domingo, 4 de agosto de 2013

O segredo do abismo - 1989


Por Jason

O Segredo do Abismo é o filme de James Cameron que eu não consigo curtir, mesmo sendo fã de ficção e do diretor, para mim, a cada visita ao filme, fica claro que o diretor errou a mão. Mesmo com a adição das cenas extras ao filme - que incluem um tsunami digital paralisado pela força alien antes de acabar com meio mundo - a produção não consegue atingir um clímax e patina o tempo todo beirando o tédio.

O filme começa com um acidente envolvendo um submarino nuclear, que leva a Marinha a se juntar a uma equipe de exploração submarina de petróleo nas buscas. Paralelamente a isso, um furacão se aproxima na superfície e à medida que os exploradores investigam o submarino, coisas estranhas começam a acontecer. Após um acidente, a equipe fica presa na plataforma submarina avariada depois que um guindaste despencou da superfície sobre ela.

O segredo do abismo é um filme tecnicamente deslumbrante e disso não dá para discordar. Os efeitos especiais, complexos para a época, resultaram no Oscar de Efeitos Visuais. Cameron usou técnicas conhecidas para realizar os efeitos do filme, do uso de miniaturas, a construção de tanques gigantes, passando por técnicas em Stop Motion e outras criadas por computação gráfica. O composto é sólido e realista e, ainda hoje, traz momentos de espanto ao passo que em outros envelheceram terrivelmente. Completam o deslumbre visual a fotografia em tom as vezes azulado (que Cameron usaria novamente em filmes como Terminator 2 e True Lies) e a direção de arte, excelente. 

Sobre ela, aliás, é impossível deixar de falar sobre os interiores, da plataforma, de característica predominantemente industrial, ao submarino naufragado, que parece ter sido chacoalhado até ficar aos pedaços e por onde os mergulhadores transitam entre os cadáveres e os detritos. Não é difícil de imaginar as dificuldades de filmagens do diretor debaixo d'água, tendo que lidar com problemas de iluminação, cenários, efeitos e uma série de fatores. 

Há sequências que ainda impressionam, como os instantes de tensão em que um guindaste despenca da superfície e arrasta a plataforma consigo pelo fundo do mar - como demonstrado em sua carreira, Cameron sabe filmar cenas envolvendo maquinário pesado - ou o surgimento das criaturas amistosas - o braço de água virou uma cena icônica do cinema - sempre coloridas, com visuais estranhos mas ainda assim familiares. Para toda essa pompa visual, Cameron estourou o orçamento de cinquenta milhões de dólares, até aquele ano de 89 o filme mais caro de toda a história, e que metralhado pelas críticas e esnobado pelo público, não se pagou. Porque O segredo do abismo é de fato um filme problemático.

Apesar da temática interessante e inventiva a respeito dos OSNIs - Objetos Subaquáticos Não Identificados - e de uma mensagem pacifista, o romance entre o casal protagonista não convence e não se desenrola. Mary Elizabeth Mastrantonio, cuja carreira não decolou, não consegue passar emoção nem todas as camadas da personagem - é uma caricatura de uma mulher decidida, esforçada e pobre de personalidade. Não a toa é a personagem menos rica do panteão de heroínas já criadas por Cameron. Da mesma forma, Ed Harris não consegue se sobressair aos diálogos porcos do roteiro que incluem discussões a respeito de separação do casal. Há um excesso de personagens, gente que entrou em cena só para morrer porque não tem utilidade. 

Outro problema sério é a composição do vilão, um esteriótipo na pele do canastrão Michael Biehn, com um bigode que lembra os atores pornôs da década de 70 e 80 e que não acrescenta nada, tampouco uma ameaça a tripulação, com seus parceiros que pouco ou quase nada parecem entender o que está acontecendo e qual o verdadeiro plano que eles possuem. Por fim, o filme demora a engrenar mas é a sequência em que Lin, a personagem de Mary, vai dar um passeio no além e volta minutos depois que começa a complicar a situação do filme. Sem dar explicações, o vilão é esmagado pela pressão das profundezas marinhas, mas o herói Bud de Harris, vestindo um simples traje, consegue chegar ao fundo do abismo inteiro depois de umas pequenas sessões de desorientação para bater um papo com os ETs porque Cameron não consegue simplesmente sugerir - tem que expor sua mensagem pacifista mastigada para todo mundo entender com direito a ET assistindo os nossos noticiários. É um verdadeiro tiro no pé.

Cotação: 1,5/5

Para mim só vale rever pelo esmero visual e pela premissa interessante.


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