sábado, 12 de março de 2016

Indiana Jones e o Templo da Perdição - 1984





Por Jason


Indiana Jones e o Templo da perdição começa como um musical, em que a atriz Kate Capshaw canta, dança e sapateia num cabaré da Xangai de 1935 (que não a toa tem o nome de Obi Wan, personagem de Star Wars, cortesia de George Lucas, aqui o autor da trama). Harrison Ford encarna a vontade de Steven Spielberg de dirigir um filme de James Bond e, como o agente britânico, chega para negociar um diamante com um mafioso chinês. Começa então uma confusão que vai resultar numa fuga desesperada pela cidade, com a ajuda de um garoto asiático que pilota um carro melhor do que muito motorista profissional.


Na fuga, Jones, a mulher e o menino acabam saltando de um avião usando um bote salva vidas (nada mais Indiana Jones) e vão parar em uma aldeia indiana que sofre de fome e sede. Os sábios da aldeia atribuem o sofrimento a uma pedra que foi roubada, uma das pedras de Sankara capaz de atribuir fortuna e glória para quem as possui, assim como todas as crianças que foram raptadas. Decididos a ajudar a vila, o grupo vai parar no palácio de Pankot, o líder indiano. Depois de uma tentativa de matar Jones, o trio termina em um templo subterrâneo onde é realizado um ritual macabro com sacrifício humano, a tal cerimônia Tugue, que se julgava estar exterminada pelos ingleses e onde crianças fazem o trabalho para manter a riqueza do marajá. Jones, depois de conhecer o sono negro de Kali, em que ao beber uma porção entra em estado de transe, começa a servir ao vilão Mola Ram, até ser ajudado pelo garoto a escapar de lá levando a pedra que trará felicidade à aldeia.

Como uma sessão da tarde, o filme funciona bem como todos os outros da série, atribuindo certa originalidade e ganhando um tom mais sombrio - em uma cena de ritual, o coração de um homem é arrancado e seu corpo queimado, em outras vemos cenas de tortura e trabalho escravo infantil e um dos vilões morre esmagado num triturador de pedras. Há as gags cômicas, marca registrada da série - e nem sempre elas funcionam, é verdade. Toda a parte técnica do filme é bastante primorosa para a época, com o que havia de melhor na década de 80 (o filme custou cerca de 28 milhões de dólares, custo de produção cara para a época, arrecadando mais de dez vezes o orçamento). Templo da Perdição venceu o Oscar de Efeitos Visuais, embora estes, claro, tenham envelhecido: é possível ver bonecos, miniaturas, recortes, fundo azul e todas as artimanhas dos técnicos de efeitos com mais clareza, como em filmes típico da época. 

Há cenas inesquecíveis: a do jantar de iguarias exóticas (quem não se lembra da sopa de olhos e do cérebro de macaco como sobremesa?), a do sacrifício humano queimando no fogo do inferno, a sequência da ponte com os crocodilos e da fuga eletrizante em carrinhos de minério. Esta aliás, inspirou uma série de paródias e jogos de vídeo games conhecidos nas décadas seguintes - de Donkey Kong a Tomb Raider. Mas é um fato também de que a necessidade de se infantilizar dos filmes dessa época e de atingir um público familiar mais amplo - associado a problemática de que George Lucas, autor da história, e Spielberg nunca deixaram a infância - vitimaram de certa forma o filme. 

O espectador precisa digerir o garoto chinês Goonie se quiser aproveitar a aventura e a personagem fora do compasso Willie, de Capshaw (que é quase um Jar Jar Binks de Star Wars A Ameaça fantasma). Capshaw, que seria a futura esposa do diretor, tem uma personagem antipática, cujo humor não funciona muito bem. Joga contra também o vilão, Mola Ram, de péssimo envolvimento com o espectador e desenvolvimento, estereotipado em uma figura exótica de cabeça raspada. Ele faz com que o espectador sinta falta dos nazistas dos outros filmes da franquia.

Um detalhe que muitas vezes passa despercebido é que a estrutura do filme também muda: aqui, as pedras de Sankara, o chamado McGuffin - o elemento que impulsiona a trama - não serve para ser caçado por Jones por seu próprio interesse ou a mando dos vilões do filme (como a arca da aliança e o cálice sagrado e os nazistas, no primeiro e terceiro filme, ou a caveira de cristal e os soviéticos no quarto). Ele é um elemento adicional para salvação de outros personagens - Jones o faz a pedido do líder do aldeia por pena do povo miserável. Nada disso, ainda bem, impediu o filme de ser um sucesso e de manter Indiana Jones como um dos maiores e mais populares heróis que o cinema já viu. 

Cotação: 2,5/5

Parece ser o mais fraco de toda a franquia, mas como aventura não há do que questionar: funciona que é uma beleza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...