sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Preço do Amanhã (In Time - 2011)



Por Ravenna Hannibal

Apareci de nooovo, e hoje vou falar do preço do amanhã!
Eu acho que o amanhã custa bem caro se você fica pensando muito nele, sou da filosofia que tem que viver o presente.
Mas não vou falar de auto ajuda aqui, não, né gentem? Só que os personagens pobres do filme “O Preço do Amanhã” LITERALMENTE tem que viver o presente senão o futuro deles vai pro saco.
A premissa do filme é muito interessante. No futuro, devido a avanços da engenharia genética, ninguém envelhece depois dos 25 anos. Em compensação depois dos 25 anos você tem que negociar o seu tempo. Os ricos vivem muuuitos anos por que lá o tempo é dinheiro -literalmente - e os pobres vão vivendo dia após dia, correndo o risco de morrer a qualquer momento por que a inflação de tempo na favela é absurda.
COOORRE SENÃO VOCÊ MORRE!
Infelizmente, o filme que tinha argumento pra ser uma espécie de Minority Report dos anos 2010, acaba deixando passar todas as possibilidades ideológicas e filosóficas que esse sistema de economia implicaria.
Levando em consideração que eu sou a chata da Ravenna Hannibal, tem umas coisas no roteiro que tem que ver, viu? 
Por exemplo, eles não explicam como exatamente funciona todo esse sistema de distribuição e produção do tempo. Os roteiristas e a direção são espertos em nos desviar sempre dessa questão, mas isso sempre acaba voltando à cabeça dos espectadores mais atentos. Por que? 
Bem, se você estiver assistindo o filme apenas para ver as cenas de ação e se divertir, ok. Isso não compromete seu entretenimento. Mas se você é daqueles chatos de galocha que nem eu que vêem o potencial do filme desperdiçado por falhas de roteiro, vai ficar incomodado com isso, pois parece um ato preguiçoso não aprofundarem esse ponto. A lógica superficial funciona dentro da ação, mas não funciona dentro dos questionamentos que o filme levanta.
E sim, o filme tenta fazer algum tipo de crítica que não se encaixa muito bem por que eles sempre dão preferência à ação. Os diálogos são bem espertinhos, fazendo uso de trocadilhos interessantes com a questão tempo/dinheiro/vida, mas não passam disso, não aprofundam as questões que o enredo parece querer explorar, mas se contém com medo de espantar o grande público. Mas se Minority Report conseguiu, por que O Preço do Amanhã não conseguiria?
Simples. Por que o diretor Andrew Niccol fez coisas interessantíssimas nesse sentido em filmes como O Senhor das Armas e Gattaca, mas aqui parece com preguiça (ou medo) de botar os miolos do público pra funcionar direito (eu não vou nem comentar ele ter dirigido A Hospedeira da Steflopie Meyer ¬¬).
Em termos de ritmo, ele é quase impecável, é ágil e tem cenas de ação bem dirigidas – apesar de pouco ousadas ou originais. Uma pena que, mesmo encaixados na hora certa, os diálogos não passem de discursos que parecem cultos, mas são vazios de sentido e muitas vezes caem em clichê. 
Avó, Mãe e Filha - Só as novinha!
Há uma cena em particular, que pra mim é uma das melhores do filme, de uma corrida do personagem do Justin Timberlake e da personagem da Olivia Wilde. Nessa cena percebemos que o Andrew também consegue ser sensível, mesmo adotando um estilo de ação um pouco mais “anos 80/90” por assim dizer. Em poucas cenas e com poucos enquadramentos, movimentos de câmera e direção de atores, ele consegue estabelecer alguma empatia entre público e personagens. Em contrapartida, ele acaba colocando os antagonistas (que não são exatamente vilões) encaixados dentro de estereótipos e pouco humanizados.
Sua direção é hábil também em camuflar um pouco a canastrice de alguns atores, uma vez que o filme é composto em sua totalidade por atores relativamente jovens. 
Olha, gente, Hanni aqui acha que o Justin Timberlake não é aquela coca-cola toda cantando, mas é melhor ele cantando do que atuando.
O caso em O Preço do Amanhã é que ele não compromete o filme pelos limites que o filme estabeleceu para sua faceta dramática. O Alex Pettyfer é um saco de batatas de tão expressivo. O papel dele exigiria alguém mais velho, só que por força de roteiro isso não era possível, só que gente, existem atores bons jovens também, tipo... tipo... Enfim, acho que podiam ter colocado o Cillian Murphy, que tem talento, pra fazer esse personagem, já que o desperdiçaram naquele pobre policial de superfície, que seria um personagem muito interessante se tivesse sido bem explorado.
A Amanda Seyfried tem talento, mas não rola química entre ela e o Justin (aliás rola química dele com alguém gente??), e ela parece forçada aqui. Talvez seja a peruca.

Cotação: 2,5/5


Uma premissa muito interessante, execução boa, mas superficial e sem recheio. No popular: bonitinho, mas ordinário. Triste. Dava pra ser muito mais.

TRAILER


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