quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O despertar - 2011


Por Jason

Confesso que acabei me surpreendendo com este filme pois esperava bem menos dele. Na trama, que se passa na década de 20, a Inglaterra sofre com as perdas e o luto deixados pela I Guerra Mundial. A cética Florence Cathcart é uma especialista em desvendar fenômenos paranormais e abre o filme acabando com uma sessão de charlatões que induzem uma mulher a acreditar que está presenciando um fantasma de seu filho. Em seguida, Florence é chamada para visitar uma escola e explicar as visões do fantasma de uma criança. O caso, porém, colocará em dúvida tudo aquilo em que ela pensou acreditar até então. 

A cena em que é procurada e o problema apresentado é a chave central da trama. Um dos cuidadores da escola, Sr Mallory, apresenta a situação mostrando fotos que foram tiradas das turmas e nelas uma figura fantasmagórica de um menino aparece. A mulher, no entanto, cética, procura uma explicação para o fato. O problema é que um dos alunos sumiu e no dia anterior ele relatou ter visto o tal espirito do menino. Florence vai ao local para a investigação e arma seu aparato para identificar quem é a pessoa que está causando todo o transtorno, sem acreditar ainda que se trata de um espirito. Durante a noite, fatos estranhos começam a acontecer e ela descobre a participação de dois meninos - sendo que um deles, Florence não consegue identificar quem é.

À medida que o filme avança, descobrimos que ela está mais envolvida na história da escola do que ela pensa. Ela descobre que o espirito que atormenta os meninos é na verdade de alguém que já morou na casa e que Florence conhece muito bem e é louvável que a produção trate o tema com seriedade. Todo o filme tem uma reconstituição de época requintada e a parte técnica - fotografia, trilha sonora, cenários - é bem elaborada e deixam o filme consistente. Rebecca Hall, desperdiçada na porcaria Homem de Ferro 3, aqui se mostra segura em um personagem interessante e bem desenvolvido. Hall é capaz de compreender o seu personagem, embora falhe aqui e ali nas cenas de maior carga dramática, como uma mulher que desloca sua obsessão e ceticismo para o trabalho. Ela não compromete o saldo final. O filme ainda tem a excelente Imelda Staunton como a Sra Hill, que cuida das crianças e é fã do trabalho de Florence.

Os problemas do filme começam no terceiro ato, onde começa a confusão e quem já viu o filme provavelmente vai entender. O despertar, que lembrava até Os outros em sua ambientação, começa a se perder. Apesar de seu ritmo um tanto lento e mesmo não sendo um filme de sustos fáceis e nem um terror apelativo, o que agrada, ele entrega todo o segredo envolvendo o espirito perturbado de bandeja com direito a flashbacks didáticos (tudo poderia ser resumido numa linha de diálogo e incitado o espectador a pensar). Algumas explicações ficam soltas - como uma pessoa poderia esquecer tal tragédia em sua vida, é um verdadeiro mistério que nem Freud explica - e outras são chulas - o tal argumento de querer matar a mulher envenenada para ficar do lado de lá com o melhor amigo parece remendo descabido do roteiro, algo de quem não sabia o que fazer depois da revelação, quando o filme deveria acabar. Não ajuda em nada a presença de um personagem que cai de paraquedas na trama, que ameaça Florence e tenta estuprá-la. 

Sobre o final, muitos acreditam que a personagem poderia estar morta devido a uma cena de quase passagem para o além - Florence diz que precisa dormir, mas toma o antídoto para o veneno levado pelo espírito! Para mim, fumando, batendo papo com seu homem, falando com crianças e ainda por cima marcando encontro, planejando um novo livro, de duas uma: ou ela virou um espirito pop que adora ser visto e fazer o social com todo mundo ou ela ficou foi muito da viva. Diante das escorregadas do filme no terceiro ato, é melhor ficar mesmo com a segunda opção.

Preste atenção: 

Na casa de bonecas.

Cotação: 2,5/5

Não é memorável, mas vale pela competência dos envolvidos e da técnica da produção, que parece mais cara do que realmente é. O pecado é o último ato.


Um comentário:

  1. Teve esse lance do cara que tenta estuprar a Florence, indo do nada a lugar nenhum, e também aquele professor, que parece guardar algum segredo do passado, ou algo parecido, mas que é jogado de escanteio depois de sabermos que ele estava envolvido, de certa forma, na morte do garoto. Também acho que o filme deveria ter acabado na cena da revelação. Teria encerrado muito bem. Com o final um tanto forçado e confuso, fica difícil saber ao certo se ela viveu ou morreu. Para mim, acho mais provável que ela esteja morta e ainda não tenha se dado conta, pois ela passa ao lado do diretor da escola enquanto ele falava dela para outros senhores na cena e nem é percebida.
    Enfim, terror acima da média, com uma escorregada no final.

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