segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dália Negra - 2006



Por Jason

Faz tempo que estou amarrado para ver esse filme e na dúvida se valia a pena ou não, porque me interessei pelo caso real mas não pela produção. Agora tenho certeza que não precisaria ter visto. 

Sobe

Swank, completamente desperdiçada
O elenco é bastante conhecido, a direção de De Palma ainda rende coisa boa, trazendo sequências com planos ininterruptos e de pontos de vista dos personagens (como no momento em que o policial interpretado por Josh Harnett chega para jantar na casa de Maddie com a família dela). Esteticamente, o filme é bonito, bem acabado, com ótima recriação de época (ganhou indicação ao Oscar de Melhor Fotografia merecidamente). 

O caso é interessante: a jovem Elizabeth Short foi encontrada morta num terreno baldio de Los Angeles, no ano de 1947. O corpo dela estava cortado ao meio, os órgãos foram retirados e o sangue drenado. Para completar a cena, havia um rasgo de uma orelha a outra na forma de um sorriso sinistro. A autopsia revelou que ela havia sido morta pelo menos vinte e quatro horas antes de encontrado o corpo e o assassino teve o cuidado de colocar o cadáver de uma forma que lembrava uma posição artística (braços para o alto, cabeça para o lado, como se ela estivesse posando para um quadro). O trabalho, como eles sabiam, só poderia ser feito por alguém que entendia de medicina. 

Scarlett, servindo de apoio para cigarro
O filme é uma adaptação do romance do escritor James Ellroy (de LA Cidade Proibida) lançado em 1987 e mistura ficção com realidade, na Los Angeles cheia de corrupção, sexo, ambições, crimes, orgulho e poder. Short era uma jovem considerada promíscua, ambiciosa e interessada em fazer sucesso como atriz em Hollywood, depois de uma vida errônea, um caso com um militar com o qual deveria se casar (e que morreu em um acidente na Índia sem concretizar o sonho dela) mas supostamente acabou se envolvendo com quem não devia e pagou com a própria vida. O caso, apesar de ter um suspeito mais provável como responsável pela sua morte, está sem solução definitiva até hoje.

Desce

O filme se arrasta por duas horas de duração. Josh Harnett nunca prestou e não convence - e Aaron Eckhart não tem outra cara para mostrar a não ser aquele queixo em 3 dimensões. Scarlett Johanson não tem suporte dramático para segurar a produção e se resume a ser apoio de cigarro, com a mão levantada quase que o tempo todo segurando uma cigarreira. O filme ainda tem Rose McGowan, em participação, e Mia Kirshner, egressa da Tv, cuja carreira não decolou. Hilary Swank, talentosa e sempre ótima, chega de paraquedas na trama com um personagem interessante mas que não se desembola, sabotada pelo roteiro cheio de personagens e tramas que tiram o foco do caso principal. 

A verdadeira Elizabeth Short
Sim, Dália Negra não é sobre a jovem encontrada morta com o corpo partido no meio e um sorriso de uma orelha a outra que parece ter sido feito pelo Coringa. É sobre tanta gente nessa farofada que torna tudo desinteressante. A trama e os dramas pessoais dos personagens de Aaron e Josh são fracas e não envolvem o espectador - seria muito mais interessante um filme sobre a vida da jovem do que as consequências do seu assassinato para os dois policiais. Tanto que quando Aaron some não há com o que se importar. Para completar, vem as reviravoltas, com direito a suicídio e revelações de gente que nem entrou no filme, nem tinha saído e não fazia falta, mas era importante para o caso. Faltou polimento e tratamento melhor na adaptação do roteiro - e mais agilidade, porque a produção é um tédio.

Ironicamente, a jovem Elizabeth Short queria ser famosa em vida, mas só alcançaria o almejado sucesso depois de sua morte. 

Para saber mais: a Dalia Negra

Cotação: 1/5


3 comentários:

  1. O livro do James Ellroy é fantástico, o melhor romance policial que eu já li! Não dá pra acreditar que o Brian De Palma tenha conseguido errar tão feio nessa adaptação. Começando pela escolha totalmente equivocada do elenco, só a Mia Kirscher parece apropriada. A Hilary é ótima, mas teria q ser parecida com a Dália Negra pra que parte da trama fizesse sentido, mas parece que ninguém deu a mínima p isso, né? Ignoraram as melhores passagens do livro e inventaram outras completamente dispensáveis. E aquele final ridículo!! PQP, onde o Brian De Palma estava com a cabeça? Se eu fosse o Ellroy enchia esse cara de porrada!

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    1. Exato, Henrique! Adoro a Swank, mas ela não tem nenhuma vocação pra femme fatale. Se falar no Josh, que parece uma tábua. E olha que dos protagonistas do Ellroy o Blietchert é o mais sem graça.

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  2. Tia, Vi o filme e sou fã do livro do Ellroy! e posso lhe dizer: o livro não faz a mínima justiça ao filme. No filme tem muito mais coisas sobre a Elizabeth, sobre a investigação, a trama é muito mais bem construída. E o livro está a venda em pocket na saraiva, cerca de 20 reais. Vale a pena a compra =D

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