sábado, 10 de agosto de 2013

Eu, Cristiane F, 13 anos, drogada e prostituída - 1981




Por Jason

Baseado no sucesso do livro homônimo lançado em 1978, este filme de 1981, sucesso de crítica, relata o mergulho de uma jovem alemã adolescente no mundo das drogas pesadas. O primeiro contato de Cristiane com as drogas mais pesadas se deu em uma famosa discoteca, a Sound, em Berlin, onde a menina conhece também seus amigos viciados (a discoteca ficaria mais famosa depois do lançamento do livro e viraria ponto de tráfico e de prostituição homossexual mais tarde). 

Aos poucos, ela começa a perceber que é a única que não se pica e não usa heroína. No começo também, ela é relutante ao uso da droga, aparentemente satisfeita com os medicamentos e LSD que usa (quando seu amigo doa sangue a procura de dinheiro para a droga, ela recomenda Valium para ele). Mais tarde, depois de dar dinheiro para sustentar o vício dos amigos, ela decide por experimentar a heroína dentro de um carro com eles, mas acaba recuando e optando por cheirar a droga. Se a situação até aqui já era problemática na vida da menina, a partir daí a coisa desce ladeira abaixo rapidamente. 

O grupo de conhecidos de Cristiane passa o tempo todo se drogando. Vivem amontoados em uma espelunca suja e fétida, compartilhando seringa - e a câmera da direção embarca em todo o processo dos usuários de drogas, da injeção, ao estado de êxtase, passando pela deterioração corporal e pela agonia do vício e a necessidade de conseguir mais para parar as tremedeiras do corpo. Nesse lugar, Cristiane descobre que o namorado se prostitui com homens, que vai resultar em uma cena de impacto envolvendo o rapaz. É dessa crueza que o filme tira o seu drama, do choque que o espectador tem de ver toda a destruição que a droga causa na vida de um jovem. 

O foco do filme acaba sendo a relação perturbada da menina também com este namorado, já que ela se espelha nele e é ele que acaba arrastando-a para o inferno (após uma sessão de masturbação no seu primeiro cliente, ela alega que cometeu o ato para ajudar o namorado). A atriz principal, Natja Brunckhorst, é um achado e uma pena que sua carreira não tenha decolado como esperado. Ela passa toda a piração, agonia e desespero de uma jovem viciada que caminha para a morte mais rápido do que se espera e que não enxerga nenhuma luz no fim do túnel para a sua condição degradante. A produção é feliz ao reproduzir a agonia dos viciados, desesperados pela falta da droga, com a menina vomitando tudo e consumindo tudo o que pode e louca para arranjar o que possa vender além de seu corpo para manter o vício.

Aos 13 anos, Cristiane já era viciada em medicamentos, LSD, heroína e se prostituía para sustentar o seu vício. Cristiane é o retrato de uma juventude vazia que infelizmente se mantém atualíssimo. O espelho de uma juventude sem sonhos, sem anseios, sem moral, nascida num berço familiar perturbado, sem estrutura emocional, orientação, acompanhamento, absolutamente nenhuma base. Na época do lançamento, o filme fez com que o drama de Cristiane ecoasse pelo mundo inteiro e ela chegasse a ser tratada e internada na tentativa de se livrar do vício, o que não ocorreu. 

Mas é fato que o filme também diminui o impacto do livro, porque na infância, para quem conhece a obra, Cristiane sofria com o pai violento, abusado, negligente e completamente relapso diante do estado da menina, pois não queria assumir a responsabilidade por uma família - e o que só alimentava o desejo inconsciente auto destrutivo dela, vivendo em um ambiente familiar deteriorado. Isso é retirado do roteiro. A mãe arranjou outra filha e um padrasto, mas era fraca e sem personalidade, impossibilitada de criar um modelo no qual a menina pudesse se inspirar (o filme praticamente a subtrai da trama). A família se mudou por vezes sem fixar residência e criar vínculos, morando em lugares em que Cristiane simplesmente não podia ser criança. Falta ao roteiro, assim, essa complexa construção para a personagem, no delineamento de sua personalidade, para que o espectador entenda os motivos e o caminho que ela percorreu até ali. 

Cristiane sobreviveu, tentou se recuperar e vencer a luta da dependência química, mas seus problemas com as drogas continuaram. As drogas, contudo - depois de levar os amigos dela e destruir sua juventude -, já ganharam essa batalha por antecipação. 

Cotação: 3/5


2 comentários:

  1. Bruno:o filme e muito bom... forte demais,realmente relata o drama das sociedade de hoje, ainda nao li o livro,mas quero muito ler..

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  2. Livro extremamente ótimo , este é meu preferido . Já o filme não achei aquela coisa fodastica porque ela ja começa no Sound e papapa e a pessoa não entende direito como aquilo começou e talz... tem que ler o livro pra entender melhor , porque se fosse pelo filme eu não tinha entendido bolhotas !

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