quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A guerra do fogo - 1981


Por Jason


A guerra do fogo nos mostra como era a vida do homem das cavernas. Feito sem diálogos,  com musica incidental e boa maquiagem - vencedora do Oscar -, o filme começa mostrando uma tribo nos primórdios da humanidade. Ela mantém as chamas de um fogo aceso, já que o fogo é artifício da natureza difícil de encontrar e de manter. Uma tribo rival invade a caverna em que vivem, destruindo tudo (incluindo o fogo). O grupo se vê forçado a se desintegrar para procurar por chamas, mas sofre também com os ataques de animais selvagens como lobos, ursos e leões.

Em busca dessa nova chama que eles tanto tentam manter acesa, três deles saem pelas planícies da região mas acabam se deparando com uma tribo de canibais. Salvam uma fêmea,  esta de uma tribo mais evoluída,  de virar refeição. A fêmea começa a persegui-los tentando contato. Ela tem capacidade de fala e melhor entendimento das coisas, mas é violentada pelo grupo. Mais tarde, eles se encontrarão com a tribo dela e um deles aprende como se fazer o fogo. É ele quem começa a entender coisas novas, desde a noção de vida em grupo, do uso de ferramentas e armas, a uma posição sexual inovadora. 

Todo o elenco se esforça, se dedica - o papel de fêmea é o mais complexo e bizarro -, mas a produção é um tanto tosca e tem momentos de risos involuntários, até por ter sido realizada na década de oitenta. Contudo, é precisa ao reproduzir os hábitos dos homens das cavernas tal qual um documentário do Discovery Channel sem narração OFF com o que se conhece da história da humanidade até então. A direção consegue traduzir tudo através de comunicação verbal, o que também é um trunfo e o espectador entende perfeitamente o que acontece na tela.

Conforme o filme passa, percebemos que os homens primitivos não tinham uma vida tão fácil como os livros de história nos fizeram perceber um dia - os homens eram não apenas caçadores mas também refeição para animais famintos. Isso fazia a expectativa de vida do homem ser mínima e lhe dava uma necessidade fundamental de andar em grupo para ter mais chance de se reproduzir e sobreviver. O poder do fogo, tão essencial nessa época, é ensinado e passado para as gerações futuras finalmente, assim compartilhado com toda a tribo. O mais irônico, contudo, é que a sociedade primitiva era basicamente feita de sexo e violência, itens que se misturam na história da selvageria humana e que formará a base da sociedade como conhecemos até hoje. 

Como visto, mesmo depois de milênios, pouco mudou nesse sentido.

Cotação: 3,5/5   

Um comentário:

  1. Esse filme marcou-me fortemente. Diretor: Jean-Jacques Annaud, filme franco-canadense. Impressiona que, quase não tendo falas, prende por muita ação e suspense, na luta dos personagens em busca do fogo e que acabam descobrindo avanços de civilização onde aprendem coisas novas. E aprendem a fazer fogo.
    Mas não se pode dizer que o file não tem falas. Entra aí o gênio do linguista e roteirista Anthony Burgess, que já havia inventado línguas em seu livro A Laranja Mecânica.
    A moça que foi salva dos canibais falava uma língua e pertencia justamente a essa tribo mais civilizada que conhecia o fogo e tinha forma tribal de organização.
    Os próprios personagens mais primitivos do início do filme emitiam grunhidos repetitivos que, mesmo sem conhecer a língua, nós espectadores entendíamos o que diziam.
    É um filme instigante.

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