segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Billy Elliot - 2000



Por Jason

Billy era apenas um garoto de 11 anos, diferente dos demais. Um dia, é levado a treinar boxe induzido por seu pai, mas não leva o menor jeito. A vontade de dançar fala mais alto quando descobre as aulas de balé ocorrendo ao lado das aulas de boxe e ele começa a fraquentá-las escondido. Para completar, não possui um diálogo com seu irmão, precisa cuidar da avó e o pai está sem dinheiro devido a uma greve. Incentivado pela professora de balé, que vê em Billy um talento nato, ele resolve então se dedicar de corpo e alma a dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai na sua nova atividade.

Acima de tudo, o filme mostra ao espectador uma criança que já tinha uma vocação nata para uma determinada atividade - e como se faz necessária a presença da família no incentivo e no entendimento dessa vocação. Elliot, óbvio, por estar em uma atividade feminina, no meio de um buraco atrasado da Inglaterra da década de 80, sofre com o preconceito de uma sociedade machista, com os homens da cidade que vivem se engalfinhando em confusões como se quisessem assim provar sua masculinidade - e essa dualidade entre a brutalidade dos homens e a sensibilidade das crianças é mostrado sutilmente quando uma confusão numa greve ocorre paralelamente a uma aula de dança. 

A descoberta pelo pai de Elliot na aula de balé resume todo o pensamento da sociedade: meninos jogam futebol e lutam boxe, mas não dançam balé. Billy perdeu sua mãe e está numa fase em que não compreende o meio em que vive. O amigo se veste de menina, copiando o comportamento do pai quando a esposa sai de casa, o que só confunde mais as coisas na cabeça do menino. Há um contraponto evidente entre os sentimentos dos homens da família e Billy, mas o menino é tão forte e tão corajoso quanto eles, o que faz aqui toda a diferença na trama. Não se trata então de um filme musical, mas do drama de aceitar como se é e de olhar para uma situação com outros olhos - e o pai e o irmão, depois de muito resistirem, conseguem se aceitar como pessoas incapazes de compreendê-lo, mas capazes de reconhecer o talento em Billy e a incentivá-lo a ter um futuro melhor longe daquele fim de mundo.

O filme foi nomeado a quase 60 prêmios, incluindo 3 Oscar (Atriz coadjuvante, roteiro e direção). O elenco é bem calibrado. Jamie Bell atua com sensibilidade e espontaneidade. Atire a primeira pedra quem não se emocionar com a cena da carta deixada pela mãe para Billy. Ao ouvir da professora que ela deveria ser uma mulher muito especial, Billy, ingênuo, responde que ela era apenas a sua mãe. É a ingenuidade do garoto que o leva a tão disputada escola profissional de balé. Gary Lewis, que interpreta o pai, é o homem que não compreende os filhos e é incapaz de dialogar com eles. Perde a paciência e ameaça bater em Billy ao descobrir a dança, esmurra o filho mais velho ao saber que ele vai lutar pelos seus direitos. No entanto, seus esforços em ajudar o menino resultam em uma das cenas mais fortes do filme, quando decide ceder a greve e com o filho mais velho cai no choro. 

Mas é Julie Walters, como a professora de Billy, que se destaca. Sua função, além de professora acaba sendo a de cobrir a ausência materna de Billy e Julie, atriz calejada, é capaz de passar de áspera e exigente a sensível e compreensível.  Nada disso seria possível sem a capacidade de Stephen Daldry na direção, em seu primeiro longa metragem. A prova de sua sensibilidade viria mais tarde: Daldry, ótimo em extrair o melhor de seu elenco, seria um dos responsáveis por presentear Nicole Kidman com um Oscar por As horas e pela excelente performance de Kate Winslet em O leitor

Imperdível.

Cotação: 5/5

É uma pequena e simples obra prima.


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