sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Invocação do Mal - 2013



Por Jason

Ed Warren, um demonologista, e sua esposa Lorraine, supostamente médium e clarividente, foram considerados grandes especialistas sobre espíritos e demônios e tiveram seus nomes envolvidos na investigação da suposta casa mal assombrada de Amytiville, retratada no filme Horror em Amytiville. A curiosa vida do casal, que durante mais de cinquenta anos trabalharam para desmistificar os fenômenos paranormais e entendê-los, bem como ajudar pessoas que sofriam com eles, daria por si só um filme no mínimo interessante.


É com base nos estudos do casal e em um dos seus casos que se desenrola a trama de Invocação do mal. Nele, acompanhamos a família Perron, formada por um casal e cinco crianças, que se mudou para uma casa de campo solitária em Harrisville. Em uma pesquisa rápida, descobrimos que uma das crianças, Andrea, depois de trinta anos, resolveu lançar um livro - House of Darkness House Of Light The True Story - sobre os acontecimentos em que revelava que oito gerações de pessoas viveram e morreram na casa e muitos deles eram benignos. Segundo ela, não só a família como outras pessoas que tinham contato com a casa eram vítimas dos fenômenos paranormais e presenciavam objetos se movendo sozinho, sons, ruídos e eventos inexplicáveis. A causa seria uma entidade chamada Bathsheba, descrita como uma alma esquecida por Deus e que de acordo a uma lenda do local era uma bruxa que matou uma criança de sete dias em sacrifício - para depois se enforcar.

Hollywood, claro, não poderia ficar longe de uma oportunidade de fazer terror com isso. No filme, agora um sucesso de crítica e de bilheteria (custou cerca de 20 milhões, mas já faturou mais de cinco vezes o orçamento), depois de uma breve introdução sobre o casal Warren e um fato envolvendo uma boneca maligna, a Anabelle (conheça mais aqui) vemos a família chegar na casa e coisas estranhas começarem a acontecer. A matriarca Carolyn (Lili Taylor) é vitimada por hematomas e queimaduras que surgem do nada e ela supõe que a causa seja deficiência de ferro (como diz o casal Warren, "há uma explicação racional para tudo"). A cadelinha da família não entra na casa porque pressente algo e morre misteriosamente, um pássaro se lança contra a casa e morre no mesmo lugar. Os relógios param todos na mesma hora (3:07), sons de palmas são ouvidas mesmo quando as crianças estão dormindo. As crianças veem vultos e sentem a presença de outras crianças dentro da casa. No começo, tudo parece amistoso, como uma brincadeira das crianças de esconde esconde em que a pessoa, vendada, precisa encontrar a outra através das palmas. Mas rapidamente a vida da família se torna um inferno a ponto de levar Carolyn a procurar ajuda com o casal Warren.

O filme segue então a mesma esquematização de um Poltergeist, com a chegada do casal e de uma equipe que tentará flagrar as manifestações se usando de equipamentos como gravadores e câmeras fotográficas. O diferencial aqui é a tensão contínua que permeia a produção e o envolvimento com um demônio, ao invés do foco no drama familiar, já que há uma necessidade crescente de agradar ao público sequioso por sustos. O diretor James Wan, de Jogos Mortais, consegue criar algumas cenas realmente arrepiantes, se usando de efeitos sonoros e efeitos especiais práticos.

A trilha sonora não é tão incisiva, o que deixa a cargo da montagem a tarefa de provocar sustos no espectador na maior parte do tempo. Outra coisa importante é a fotografia, que muitas vezes dá ao filme uma cor pendendo para o sépia, ora monocromático e estranho, ora sujo e sem vida. O filme também é eficiente na recriação do cenário da casa, peça importante na trama, já que pessoas de diversas gerações foram mortas ou se mataram no lugar. Dito isso, há cenas eficientes, como a da menina sonâmbula que vive batendo a cabeça no armário, a sequência do porão, em que Carolyn é agredida e fica presa (um exercício excelente de edição e som), a do espírito detrás da porta, que causa pânico em uma das crianças; a cena em que a menina é arrastada pelos cabelos e roda pela sala aos gritos, na frente de todos, dentre outras.

O elenco está bem. Vera Farmiga é ótima atriz, mas de Patrick Wilson não dá para se esperar muito. Há os coadjuvantes, que estão lá para preencherem lacunas. Lili Taylor se esforça e é dela a maior participação no terceiro ato. E é este também o ponto mais problemático do filme, mais precisamente após a possessão de sua personagem em uma cena de breguice extrema. O roteiro joga um policial e um padre do nada, sendo que ambos não possuem importância para a trama na conta final. De repente, a filha do casal Warren, esquecida pelo filme, começa a ser atormentada, deslocando os acontecimentos do roteiro da família central e voltando ao começo, com a perturbada boneca Anabelle.

Como se não bastasse, o filme empurra para o espectador uma sessão de exorcismo de emergência na mãe de família, no porão da casa, já que ela incorpora a bruxa endiabrada que joga a pobre coitada para tudo quanto é lado - e provoca cenas de risos involuntários, como quando é virada de cabeça para baixo presa em uma cadeira. Lili Taylor, de mãe assustada por almas penadas, passa a ser a menina Regan da terceira idade, faz cara de diarreia, se contorce, tem direito a cena de vômito e faz acrobacia aérea. Para completar o parque de diversões, só faltava alguém chamar o Padre Merrin nessa zona - e na falta dele, é Ed quem manda o exu de volta para o inferno. Era desnecessário, o filme não precisava de uma resolução tão rápida e cafona quanto essa.

Preste atenção:

Completam o pacote os créditos finais, que são estilizados, trazem fotos dos personagens reais dessa trama macabra e adicionam uma boa sacada para o filme.

Cotação: 3,5/5

Vale pelos bons sustos e pela tensão que o filme segura do começo ao fim. Desconte o terceiro ato, a falta de desenvolvimento de personagens que chegam e saem para nada e seja feliz.

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