa porcaria era... EU QUERO VER SANGUEEEEEEEEEE!! EU QUERO VER PEDAÇO DE GENTEEEE!!!! Naum baixei o filme pra ver trama vagabonda de traições e vilauns de quinta, só me interessa os tubaraum comendo gente. Ma num é isso que o filme quer mostrar? Entaum... Parem de dramatizar, rebanho de ator ruim dos infernos e vê se morre logoooo! Afe.

Como tudo em Hollywood é politicamente correto - S-Q-N - o coadjuvante preto que entrou pela cota rassial já é atacado primeiro e já perde o braço na empreitadan, ficano cotó e quereno a REVENGE com o tubaraum, veja se pode gente? Aí acha que já deu e tipo, se m-a-t-a.  É isso. Se mata. Ah váááá!!! 

tambem tô na fila pro gang bang, biskate! #soudessas
Ma aí, rola toda uma comossaum e quando pensam em salvar o home, o tubaraum vingatchivo já atacou a lancha e já derrubou uma das biskate pra fazer a refeissaum.  Os ator é tudo nível trash, cada um pior que o outro. Tem um cosplay daquele pobre de Tropas Estelares, ow beesha ruim, meupaidoceu! Todos saum lyndos, com excessaum daquele ET de Avatar que tá no filme também, meldes, ma vá ser feio assim longe, neam gente? Naum sei como o tubaraum deu aquele salto pra pegar ele, eu seno o tubaraum saía correno. Feiura tem limite, tem toleranssia, num dá pra aceitar. Morre e volta no corpo de Hugh Jegueman, amigo? Agradessida. 

Claro que na trama ainda tem os vilão, um loiro gostoso (eu faria) e um véio dos alcoólatra anonimo. Eles fazem uma menina de Ariel e joga a pobre no mar pra ser comida pelos tubaraum. A explicassaum pra o tubaraum assassino é ótima, sabe gente? Eu acharra melhor a versaum de que os bicho veio voando junto com um furacaum e tals, porque né... só Deus operano um milagre em quem fez eçapoha. Fiquei morta feat enterrada com o desenvolvimento reflexivo desse roteiro: quédizê que eles queriam fazer BBB da morte com as vadias, é isso mermu gente? Alguém me acode? Vô ali me jogar da ponte, é demais pra o meu eu. 

tubaraum Daiane dos Santos
É quase o Sharknado, que ainda não vi, esse xuxexo do ano com a Tarada Reid, que tá causano babado, confusaum e gritaria no mundo. A diferença é que aqui todo mundo ACREDITA que tá fazeno tudo direitinho. Quede as piranha que num taum no filme? OHWAIT! A cota de piranhas já foi usada pelas atriz. RISOS.

Os defeito espacial é naipe Record. É o que a produssaum teve de dinhero, #RECEBA! Jamais me recuperarei novamente daquele salto duplo twist carpado do tubaraum para pegar a beesha de Jet Ski, meupaidoceu, alguém me socorre!! Naum gostei do fato de que sobreviveu gente, tinha que morrer tudo, porque deixou gente viva, meu povo? Povo num sabe mais fazer trash como antigamentchy véi.... Tudo é uma mistura de Piranha com Do fundo do mar com Tubarão 13 A revanche, qualquer filme podreira de quinta categoria. Tomei todos os gardenais possíveis, porque óh... torci pelo meu AVC final depois dessa. 

Quem teve coragi de ver isso no cinema, comenta por favor, pra eu dar os meus cumprimentos.



Cotassaum: 0/5

Fede mais que peixe podre. 

domingo, 18 de agosto de 2013

Duro de Matar - Um bom dia para morrer (2013)


Por Jason

Em Duro de Matar - Um bom dia para morrer, John McClane recebe a notícia que o filho está envolvido em problemas na Russia e vai para lá. Preso, o rapaz parece estar envolvido com tráfico de armas nucleares com um tal Komarov, colocado na cadeia por causa de um ex parceiro chamado Chagarin, um terrorista. O filho vai ser julgado e o pai John desembarca em meio a protestos desse julgamento do filho e de Komarov, e já encontra o rapaz na fuga dos bandidos, por uma dessas coincidências milagrosas que só acontecem nos filmes.  Mais tarde, John acaba descobrindo que o filho trabalha na verdade para a CIA. No meio do caminho, as reviravoltas. A filha de Komarov finge que trai o pai e ambos traem os bandidos, tudo por um tal arquivo que envolverá também Chernobyl (!) e o uso de energia nuclear - os bandidos da série, sempre megalomaníacos. 

Inconscientemente ou não, esse é o ponto que menos importa no filme. Com a trama rala, o filme tem intervalos de apenas cinco minutos entre uma sequência de explosão e outra. Não dá para desenvolver os personagens. Bruce Willis vai no automático e Deus sabe de onde tiraram que o cosplay barato de Tom Hardy e Sam Worthington podia atuar, o robô Jai Courtney egresso da televisão, que interpreta o filho de John. O resto do elenco faz cara de paisagem - falta a elegância de Alan Rickman e Jeremy Irons porque o filme aqui cai no genérico de produção de ação sem razão de existir a não ser caçar niqueis do público porque não agrega valor algum para uma franquia que já demonstra estar combalida.  

A produção também não aposta no sempre bem vindo humor que é uma marca da franquia, se levando a sério demais. Parece o mais deslocado de todos os cinco filmes e também tira o foco do personagem John McClane, um erro mortal uma vez que se a franquia sobreviveu até hoje e ainda rende algo é devido ao personagem e ao apelo junto ao público. A relação dos dois só começa a render algo depois de uma hora de filme, quando depois de despencarem de um prédio e escaparem de uma chuva de tiros de um helicóptero de guerra, o filho escapa apenas com um parafuso enfiado no corpo. A tentativa de dar um pouco mais de drama bem vindo a relação do pai relapso John já se diluiu no entanto em prol da ação descabelante. 

E por falar em ação, no quesito destruição e perseguições, aliás, o filme se garante, com metade Moscou destruída por um atentado que explode três carros e uma fuga alucinada de uma van e caminhões desgovernados acabando com todo o trânsito da cidade - e isso logo na primeira meia hora do filme. Na empreitada, John escapa de um disparo de bazuca e faz propaganda de um jipão da Mercedes, que salta de ponte e trafega por cima de carros e caminhões. Por fim, pendura um caminhão na traseira de um helicóptero para salvar o filho e escapa da explosão da aeronave com efeitos especiais baratos saltando - de novo - de um prédio. Não é nada mais do que as improbabilidades físicas de John McClane em Duro de Matar. Mas é tarde, o estrago já estava feito quando o filme começou uma hora e meia antes.

Cotação: 2/5

Para quem quer ação descerebrada, é um prato cheio. Para quem esperava mais da franquia, os sinais de cansaço já são evidentes como as rugas e a falta de disposição de Bruce Willis. Está na hora de parar.
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