sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Star Wars - Episódio IV - Uma nova esperança



Por Jason

Indicado a 10 Oscar, vencedor de sete (direção de arte, figurino, efeitos especiais, edição, trilha sonora, som e um especial, pelo trabalho nos efeitos sonoros do filme), Star Wars é talvez o primeiro filme pensado não apenas como uma aventura cinematográfica adolescente, mas também como uma marca capaz de criar um universo que se expande desde 1977 em incontáveis tipos de produtos e fatura bilhões de dólares desde então. 

O curioso disso tudo é que nem a Fox, o estúdio que decidiu bancar a empreitada, e nem o próprio criador da saga, George Lucas, esperavam por um sucesso tão monstruoso quanto o do filme - o que fez Lucas faturar alto, já que ele deteve nas negociações muito do que seria gerado posteriormente de lucro pelo filme e por quinquilharias dele derivadas. Star Wars bateu recordes de bilheteria, arrecadou quase 800 milhões de dólares e acabou se transformando, gostem ou não, aceitem ou não, num divisor de águas no cinema. 

Os motivos pelos quais o filme virou um sucesso sem precedentes na história do cinema são os mais diversos. Antes dele, o público adolescente e jovem em geral não se reconhecia mais no cinema de fantasia e de ficção.  A temporada de verão americano era morta em termos de lançamentos de sucesso até que Spielberg resolveu lançar seu Tubarão dois anos antes (e Lucas repetiria a dose) percebendo que nesse período havia um público em potencial e pouca competição. Os atores de grandes bilheterias e de filmes de grandes orçamentos eram nomes consagrados, de grande prestígio e talento (repare que Tubarão, por exemplo, ou Contatos Imediatos de Terceiro Grau, sucesso de Spielberg do mesmo ano, não trazem jovens atores conhecidos e famosos na linha de frente - além de tramas mais dramáticas e complexas, onde não existem profusão de efeitos especiais em detrimento de uma boa história e de personagens bem desenvolvidos). O filme de Lucas deu cara a gente desconhecida e jovem como Harrison Ford, Mark Hamill e Carrie Fisher em um filme pipoca de aventura e ficção. Trouxe inovações no campo de efeitos especiais que permitiram uma série de outros filmes; deu corpo e cara a uma geração de jogos eletrônicos que copiaram o seu ritmo e seus conceitos visuais. Ou seja: havia uma ar de jovialidade e inovação naquele trabalho como nunca se tinha visto anteriormente. Lucas começava então a quebrar paradigmas na indústria.

O final dos anos 70 também trazia a tona a era dos vídeo games e dos fliperamas, com os jogos do Atari, uma febre que explodiria nos anos 80 (jogos como Space Invaders (1978), Galaxian (1979), Pac-Man (1980), Battlezone (1980) e Donkey Kong (1981) ajudaram as máquinas de fliperama a tornarem-se populares). Dito isso, Star Wars nasceu e desenvolveu suas sequências em sintonia com o seu tempo, se apoiando na carência de um público que esperava ver o vídeo game - e os quadrinhos, porque não? - nas telas, mas não era compreendido pelos estúdios de cinema. Mas nascia com ele, entretanto, o conceito de blockbuster como conhecemos até hoje.

Pode-se dizer que é graças a Star Wars que hoje temos uma busca desesperada dos estúdios por franquias multimilionárias, que visam apenas o lucro em detrimento da qualidade de seus filmes. Os estúdios trabalham em um filme de entretenimento pensando no quanto ele poderá gerar de dividendos em outras quinquilharias - de bonecos a parques temáticos - e em quantas continuações ele será capaz de gerar para dar lucro ao estúdio, até que o público não suporte mais e a fórmula se desgaste. Star Wars é, no entanto, o bilhete mais premiado até então. Todos os seis filmes, incluindo os da trilogia mais recente, rendem volumosas pirâmides de dinheiro, mesmo que não sejam exatamente um exemplo de qualidade narrativa.

E por falar em narrativa...

O filme de 1977 já começa do meio da franquia, sendo o Episódio IV. Lucas descarta qualquer desenvolvimento mais profundo dos personagens - são todos rasos, sem passado, um ponto negativo - e se apoia apenas nos acontecimentos após os letreiros iniciais. Não há, no entanto, dificuldade em se situar dentro da trama, tamanha a simplicidade e previsibilidade - um ponto a favor. Todos os atores atuam por atuar, como se nem acreditassem que o trabalho pudesse fazer sucesso (quando a cadeira da Millenium Falcon gira, disparando seus canhões, Harrison Ford ri como se estivesse em um parque de diversões; Carrie Fisher, ao falar seus diálogos, não consegue deixar de escapar sorrisos de canto de boca), mas seus personagens são simpáticos e marcantes. 

A trama também é a básica de um herói, do "escolhido", do "enviado" para mudar o rumo das coisas. É a aventura de um personagem deslocado - sem pai nem mãe, recordemos, que perde tudo, se vê forçado a sair de seu mundo - e acaba se envolvendo com gente tão perdida quanto ele, personagens deslocados em um universo alienígena que só possuem uns aos outros. O apoio que Luke Skywalker tem vem de um velho (o eterno Alec Guiness, o único realmente levando tudo a sério), que faz o papel do pai que ele não teve e lhe instrui sobre o poder da força (ou seria, em uma linguagem metafórica, da fé?).   

Star Wars também tem estilo único. Feitos mais com criatividade do que com dinheiro, os cenários parecem caros, grandiosos e cheios de detalhes. O filme se apoia em um conceito visual matador: o que vemos na tela é alienígena, mas quase tudo é, ao mesmo tempo - formas, os sons de assobios de R2D2, os cenários de Tatoonie, o depósito de lixo da nave, o ferro velho, etc - familiar aos olhos do público. Há um vilão misterioso e sem rosto cujo visual gruda na cabeça do espectador (não a toa, Darth Vader se transformou num dos mais famosos vilões de todos os tempos). É um espetáculo visual, apoiado em um ritmo de jogo de vídeo game que, uma vez comprada a ideia, suga o espectador para a aventura.

A marca, agora nas mãos da Disney, continuará rendendo aos seus criadores quantias generosas em dinheiro, mas os fãs, que seguem fieis desde que os letreiros iniciais subiram nos cinemas em 1977, aguardam ansiosos por um retorno ao espetáculo engendrado por George Lucas, agora com tal responsabilidade nas mãos de J. J Abrams, responsável por revitalizar a franquia Star Trek nos cinemas. Que a força esteja com ele.

Cotação: 4/5


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