terça-feira, 10 de setembro de 2013

A colônia - 2013



Por Jason

Atenção: spoilers


Filmes sobre grupo de pessoas sobreviventes existem aos bocados e todos os anos dezenas deles são desovados nos cinemas e no mercado de DVDs. A colônia não foge a regra: a trama acontece em um futuro onde a humanidade está atravessando uma verdadeira Era Glacial, com o mundo totalmente congelado. A humanidade tentou reverter a situação criando torres de manutenção climática, mas algo deu errado. Os homens vivem agora em colônias subterrâneas, com farrapos, como se fossem ratos e onde uma simples gripe é motivo de preocupação constante e resulta em quarentena e em execuções. 

Nesse contexto, Briggs (Laurence Fishburne) e mais dois sobreviventes, incluindo Sam (Kevin Zeger) saem da Colônia 7 em direção a Colônia 5, da qual perderam contato. Lá, encontram outro sobrevivente, o último de uma chacina, que informa que recebeu uma comunicação de um determinado lugar. Nas imagens, um homem aparece informando que conseguiu derreter o gelo e encontrar terra, numa zona de clima quente, mas que precisa de sementes para recomeçar o ciclo da vida. O problema é que, segundo o sobrevivente daquela colônia, uma equipe foi mandada para o local, mas ao voltar, trouxe com ela algo mais: canibais.

Enquanto se mantém como um filme pós apocalíptico cuja ameaça é um vírus e onde uma pessoa (Mason, personagem de Bill Paxton) está surtando e virando uma ameaça, até essa descoberta, A colônia se defende bem em sua crítica a humanidade e a destruição do planeta, que foi sufocado pelo desenvolvimento desordenado o qual desencadeou toda uma tragédia. O próprio estilo de vida dos sobreviventes já daria por si só um filmaço e tanto. Todos eles precisam racionar comida, que é fabricada dentro das instalações escuras onde vivem, com ares industriais destruídos. O filme é bem dirigido, se contarmos os poucos recursos que tem, e bem montado - o que é um alívio. Sai a linguagem vídeo clipada e estilo de filmagem found footage, já cansado e tão em moda ultimamente - e que seria um recurso de saída fácil para o orçamento reduzido, lembremos -, para ganharmos uma noção do problema que os sobreviventes enfrentam.

A partir do momento em que os canibais entram em ação - e até um rock metal soa ao fundo - A colônia porém vira um samba de crioulo doido, uma espécie de Doomsday espetacularmente trash com direito a cena de decapitação ordinária e situações que em nada acrescentam - um verdadeiro tiro nas expectativas de quem estava relevando os efeitos especiais pobres feitos para televisão. Os canibais começam a caçar os personagens e a seguirem seus rastros pela neve. Eles não poderão, claro, retornarem para a colônia, ou todos serão mortos. Briggs se sacrifica, deixando a bola do filme para um caricato Bill Paxton, que faz o tal homem que surtou e a qualquer sinal de doença executa o morador contaminado. Os canibais, óbvio, chegarão milagrosamente a colônia, mesmo tendo uma ponte que liga dois paredões sobre um abismo praticamente destruída (!), e tocarão o terror.

Laurence Fishburne sempre foi bom ator e nunca foi devidamente reconhecido no cinema porque poucas vezes encontrou trabalho a altura - embora seja bastante conhecido por Apocalipse Now, Predadores, A cor purpura, Matrix, a série CSI, e Tina, que lhe garantiu merecida indicação ao Oscar -, mas é até bizarro ver como sua forma física lhe dá um ar de desleixo e relaxamento em cena. Fishburne se move devagar, arfando, com dificuldade, ar de cansaço, o que é uma pena vindo de alguém que tem talento. Zeger não consegue segurar a atenção do filme porque é ruim mesmo. No caso de Bill Paxton, a situação é mais grave porque ele nunca funciona. 

Resta A colônia o ingrato destino de uma sessão desinteressante da tv aberta, onde ninguém se importará com ele.

Cotação: 2/5

Podia ser bem melhor do que foi, o filme não precisava da ameaça canibal quando a própria colônia já enfrentava coisas tão perigosas quanto essa.

2 comentários:

  1. A crítica tem toda razão. Eu imaginei pelo menos 5 maneiras alternativas para o filme não ser uma fracasso. 1º Os canibais não parecerem zumbis, apenas um grupo de sobreviventes que não encontro comida (teria que ser a IIIª geração). 2º Mudar 50% do elenco. 3º Mostrar técnicas de sobrevivência no frio intenso. 4º Sem paraíso no fim. 5º Poucos sobreviventes.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo em gênero, número e grau!

      Bjs da tia =)

      Excluir

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...