quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Scarface - 1983



Por Jason

Scarface, de De Palma, é uma refilmagem do filme Scarface - A Vergonha de uma Nação, do diretor Howard Hawks, de 1932. O roteirista Oliver Stone não apenas colocou o enredo nos anos 80, como também transferiu o ambiente da história de Chicago para Miami. Al Pacino é Tony Montana, um imigrante cubano que ao ser despachado para os EUA, começa como lavador de pratos em uma lanchonete antes de voltar ao crime.

No começo, o trabalho de Tony é pequeno - ele recebe uma quantia em dinheiro para negociar drogas com colombianos e quase acaba picotado por uma serra elétrica como seu companheiro. Tony se apaixona pela mulher do chefe, Elvira - a estonteante Michelle Pfeiffer - ao passo que ambiciona mais dinheiro, mais poder, mais luxo, e um modo de vida que nunca teve. Tony quer chegar ao topo da industria do tráfico. Em paralelo a isso é desprezado pela mãe, uma costureira humilde, que não quer o dinheiro sujo dele. A irmã, cabeleireira, sonha em fazer uma faculdade de esteticista. Ele trai o chefão Frank, se aliando a outro, o barão da cocaína Alejandro Sosa, mas após matar Frank, sua vida começa a ruir.

Quando o dinheiro começa a entrar na conta de Tony, a Receita Federal começa a cair em cima por causa das fortunas não declaradas e sem impostos retidos. Paralelo a isso, Tony se torna consumidor compulsivo de cocaína. A relação com Elvira é péssima, fadada ao fracasso desde o começo. O traficante é pego por uma operação da polícia. De Palma e Stone, com cinismo, criticam a forma como a nação americana se sustenta - com base na podridão e escória humana jogada na sociedade. Condenam o estilo de vida dos endinheirados (a certo momento, o próprio Tony discute em uma mesa de restaurante o estilo de vida vazio que leva, ao que Elvira responde que a vida deles é um desastre) e investigam um câncer na sociedade norte-americana - o narcotráfico e a violência que dele enraíza.

O engomado parceiro, desde o começo fiel a Tony, é morto por ele porque se envolve com a irmã, que a esta altura já está contaminada pelo estilo de vida de luxo e poder dos ricos traficantes. Tudo caminha para o final trágico, que envolve uma invasão de um exército de assassinos à mansão de Tony para executá-lo - e o filme ganha ares de filme B com direito a escadaria (De Palma adora uma em seus filmes); um exterminador de óculos escuros (à noite) e escopeta nas mãos matando o chefão do crime. 

Todos os personagens são interessantes, se destacando Tony e Elvira (Michele é engessada porque o roteiro não dá brecha para ela). A direção de De Palma é excelente, cenários, figurinos, fotografia, são coisas que funcionam muito bem - o filme é visualmente bonito e colorido. É também violento - tiros, sangue, mortes, é quase tudo cru. Mas em termos de atuação é Mary Elizabeth Mastrontonio -, como a irmã de Tony e com uma cabeleira trash, virando uma peneira ao final do filme depois de ser metralhada -, e o comparsa de Tony, Steven Bauer, que formam a parte fraca do time. A trilha sonora é datada e o filme é longo - são quase três horas de duração - pincelados por alguns efeitos especiais risíveis da época.

O título de clássico, porém, é merecido.

Cotação: 3,5/5

É De Palma no auge.


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