sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vestida para matar - 1980



Por Jason

Enquanto um homem se barbeia, uma loira toma seu banho sensualizando e a direção não esconde a nudez, com closes no corpo da mulher, em suas partes íntimas, até que de repente... vem o horror e ela é tomada de assalto por um maníaco no banho. Corta para uma cena de sexo e finalmente entramos na vida da mulher, uma mãe, Kate Miller, que tem problemas com o filho nerd inventor, é sexualmente frustrada e tem um marido que não atende suas expectativas. 

Kate procura ajuda com um doutor, Robert (Michael Caine), e ainda tenta seduzi-lo. Ela sai do consultório e acaba topando com um homem que o conhece no museu, com o qual se relaciona sexualmente. Ela descobre que ele tem doença venérea, tenta escapar, mas ao perceber que esqueceu sua aliança, retorna ao andar e é assassinada dentro do elevador. Uma prostituta de luxo (Nancy Allen) presencia tudo e é não só a principal suspeita do crime como também pode ser a próxima vítima. Sim, estamos num filme de Brian De Palma.  

De Palma explora o corpo, o talento e a beleza madura de Angie Dickinson na primeira meia hora, já ali uma das mulheres mais belas que surgiram no cinema e mais reconhecida por ser uma atriz de tv. Ela protagoniza, além da cena do banho, uma sequência brilhante, a de sedução com o homem dentro do museu que começa suave e de repente vai ganhando contornos de suspense e terror não só na forma como o diretor escolhe os pontos de vistas da câmera mas também pela trilha sonora que começa a mudar o tom ao fundo da cena. Como se não bastasse, se entrega a uma cena de sexo dentro de um taxi em movimento. Mas estamos num filme de De Palma e Kate terá uma morte nos moldes de uma versão de Janet Leigh em Psicose: não se sabe quem a matou, e o espectador suspeita que seja uma mulher, porque os enquadramentos de De Palma são inspirados no filme de Alfred Hitchcock. Troque o chuveiro pelo elevador e dá no mesmo.

De Palma também cria tensão na perseguição a prostituta de luxo interpretada por Nancy Allen, seguida e vigiada o tempo todo pela assassina. Embaralha as cartas do jogo, dividindo a tela em duas quando vemos duas ações de personagens diferentes em tempos diferentes (Michael Caine de um lado, Nancy do outro); na sequencia do metrô, recorre novamente a Hitchcock, com o personagem passando rapidamente ao fundo da cena. Traz mais do mestre do suspense ao colocar o personagem nerd filho de Kate para observar a janela - fazendo com que o espectador seja testemunha de tudo -no consultório do Dr Elliott e dá a dica para o espectador nas reportagens que passam numa televisão sobre transexualidade. 

Michael Caine é quase um espetáculo tragicômico e é maravilhoso vê-lo em cena, trocando de personalidade. Nancy Allen, bastante conhecida na década de oitenta, tem uma atuação simpática. O que não dá para aturar é a parte policial do roteiro, que é capenga, e a parte investigativa do nerd filho de Kate, que é difícil de aturar uma vez que ele se torna um dos melhores detetives já vistos no mundo. E por falar em Hitchcock, nada mais sugestivo do que o final.

Cotação: 3,5/5

É o De Palma que gostaríamos de ver novamente, num suspense que tem roteiro capenga mas tem técnica e tensão do começo ao fim.

Um comentário:

  1. Só uma consideração: A icônica e sensacional cena do banho é uma das cenas com dublê de corpo mais canastronas da história do cinema, rs!

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