sábado, 14 de setembro de 2013

Lovelace - 2013


Por Jason

Lovelace traz para as telas a vida de Linda Boreman, que se tornaria Linda Lovelace, estrela do filme Garganta Profunda. O filme é realizado sem muito arrojo ou carga dramática, e Amanda Seyfried interpreta Lovelace, de uma jovem filha de pais puritanos da década de 70, cujo destino a levaria a ser estrela do referido filme pornográfico (que se tornaria um inesperado sucesso de bilheteria), até o momento em que lançou um livro contando o drama da sua vida e resolveu abandonar o marido abusivo e constituir uma família. 

A mãe de Linda (Sharon Stone, excelente atriz, subestimada e subaproveitada no filme) é proibitiva e parece não saber lidar com a filha (ela tenta controlar a menina como pode - quando esta chega tarde em casa, Linda recebe um tapa na cara). A mulher tem um passado sombrio, já que teve a irmã de Linda sozinha aos dezoito anos e teve que se virar para colocar a vida nos eixos. A cena em que ela dá conselhos absurdos para uma Linda completamente perdida, agredida, violentada e obrigada a se prostituir pelo marido, em determinado momento em que a jovem pede ajuda, é um dos melhores e mais dramáticos momentos do filme. O pai de Linda é completamente relapso - e a família, tradicional e careta, é do tipo que ora à mesa antes de comer. 

Linda se envolve com um homem, Chuck (Peter Sarsgaard) que a ensina os prazeres do sexo. Para se ter uma noção do quão problemática será essa relação sem futuro, os dois se relacionam sexualmente na cozinha depois do jantar em que os pais o conhecem. A situação muda quando Linda decide sair de casa e ir morar com ele. Maníaco por filmes pornográficos amadores, é ele quem a leva para o mundo da indústria pornográfica. Inicialmente, ela parece não se enquadrar nos padrões que o mercado procura mas é graças ao filme caseiro do casal que a situação muda.  

A partir daí, Linda estrelaria o mundialmente conhecido Garganta Profunda, em 1972. O filme mudaria a indústria pornográfica,  se tornando o filme mais lucrativo do ramo e um dos influenciadores da cultura sexual norte-americana da época (alguns atribuem ao filme uma contribuição efetiva no período de revolução sexual que a sociedade americana passava). O que havia por trás, no entanto, era o fato de que Chuck maltratava Linda de todas formas. Para tal representação de drama e sofrimento, está a atuação de Amanda Seyfried. 

Como Linda, Amanda consegue passar a sensação de mulher ingênua e frágil, do tipo que não sabe onde está se metendo e não se deslumbra com o sucesso. Para se ter uma ideia, Linda sonha com uma oportunidade além do filme, com teatro, ser uma atriz de verdade, sem saber que sua vida profissional estava fadada ao mundo pornográfico - ao mesmo tempo em que demora a começar a perceber que está sendo usada pelo marido. É humilhada, maltratada, violentada, espancada e pede ajuda a mãe, que renega e aconselha a obedecer o marido. Em seu rosto, há um desespero constante e uma necessidade urgente de deixá-lo sem que ela saiba como fazer. Não é uma atuação merecedora de um Oscar, mas prova que Amanda pode render um bom trabalho se bem trabalhada.

O filme é interessante em reproduzir o processo de filmagem de Garganta Profunda, de uma maneira simples, e na transformação de uma mulher comum em um produto e objeto sexual, num caminho sem volta. É também muito bom na reprodução de época - não é um filme rico mas a parte técnica não compromete. Nesse sentido, a produção seria melhor se ampliasse o drama pessoal de Linda, que envergonha a família e causa mau estar no pai. O problema é que o roteiro vai e volta em tantos momentos desnecessariamente que sabota as atuações dos atores e a carga dramática. Em determinando momento, estamos já acompanhando a decadência de sua vida pessoal quando retornamos ao sucesso e somos levados a uma sequência em que Linda entra em contato com o pai. Pouco depois, o filme avança mais seis anos como se criasse lacunas e se transformasse em uma novela - como provavelmente funcionaria melhor.

O roteiro também não avança em uma parte que seria fundamental no entendimento da personalidade confusa da personagem central - mais velha, Linda viraria ativista anti pornografia e lutaria a favor das mulheres contra a violência doméstica, por uma dessas ironias do destino. Há gente que entra sem dizer a que veio - James Franco e Hank Azaria incluídos. O resultado é uma cinebiografia que serve para nos dar uma noção sobre a vida de Lovelace, que poderia ferver e render muito mais - já que a personagem tem uma biografia rica - mas oferece um resultado apenas mediano.

Cotação: 2,5/5



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