terça-feira, 27 de agosto de 2013

Gilbert Grape - 1993



Por Jason

A vida de Gilbert Grape não é fácil. Gilbert trabalha num pequeno mercado em Endora, um buraco no meio do nada onde nada acontece. Para completar sua vida desastrosa e sem expectativa de algum futuro melhor, o jovem tem uma família disfuncional que mora em uma casa velha. Sua mãe é depressiva e sofre de obesidade mórbida. Não sai de casa. O pai se enforcou e o irmão sofre de problemas mentais. Gilbert mantém um caso com uma dona de casa casada enquanto sustenta a família. Uma das irmãs é desastrada, a outra acabou de completar quinze anos e está naquela fase complicada de querer se destacar, sentindo vergonha da sua família e do que os outros pensam dela. A família não se entende e a responsabilidade da casa recai sobre ele desde que o pai se matou.

Uma visitante chega na cidade e acaba se envolvendo com Gilbert, mas ela está de passagem. Gilbert começa a perceber que nunca teve uma vida. Passou sua adolescência carregando a família nas costas porque o destino o colocou nessa situação. É também uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento. Impaciente com todo o esforço para fazer o aniversário de dezoito anos do irmão, Gilbert acaba descarregando seu martírio nele. Vem da mãe dele, contudo, a clareza sobre a situação dela e da condição da família, em uma cena chave do filme. Mais tarde, quando a coisa ganha um contorno mais trágico, é de Gilbert de novo a decisão mais difícil, mas a mais acertada diante de toda a situação.

Gilbert Grape é um bom drama muito mais porque tem personagens interessantes do que pela capacidade de direção de imprimir alguma nota autoral ou de apresentar algo inovador dentro do gênero. Todo mundo no filme parece buscar algum sentido em suas vidas ou parece sabotado pelo que o destino reservou: da mulher infiel e carente; o próprio marido traído, cujo ataque diante da família o leva a morte acidental - ou não; passando pelo dono do mercado que vê o movimento cair por causa de outro maior e mais sofisticado, e a própria família de Gilbert. Ao menos dois desses personagens tão complicados são mais consistentes do que os demais. 

O primeiro é a mãe de Gilbert, que sofre de obesidade mórbida e se trancou para o mundo porque virou motivo de piada. Ela, no entanto, é capaz de entender sua situação, mas antes de qualquer coisa, é mãe super protetora. Quando seu filho deficiente é preso, é ela quem arregaça as mangas e vai a delegacia para resgatá-lo de lá, despertando a atenção da população como se ela fosse uma atração de circo. Em seu último ato, como um desafio final, decide por subir as escadas da casa para sair daquele lugar por onde permaneceu por toda a vida, ciente do que isso pode acarretar. O outro, claro, é Arnie, o personagem de Leonardo DiCaprio, que por ingenuidade, parece justamente imune ao que a vida lhe causou: não é capaz de discernir entre o certo e errado e sua vida se resume a uma grande brincadeira mesmo quando é preso pela polícia. Pelo papel, DiCaprio ganhou sua primeira indicação ao Oscar merecidamente. 

Mas o filme não escapa de uma análise mais sutil. Gilbert Grape parece um dramalhão nos moldes de uma novela mexicana regada a trilha sonora óbvia (só faltou uma música tema melodramática tocando o filme todo para completar o pacote). Juliette Lewis, que é boa atriz, como interesse amoroso, é engessada num papel sem muita complexidade. Os outros personagens da família de Gilbert - suas irmãs - não se desenvolvem. Com relação a Depp, embora bom ator, aqui ele se resume a fazer cara de jovem galã e um tique nervoso de passar o cabelo grande para detrás das orelhas, além de dar aquela escorregada básica na parede na hora do drama. Depois de vê-lo se repetindo em papeis bizarros, carregado de maquiagem, poder revê-lo interpretando um personagem comum em um filme é até um alívio. 

Cotação: 3/5


Um comentário:

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