sábado, 24 de agosto de 2013

Tubarão - 1975




Por Jason

A primeira coisa que marca no filme Tubarão é a sua premiada trilha sonora, apresentada de maneira eficiente já nos letreiros iniciais, quando a câmera passeia pelo fundo do mar com o ponto de vista da criatura monstruosa que mais tarde aterrorizará a costa da cidade Amity Island ao som dos acordes aterrorizantes criados por John Williams. 

Logo no prólogo, o espectador assiste aterrorizado o ataque a uma banhista, numa sequência perfeitamente executada e sugestivamente perturbadora. No dia seguinte, a vítima é dada como desaparecida e o Chefe Brody (Roy Scheider) vai investigar o caso. O corpo é encontrado mutilado na beira da praia e Brody acredita que a causa da morte é um provável ataque de Tubarão. É a partir dela que se dará todo o mote central dessa produção que se transformou num clássico inquestionável do cinema: todo o problema seguinte vai decorrer da ganância dos líderes políticos da cidade. 

O povoado de Amity está perto de receber muitos visitantes e turistas pois é uma cidade cujo comércio se movimenta principalmente no verão e o líder político do lugar não quer afastá-los. A coisa se complica quando um menino é devorado pela criatura marinha enquanto tomava banho no mar. Um oceanógrafo é chamado para ajudar Brody assim como um pescador. Mesmo com o problema rondando a costa da cidade, as pessoas continuam ignorantes sem querer interditar a praia. Negligente, o prefeito acredita que Brody está se precipitando e não quer que se fale em tubarão para não causar pânico nos visitantes. Contra todos os alertas, libera os visitantes para tomarem banho. Brody e o oceanógrafo não veem outra saída a não ser irem para o mar atrás do monstro e é daí que nascem as inesquecíveis situações do filme, num combate épico dos homens contra o tubarão em pleno oceano onde a besta, seres humanos - e o próprio barco em que estão - serão levados até o limite.

Mesmo com efeitos especiais que envelheceram terrivelmente, principalmente na segunda metade, Tubarão é estruturalmente perfeito e é sem dúvidas um dos melhores filmes da carreira de Steven Spielberg. Baseado em romance homônimo, o fenômeno literário de Peter Benchley, a primeira metade apresenta o problema, o tema, os personagens e a forma como eles lidam com a situação. Na segunda, a solução escolhida pelos personagens para dar fim a todo o sofrimento é ir a luta com as armas que eles dispõem. Os problemas durante a produção, com o tubarão de mentira dentro da água, fizeram com que a criatura marinha fosse escondida ao máximo, o que só melhorou o suspense do filme. Spielberg também se usou de um artifício que repetiria mais tarde, com Jurassic Park: se no filme dos dinossauros ele alterna cena com animatrônicos e computação, aqui ele alterna cenas com criaturas reais e animatrônicos para formar um composto sólido. O ritmo é outro ponto a favor, cortesia da premiada edição vencedora do Oscar. O espectador sabe que a criatura está no mar e ataca furtivamente, o que deixa abertura para um roteiro onde tudo imprevisível, como os pescadores que pescam o tubarão errado ou os meninos que usam uma barbatana para assustar os banhistas.

Os personagens são bem desenvolvidos. Brody, por exemplo, que tem um trauma de um quase afogamento é a reprodução da obsessão por eliminar o problema. Na procura por acabar com a criatura marinha e no embate final, ele precisa se superar e superar seus medos à medida que sua vida começa a passar por turbulência, seja como marido ou como pai preocupado. É desengonçado, não leva o menor jeito como homem do mar e é o contraponto ao personagem Quint (Robert Shaw). Quint é arrogante, uma pessoa ignorante, mas que tem clareza suficiente para conhecer a ameaça com a qual está lidando. O problema é que Quint não respeita sequer os limites de sua embarcação, obcecado também pelo dinheiro que poderá ganhar com o animal - que por sua vez também parece estar louco em transformar aqueles homens em refeição. O personagem de Richard Dreyfuss, por sua vez, faz o papel de guia condutor para o espectador, para que ele compreenda com o que os personagens estão lidando.  

Naquele ano de 1975, quando a temporada de verão americano era morta em lançamentos de arrasa quarteirões, Spielberg escolheu este momento oportuno para lançar sua produção. O público não costumava ir aos cinemas na época e migravam para as praias para passar a temporada. O marketing foi certeiro. Nascia ali o conceito blockbuster e a industria cinematográfica começava a mudar as estratégias de lançamento de seus filmes que culminaria com o lançamento dois anos depois de Star WarsTubarão venceu 3 Oscars, rendeu parque temático mas também sequências inferiores realizadas pela tentativa do estúdio de repetir a façanha do primeiro filme e lucrar em cima de uma marca que se mostrou extremamente lucrativa. O filme bateu recordes de bilheteria - arrecadando quase 500 milhões de dólares, cerca de cinquenta vezes o seu orçamento - e Spielberg nos presentou com um clássico. 

A história do cinema agradece.

Cotação: 5/5


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