quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Turbo - 2013




Por Tia Rá

Num tarra muito boua quando resolvi ver esse flop miserento que num faliu a Fox e a Dreamworks porque elas já fez muito lucro com A era do gelo  e esse ano com os Croods (que aliás quero que ganha o Uóscar no próximo ano, pronto falei, adorei eçapoha), né gente, entaum ter um fracasso pobre como esse num é nem muita coisa kkkkkkkkkkkkkk

Assim, eu até gosto do Turbo, achei o caracol uma graxinha #hebefeelings tipo, quando eu vi a lesma, eu só queria tacar sal hauahhauhauhauuhauhaa. O probrema num é nem o Turbo. O probrema é o resto, é o plot desse tolete que é bem podre. Turbo trabalha no jardim com seu irmão que vive protegeno ele das trapalhada que ele faz. Eles ficam colheno tomatchy, todo dia um corvo passa lá pra comer uns caracol. Turbo adora a Indianópolis e tals, quer ser corredor, mar é um caracol né gente... um dia ele cai num motor de carro e toma um chá de oxido nitroso (OI?). Aí a lesma fica turbinada!!!! Se encontra com umas lesma de uma família fracassada flopada merricana, que vende uns croquete que ninguém come.

Os home da família, tirano o pai, é tudo baleia de gordo (misteriosamentchy, porque num tem dinhero pra comer, mas enfim...). Eles são aloprado e fazem divertidas - SQN - corridas com caracol. Aí depois de uns treino e umas armassaum e tals, eles acham que vão pra Indianópolis, chegano lá Turbo consegue fazer uma volta de apresentassaum e tals, rola polêmica, fica famoso na net e pronto, rola toda uma vontade pra ele participar das corridas (gente, q q é isso...). No mundo fantástico de Bobby... Digo, de Turbo, vale tudo, até lesma turbinada correno na Indy. Paralelo a esse angu, rola toda uma comossaum entre Turbo e o irmão, porque o irmão num quer que ele corra, quer que volte pra o jardim onde eles trabalharram. 

Aí rola todo aquele drama básico quando todo mundo tarra ali perto do final e tals, Turbo perde os poder, mas vai rastejano até a linha de chegada pra ganhar. Fim do filme. Tipo, tarra estampado que ia ser flop, mas insistiram entende? O filme num é engraçado, só ri da hora que o corvo resolveu engolir o turbo e ficou morreno. O elenco é tudo estrela, tem Samuel Motherfoca Jegueson, que faz um caramujo black motherfoca, tem a Michelina Rodrigão, Ryan Gaynolds, etc. A familia dos merricano tem uma lésbica masculina, que faz a mecânica, e um vóvó azeda, mas nenhum tem graça. Nenhum personage além de Turbo vai, entende? Tudo é muito coloridinho e tals... Mar gente... num dá né... Se nem as gurizada comprou o plot, imagina nois adulto? Pior é alguem achar que isso podia fazer sucesso né gente? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Cota da tia: 1/5

Adoro o Turbo e toda aquela ladainha de realizar os sonho impossível e etc. Mar gente, roteiro de seis mão e me jogam isso na minha cara, não sou obrigada! O resto é trash demaish pra meu eu. AFASTA ESSA BOMBA DE MIM!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa - 1986



Por Jason

Uma sonda alien é detectada pela USS Saratoga. O objeto não identificado aporta em órbita da Terra e ioniza a atmosfera, iniciando um processo de vaporização dos oceanos e sugando a energia das naves. A equipe da Enterprise, que estava em uma nave Klingon e prestes a ser julgada - o almirante Kirk violou nove leis da Federação e sua tripulação resolveu apoiá-lo - se depara com uma situação inusitada: a nave se comunica como se estivesse sob água, na linguagem de baleias que já estão extintas. Os tripulantes acabam viajando no tempo graças a nave Klingon, para encontrar baleias que possam se comunicar com a entidade alienígena. 


Em 1986, a tripulação descobre que a nave está sem energia e eles tem pouco tempo para resolver tudo. A equipe se divide, para encontrar as baleias, transportar, e recarregar a nave. Eles precisam fazer isso com a tecnologia da década de 80, usando os recursos que possuem. Nesse contexto, Chekov acaba preso, vai parar num hospital e precisa ser resgatado de lá. As baleias são soltas no mar e são alvos fáceis para os baleeiros, mas a equipe consegue levá-las para o futuro. A volta para casa do título tem, além do sentido de retorno a Enterprise ao final do filme, um retorno a Terra.

Difícil lidar com a personagem Alice, que cuida das baleias. Misteriosamente, depois de ser teletransportada para dentro da nave, ela aceita aquela realidade sem entrar em pânico nem questionar nada (a atriz é ruim). A direção de Nimoy é um marasmo. A maior parte do filme se passa no presente e isso, a certa altura, parece uma maneira encontrada pelo roteiro para deixar o filme mais barato. Sai a ficção e entra um tipo de comédia genérica, colocando pessoas do futuro no passado, enquanto se estranham e os tipos distintos colidem. O elemento, no entanto, é novidade na franquia cinematográfica e talvez por isso tenha agradado, porque se tem uma coisa em que Star Trek sempre foi eficiente é em ser sintonizado com os problemas do seu tempo.

O filme traz elementos vistos nos dois últimos filmes mais recentes da franquia, dirigidos por J J Abrams, como a mãe de Spock, cujo diálogo pode ser revisto no segundo filme, Além da escuridão (sobre o fato de que o bem de todos deve se sobressair ao bem de um só). Lida também com a temática de viagem no tempo (temática popular nos filmes da década de oitenta e na série). Apesar da fragilidade do roteiro, que lembra mais um episódio da série de tv do que uma produção para cinema, há uma mensagem ecológica e uma temática que o mantém atual.

A ILM, responsável pelos efeitos especais, foi feliz em mesclar as baleias reais com criações robóticas e montagens, mas é inegável que a maioria dos efeitos empobreceram e a falta de um vilão e uma ameaça maior deixa a produção meio solta - apesar de ter sido bem recebido pela crítica e ter sido um sucesso de público, chegando a quatro indicações ao Oscar.

Cotação: 2/5

O tema é atual, mas a direção lenta e o roteiro frágil prejudicam o filme.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Síndrome da China - 1979



Por Jason

Jane Fonda interpreta Kimberly, uma repórter de matérias rápidas e bobas para uma rede televisão. Um determinado dia, Kim é destacada para fazer uma matéria especial sobre os benefícios de energia nuclear e é levada para uma central nuclear. Durante a reportagem, um incidente num reator faz com que Kimberly, mesmo sem entender muito sobre a energia ali produzida, e seu cinegrafista, Richard, questionem a segurança do lugar. O que a cúpula da central nuclear não sabe é que Richard registrou todo o momento de tensão durante o incidente e tem agora um furo jornalistico.

Acontece que a rede de televisão se recusa a passar o vídeo temendo processos por filmagem ilegal. Richard foge com o vídeo, enquanto Kim começa a investigar mais a fundo o problema. O supervisor de turno, Jack, que estava no momento do incidente, também percebe que a central tem problemas sérios de segurança que podem resultar na chamada Síndrome da China. Esse é o termo usado para designar uma situação imaginária e impossível de acontecer, em que um reator nuclear aquece a ponto de fundir a própria base onde está montado e "afundar" no solo, derretendo tudo o que encontra para baixo. Como a quantidade de energia é absurdamente alta, ele poderia ir derretendo o solo e "mergulhando" cada vez mais fundo, até chegar na China, atravessando todo o centro do planeta. 

Jack começa a ser perseguido e tanto Kim quanto Richard passam a ser pressionados a desistirem do furo. A obsessão de Jack em resolver o problema e livrar o estado de uma catástrofe o leva a descoberta que os dados de segurança eram falsificados e ignorados, culminando na sua invasão a central armado e exigindo uma reportagem e uma declaração ao vivo para Kimberly. Enquanto uns começam a passar a imagem de que Jack é um perturbado e alcoólatra, imagem mantida pela cúpula da central, Kim tem nas mãos a oportunidade de expor a verdade e mostrar que pode ser mais do que a rede Tv quer que seja. Tal ação termina de maneira trágica para os envolvidos, mas a matéria, contudo, vai ao ar e Kimberly, mesmo sentida após os eventos, faz o seu trabalho, passa sua emoção verdadeira e se expõe, emocionada - em uma jogada da direção que deixa o espectador decidir se o perigo que viu era real ou não.

O elenco é afiado, com Jane Fonda no seu melhor momento (indicada ao Oscar pelo filme) como a determinada, segura, mas cautelosa repórter e o excelente Jack Lemmon como o supervisor perseguido pela empresa (Jack ganhou o prêmio de melhor ator de Cannes pelo filme e foi indicado ao Oscar também - o filme recebeu outras indicações ao Oscar em roteiro original e direção de arte). A química entre os dois é excelente. Um jovem Michael Douglas faz o papel de Richard e a direção é de James Bridges, que já tinha em seu currículo a ótima ficção Colossus. James consegue segurar a tensão até o final do final, em jogadas de câmera e cortes precisos (enquanto acompanhamos Kimberly de um lado, no ar, vemos o que acontece no estúdio de televisão, como se fossemos testemunhas dos acontecimentos e como se estivéssemos numa sala de edição do jornal), cenas de perseguições com automóveis, diálogos nervosos e situações complicadas dos personagens, como a própria cúpula da central que, no momento chave, decide matar Jack para evitar que ele fale ao mundo a verdade sobre os acontecimentos. 

O filme ainda serve de alerta para o uso da energia nuclear e em tempos de sinais de um possível colapso de Fukushima que pode vaporizar meio mundo desde que um terremoto gerou um tsunami que arrasou a costa japonesa, Síndrome da China continua atual em sua mensagem. Uma curiosidade: o filme foi lançado nos Estados Unidos no dia 16 de março de 1979 e, por ironia do destino, o acidente com a usina nuclear de Three Mile Island, na Pensilvânia, aconteceu no dia 28 de março, exatamente treze dias depois do lançamento, o que faz a produção ser sintonizada com seu tempo.

Cotação: 4/5

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Escape from tomorrow - 2013



Por Tia Rá

dô di barriga define
Uma família tá na Disney curtino as féria e tal, querem se divertir. Mas aí coisa estranha começa a acontecer nos parque. A familia é um coroa, a mulher, dois guris, uma menina e um menino. É isso. Se num gostou do plot vá reclamar com quem feis essa misera pobre. O filme começa e logo quando o coroa chega num brinquedo, o coroa começa a passar mal e fica imaginano coisa como se tivesse tomado aquele LSD. Ele percebe que tá seno perseguido por duas piriguetes dos infernos e fica loko pra dar uma papocada nelas. Aí tome efeito espassial da Record, de quinta categoria. O coroa faz o menino ir no Space Mountain e sai todo vomitado, a mulé fica com raiva dele. No meio do caminho dos parque ele conhece uma vagaboonda e acaba furunfano com ela.


Aí foge e vai se encontrar com a família de novo e aí passa mal de novo ni outro brinquedo. A Disney é cheia de ninfetchinhas, todas piriguetchys, dadeiras, contratadas pra se venderem pros gringos. Num entendi prus que filmaram essa ladainha e preto e branco. Acharram que ia ficar mais emossionanti? Mais munito? Mais horror? Gente, num ficou nem uma coisa nem outra, deu até sono. Os atore, dio mio... O coroa dói até minhas pedra nos rim de tão fulero. A mulé então, a cara do amadorismo. E ela chorano e fazeno toda a comossaum por causa da Disney e tal, toda REVOLTADA, bate na fia porque é mal comida e o marido tá dano em cima das gema piriguetesssss? OOOOOOOOOOOI DRAMA?

#comovida SQN
Gente, a propaganda da Siemens, como eu fico seno bombardeada por tamanho paitrocinio? E as conotassoens sexuais na cena em que o coroa é torturado? E a bruxa má que era princesa e ficou psicopata huahuahuaauhauhahua Parece filme feito por véio virge ou secsualmente frustrado. Se a Disney for taum emossionanti quanto é no filme, olha gente, vou passar minhas feria nos Universal Studios que ganho maish, porque né... te dizer... ROINC.

Completam o combo podreira o final pobre de ruim, se num gostou passiensia, é o que tem pra vc que perdeu seu tempo vendo essa ladainha sonolenta.

Cota: 0/5


Um gif em homenage a essa latrina. Receba.



-TOMA SAPATADA MISERA QUE EU NUM SÔ OBRIGADA!


E a Disney tarra preocupada com esse flop miserento, gente? Devia ficar mais preocupada com as porcaria que faz e num arrecada nada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

sábado, 26 de outubro de 2013

O mestre - 2012



Por Jason

Em O mestre, Joaquin Phoenix interpreta Freddie, um alcoólatra perturbado mentalmente que, depois da Segunda Guerra, tenta se encontrar de qualquer forma no mundo. Dispensado da Marinha junto a um contingente que não sabe o que fazer, Freddie tenta ser fotógrafo, mas acaba se arruinando ao agredir um cliente. Vai para o campo colher repolho, mas acaba expulso de lá como um marginal acusado de envenenar um homem. Em seu caminho, ele encontra Lancaster Dodd (Hoffman), fundador de uma religião chamada "A Causa". 

Lancaster vê, com olhos gulosos, uma oportunidade de praticar seus preceitos religiosos em uma figura tão conturbada como Freddie. Por trás das intenções, de exorcizar os demônios de Freddie, há a vontade de popularizar e provar que suas teorias, seus conceitos religiosos e métodos estranhos (que incluem festas com mulheres nuas, meditação, hipnose e regressão), estão corretos. Há também problemas com a polícia em suas ações misteriosas - Lancaster acaba preso por apropriação ilícita -, encenações arquitetadas para atrair público e divulgação, já que os integrantes da seita passam a ser treinados para que "A causa" se popularize.

Na pele de Hoffman, um ator de calibre, Lancaster se torna um personagem tátil, real, camuflado na pele de um líder do culto que é ao mesmo tempo uma pessoa carismática, que sabe falar ao público e entreter, mas que esconde dentro de aparências suas reais intenções e ações duvidosas. Ao ser questionado os seus métodos, em uma sessão no meio de alta sociedade, acompanhada de perto por uma plateia facilmente influenciável, ele perde a cabeça por não conseguir provar ter razão (questionamentos não são aceitos por ele). A própria prisão acaba por revelar outra postura duvidosa dele. Pelo trabalho, Hoffman conseguiu merecidamente indicação ao Oscar. Já Amy Adams é a coadjuvante que pouco tem a fazer na trama. É a personagem alienada, a esposa influenciada (Deus sabe como ela foi parar numa indicação ao Oscar pelo filme). Laura Dern, ótima atriz mas nunca aproveitada, é relegada à rápidas participações. 

O destaque do filme é Phoenix, que tem aqui uma atuação sobrenatural. Seu Freddie é uma pessoa antissocial, uma figura apática de andar torto e por vezes bizarra e vazia. É um homem que mantinha relações sexuais com a tia, se envolveu com uma menina menor de idade, o pai morreu em virtude do alcoolismo e a mãe era psicótica, terminando sua vida em um hospício. Ao se relacionar com o culto, ele acaba tendo uma relação de amor e de ódio com Lancaster, que vai culminar em uma excelente cena na delegacia em que é preso com o líder. Ora ele parece ver em Lancaster uma saída para o seu sofrimento, ora ele tem vontade de descontar toda a raiva por sua vida destrambelhada sobre o líder (e sobre todo mundo ao redor). Phoenix consegue passar todas as camadas do personagem, seja na forma como fala, de maneira arrastada, quase que bêbado durante vinte e quatro horas por dia, seja nos gestos, desengonçados e nos acessos de fúria. Sem Phoenix, a trama não se sustentaria e o filme não seguraria o espectador até o fim.

Todo o filme é um primor de técnica, de fotografia, cenários, direção, etc, mas O mestre não é destinado a todo mundo. Tem um ritmo reflexivo, contemplativo, que não agrada a todo tipo de público. A partir da meia hora final, o filme parece perder um tanto a capacidade de despertar interesse no espectador. A cena que antecede o final, no entanto, com a arrogância de Lancaster de um lado da mesa, tal qual o dono do mundo, ante a fragilidade e o aspecto doentio de Freddie do outro, nos revela não só a perda do verdadeiro sentido do culto, mas descortina uma interessante metáfora sobre toda e qualquer religião - e o quanto elas podem ser nocivas a qualquer ser humano, seja ele um desajustado como Freddie ou não. 

Cotação: 3,5/5

TRAILER

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O exterminador do futuro - 1984



Por Jason

Esse clássico da ficção abre com uma Los Angeles de 2029, soterrada de escombros e dos esqueletos de sua população. Máquinas atiram e bombas explodem por todos os cantos. Um letreiro pouco informa sobre o que aconteceu para chegarmos ali, até que voltamos ao presente, quando duas figuras surgem do nada na Los Angeles atual. Uma destas figuras é ameaçadora, na pele musculosa de Arnold Schwarzenegger, e o outro, Michael Biehn, está desorientado e é perseguido pelos policiais.

Esse prólogo dá uma ideia de como James Cameron trabalhará seus personagens e nos diz muito sobre sua forma de filmar que seria visto mais tarde em quase todos os seus filmes. A violência do filme é crua (como em Aliens, em True Lies, ou Avatar), mas nunca é totalmente exposta, nem sanguinolenta e muito mais sugestiva do que se pode crer. Na primeira vítima, a câmera corta logo após o disparo, que o robô assassino, mirando na cabeça de uma Sarah Connor, o faz com frieza - e a inexpressão de Arnold acaba ajudando a compor um personagem que marcou sua carreira. 

Cameron sabe filmar suas máquinas, seja no futuro pessimista por ele imaginado, seja no presente do filme: num pequeno truque de câmera, por exemplo, o que parece ser um maquinário pesado do futuro se revela ser um caminhão de lixo. Mais adiante, quando o herói Kyle tem um pesadelo, um corte banal troca uma escavadeira por um tanque do futuro (e é possível notar takes e posições de câmera semelhantes como outros de O segredo do abismo, Avatar ou Aliens, por exemplo). É possível notar que desde aquela época, os roteiros de Cameron são simples e esquemáticos: conhecemos os personagens aos poucos e não sabemos das ligações entre eles até que uma cena chave une todos eles: no caso aqui, a junção dos personagens acontece dentro de uma discoteca, com Sarah Connor escapando por pouco da morte - assim como Rose escapa do suicídio por causa de Jack em Titanic, John Connor escapa da morte pelo robô assassino em Terminator 2 ou Jake Sully escapa da morte na floresta por causa de um aviso recebido por Neytiri. Morte é fator decisivo para unir pessoas na concepção de Cameron.

A diferença aqui está na heroína. A Sarah Connor de Terminator difere de mulheres fortes já estabelecidas em sua filmografia, de Ellen Ripley a Neytiri, passando por Terminator 2Sarah é uma mulher desengonçada, que em nada lembra a Sarah do segundo filme da série. Trabalha em uma lanchonete, é solitária e ingênua. É quando se vê envolvida em uma trama que envolve a viagem no tempo de um ciborgue assassino, destinado a matá-la porque ela dará a luz a John Connor, o líder da resistência contra as máquinas no futuro que vimos no começo. O soldado Kyle Reese é enviado também ao passado, o presente de 1984, para cuidar de Sarah e impossibilitar que o futuro seja alterado. É ele que vai ensiná-la a ser forte, a se virar sozinha e a lutar contra o futuro pessimista. Nesse contexto, o próprio nascimento de Connor, salientado ao final do filme, é, se não, a maior e mais genial sacada do roteiro - John nasceu no passado, mas é fruto de um homem do futuro, o próprio homem que ele enviou ao passado para proteger sua mãe - e Cameron representa o elo entre Sarah, Kyle e John de forma brilhante - através de uma fotografia.
  
Terminator custou uma mixaria, pouco mais de 150 mil dólares na época, mas arrecadou dez vezes mais seu orçamento só nos cinemas, sem contar o mercado de Home Video e nos licenciamentos para outras mídias que o transformaram numas das marcas mais rentáveis do cinema, e um dos filmes mais rentáveis de todos os tempos. O público pode reclamar de James Cameron, ou subestimá-lo, mas se há uma coisa em que ele se sobressai a maioria dos diretores é na criação de uma atmosfera realista e no uso de efeitos. Mesmo com orçamento tão baixo, os efeitos especiais são tão bem usados por Cameron que  não prejudicam o filme mesmo visto hoje. Da maquiagem de Arnold, com metade da cara robótica exposta, passando pelo boneco robô que tem a sua cara, pela visão do robô (um recurso criativo), os escombros do futuro, a morada dos humanos que vivem como ratos, até o próprio esqueleto robótico do exterminador em sua perseguição assassina, animado pelo falecido mestre Stan Winston, tudo é de encher os olhos. As sequências de ação, mesmo com um fundo falso ou um boneco dublê escapando aqui e ali, ainda funcionam perfeitamente e o ápice vem nos vinte minutos finais, com uma carreta tanque desgovernada pilotada pelo robô.

No campo das atuações, Linda Hamilton consegue transpor facilmente todas as camadas da personagem, embora sem o desempenho furioso e marcante do segundo filme. Michael Biehn, cuja carreira não decolou por causa do gênio difícil e falta de maior talento dramático, faz o papel de herói típico dentro do gênero. O filme ainda tem Bill Paxton em participação e Lance Henriksen, o Bishop de Aliens. O destaque, contudo, é Arnold. Truculento, monossílabo, de andar robótico, Arnold É o exterminador do futuro, num desses casos em que ator e personagem se fixaram de tal maneira um com o outro que é impossível dissociá-los. Completam o pacote a trilha sonora marcante de Brad Fiedel, que consegue criar um tema de amor entre Sarah e Kyle se usando das notas pesadas do tema principal do filme. 

O ruim é sabermos que o filme gerou uma sequência excelente, O julgamento final, mas seus direitos correram para mãos de pessoas incapazes, que criaram a terrível continuação A rebelião das máquinas e o desastroso Terminator Salvation. Já há uma continuação anunciada para 2015 que deve contar com a volta de  Arnold Schwarzenegger como exterminador nesse e em mais dois filmes, com uma história totalmente isolada dos outros. Como visto, enquanto a marca render dinheiro por si só e estiver nas mãos erradas, o sofrimento dos fãs da série está longe de acabar.

Cotação: 5/5

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Star Wars V - O império contra ataca - 1980



Por Jason

O filme começa no planeta gelado com Luke sendo capturado e quase virando refeição de um monstro das neves gigante. Em sua fuga, Luke recebe um chamado de Obi Wan, que lhe instrui a ir ao planeta Dagoba para encontrar Yoda. Han Solo vai a sua procura e o encontra quase congelando, mas consegue salvá-lo. As tropas imperiais desembarcam no planeta espantando os rebeldes com seus monstruosos AT-ATs, verdadeiros camelos robóticos de muitos metros de altura. Solo, a princesa e C3PO, na batalha que se segue, acabam se separando de Luke e R2D2.

Solo leva a Falcon para um campo de asteroides, para despistar os caças imperiais, onde encontra uma caverna para se esconder enquanto Luke despenca em Dagoba - e acaba descobrindo que está dentro de um verme gigante. Assim, temos duas linhas narrativas acontecendo ao mesmo tempo na tela. A jornada de Luke para virar um Jedi enfrentando seus medos e descobrindo os poderes da força com o mestre Yoda e a parte de Luke e Leia, que vão parar em uma cidade flutuante no meio das nuvens onde encontrarão outro personagem conhecido da série, Lando. Os dois estão sendo perseguidos pelo caçador de recompensas Boba Fett, contratado por Vader para os encontrá-los. 

Assim, temos uma expansão do universo criado no primeiro Star Wars, com personagens queridos pelos fãs que mais tarde ganhariam suas próprias tramas e histórias em quadrinhos, games e outras mídias além de, no caso de Boba, uma participação como filho de um personagem importante, o Jango Fett, em O ataque dos clones. Para completar, o filme traz momentos imprevisíveis. Lando, por exemplo, entrega o grupo de mão beijada para Vader em um acordo, mas depois se arrepende e tenta consertar as coisas. Solo é congelado e entregue a Jango Fett, com um destino imprevisível. Por fim, uma das maiores revelações da história do cinema vem a toma em um momento chave - a de que Vader é pai de Luke - num momento eletrizante.

O império contra-ataca, já eleito como o melhor filme de toda a saga, com todos os méritos, é um caso feliz em que uma continuação supera com folga o título original. Curiosamente, o filme é o que menos lucrou na série, talvez pelo tom mais pessimista do que o mostrado no primeiro filme. Sai o clima mais alegre, entra um gélido e sombrio que permeia toda a produção, seja no próprio planeta gelado que serve de batalha com a fotografia glacial que abre a produção, seja na figura de Darth Vader ou nos pântanos onde vive Yoda. 

Claro que o filme envelheceu. Maquetes, miniaturas, fundo azul, animações stop motion e recortes se proliferam pela tela, seguido de marionetes e pessoas vestidas de fantasia de monstros, para desespero de quem é fã das peripécias impossíveis e dos feitos inimagináveis da computação gráfica atual. O próprio Yoda, aliás, não consegue escapar dos trejeitos de um boneco ventríloquo desengonçado, mas isso é o que mantém parte do charme e a beleza da produção. Não dá para exigir nada das atuações - Harrison Ford é o mais canastrão e parece se divertir com tudo e o boneco Yoda é mais expressivo que Mark Hamill.

Por fim, mesmo parecendo mais rico e sofisticado que o primeiro para a época, com uma quantidade maior de efeitos (embalado pelo fato de que Uma nova esperança foi um sucesso estrondoso nos cinemas, o que permitiu visivelmente maiores investimentos desde a concepção artística de cenários requintados até os figurinos e o uso de efeitos especiais) ou mesmo com suas reviravoltas de roteiro, O império contra ataca continua sendo simplista na sua história de luta esquemática do bem contra o mal. O que não deixa de ser uma aventura apaixonante, que mistura romance, ação e fantasia na medida certa.

Cotação: 5/5 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Indomável Sonhadora - 2012



Por Jason

Hushpuppy é uma menina que vive com seu pai em uma comunidade miserável do Lousiana. O homem é viciado em álcool, pobre, completamente ignorante, e está doente. A menina não tem mãe ou qualquer parente conhecido e a relação com seu pai não é das melhores. A comunidade em que vive, em barracos, tira seu sustento de galinhas, peixes e tudo que seja comestível. Durante uma tempestade, tudo fica alagado e os barracos são tomados pela água. Enquanto a maioria das pessoas parte, o pai decide ficar com a menina junto a alguns moradores. Ocorre que a água acaba matando toda a vegetação e os animais por volta de duas semanas depois, complicando ainda mais a situação.

Pegos pelo governo, eles são levados para um hospital, onde a menina, criada no meio de bichos, mato e imundícies, parece não se adequar ao local, assim como seu pai, que foge de lá mesmo sabendo no que isso pode resultar. Como uma fabula sombria, durante todo esse processo, o pai tenta ensinar a menina a se virar sozinha e a ser forte, pois sabe que mais ou mais tarde, irá morrer. Paralelo a isso, a menina imagina um mundo fantástico, com javalis gigantes e um degelo apocalíptico, tanto quanto sua ignorância lhe permite imaginar, enquanto acredita que deixará o seu legado na forma de desenhos, como os homens das cavernas. 

Esse paralelo, aliás, entre a comunidade das "bestas do sul selvagem", ao que o título original se refere, e os homens das cavernas, é um acerto do roteiro adaptado, indicado ao Oscar (além de Direção, filme e atriz). A própria comunidade retratada é feita de pessoas com crendices próprias (uma senhora, por exemplo, usa remédios caseiros e ensina coisas para as crianças) como se vivessem longe da luz dos fatos reais porque não tem acesso a nenhuma informação. Os trovões, na imaginação da menina, levam a crer que algo apocalíptico se aproxima. Para completar, Hush tem contato com um verdadeiro mundo selvagem, na forma de animais em decomposição, morte e podridão que infestam a região - um mundo real e cruel que a direção não hesita em mostrar abertamente. Tudo é seco, cru e exposto - da carne de jacaré cortada e assada, da comida feita pela menina, até os corpos dos animais e suas vísceras espalhadas pelo chão. O estilo de filme, aliás, me lembrou o de Lee Daniels, com a câmera vacilando, os closes indigestos e personagens disfuncionais - o que pode afastar alguns espectadores mais sensíveis. 

O maior acerto, contudo, é a escolha da menina de nome complicado, Quvenzhané Wallis. Ela atua com grande naturalidade, tem presença de cena e conquista o espectador. Mesmo que não seja um arrombo de emoção ou de atuação, Wallis domina o filme, com sua graciosidade e fofura, ao mesmo tempo que imprime força, uma sensação de que está fazendo sua personagem se encontrar no meio daquele caos e demonstra que pode ter uma carreira promissora no futuro. Fiquemos de olho. 

Cotação: 4/5

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O padre - 1994



Por Jason

O padre Greg é mandado a uma paróquia para substituir um antigo religioso. O pároco que o recebe, interpretado pelo ótimo Tom Wilkinson, no entanto, mantém um relacionamento com sua empregada, o que lhe causa surpresa. Mesmo sabendo disso, Greg evita falar de si - e esconde sua condição homossexual: a noite, sai para a balada gay e acaba se envolvendo com um homem, com quem passa a manter um relacionamento amoroso. 

A partir daí, esse parecia ser o grande mote do filme, mas ele acaba metendo o dedo na ferida de um monte de assuntos. Há temáticas como a do celibato, questões sobre a ignorância e a cegueira que a fé é capaz de causar e dos problemas que advém do voto de confissão que acaba deixando o padre Greg angustiado ao saber de um pai que abusa sexualmente da própria filha - e, paralelo a isso, o filme questiona a posição de Deus entre os homens, numa jogada de cena em que o padre está rezando enquanto a menina sofre os abusos e é descoberta pela mãe. Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais Greg passa a questionar não apenas sua fé mas sua posição na igreja - muito mais que a sua posição de homossexual diante da sociedade e do catolicismo.

É de se louvar o fato de que, diante de tantos temas a serem debatidos dentro do filme, envolvendo a igreja, o filme retrate a homossexualidade de Greg de uma maneira que beira a "normalidade" e esse contraste é um ponto mais interessante no filme. Normalidade porque o romance que se desenvolve entre ele e o namorado, nota-se, parece saído de um romance heterossexual convencional, com direito a música romântica ao fundo e beijos ao ar livre, na praia (e estamos em um filme sobre um padre que esconde sua vida privada do restante da população para não cair no desagrado dela). 

Curioso ver, por exemplo, que a cena de sexo entre os dois homens é suave, sensual, mas que não é apelativa. O casal parece ser assim a representação do amor proibido, idealizada pelo roteiro, talvez, como uma forma de gritar para o espectador que toda forma de amor verdadeira é válida, independente de credo, sexo, cultura, religião, etc dos envolvidos. Esse amor vai de encontro ao que é pregado na igreja mas, mais do que isso, acaba por levantar a questão sobre o que pode ser considerado pecado e o que não pode nesse mundo. Por outro lado, se há um questionamento sobre o pecado de Greg em ser o que é, o pai abusador traz uma figura caricatural, unidimensional, que por si só é grotesca, com gestos e forma de falar que o denunciam claramente. É a representação do mal, sem possibilidade de purificação, seja aos olhos da igreja, de Greg, da vítima ou da população.

Isso faz de O padre um filme interessante. Sua abordagem causou polêmica na época em festivais e dividiu opiniões. A direção, embora convencional, é bem calibrada e as atuações são precisas (Tom Wilkinson é maravilhoso). Pesa contra ele o fato de que parece durar mais do que realmente dura. A parte dramática só ganhará notoriedade a partir do momento em que Greg é pego com o namorado por um policial, enquanto está se relacionando dentro do carro, quando a fé da população local na figura do jovem padre começa a se abalar e sua carreira definhar. O final, com a enorme fila para receber a hóstia do pároco e a menina abusada que decide por recebê-la de um padre cheio de "pecados", embora comovente, soa como clichê em um filme que não precisava disso para ser acima da média.

Cotação: 4/5

domingo, 20 de outubro de 2013

Meu malvado favorito 2 - 2013



Por Jason

Na trama, o ex vilão Gru continua se virando como pode para cuidar das meninas, até se fantasiar de fada preciosa para agradar as pequenas. Ele é recrutado para uma operação secreta, já que uma nave em forma de imã gigante roubou toda uma estação na Antártida. Um vilão está desenvolvendo um soro que transforma todo mundo que o usa e o suspeito é um vilão conhecido de Gru, El Macho. A responsável pelo recrutamento é uma agente secreta, Lucy, aloprada como ele e os dois, claro, começam se estapeando de todas as formas. 

Paralelo a isso, Gru tem que conviver com o fato de sua filha mais velha estar envolvida com o filho do vilão. Os minions, aquelas praguinhas amarelas alopradas que sempre que aparecem, roubam a cena - foram sequestrados por um caminhão de sorvete e estão passando pelas experiencias com o soro, transformando-os em bestas roxas comilonas. Não bastassem as pequenas tentando arranjar uma namorada para Gru, ele ainda tem que aturar as investidas da vizinha, que tenta empurrar suas amigas bizarras para que fiquem com ele, mas acaba se envolvendo amorosamente com a Lucy.

Gru ainda tem que resgatar a coitada de um míssil onde foi presa pelo vilão. Essa investida no romance dos personagens é um ponto a favor do roteiro, já que ela acaba por fazer o papel de mãe das meninas ao final, mais do que interesse romântico do pobre coitado. Em contrapartida, o vilão do filme é despachado facilmente da trama e não foge da regra de desenvolvimento nesse tipo de filme. Tudo é simplista demais, do ajudante de Gru que muda de lado e depois volta atrás, ao próprio desenvolvimento dos personagens, que incluem a filha abandonada pelo paquera. Joga a favor porém, uma série de referências - de James Bond, a Alien, em uma cena protagonizada por um galináceo psicopata - e números musicais como o do final, sequências que devem agradar os mais velhos. 

Meu Malvado Favorito 2 custou uma mixaria perto da concorrência - menos de 80 milhões - mas rendeu mais de dez vezes seu orçamento, o que fez dele um dos maiores sucessos (e melhor custo beneficio do ano). A trama, apesar de não inovar nem no final feliz e óbvio, ao menos se torna uma aventura agradável e leve, para crianças e adultos de todas as idades.

Cotação: 3/5

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Django Livre - 2012



Por Tia Rá

Assim, Tarantela neam, nessa mistura dele de pornochanchada, com épico, carnaval, western, drama, terror, e tals, fez essa coisa aloprada chata pra caraio chamada Django Pobre, tipo... Eu num ia me arriscar nessa baixaria, mas aí eu disse, vai que dá né... Deu naum... 

Na moral, eu até entendo, porque os black sofreram né gente... Eu merma fiquei com vontade de entrar no filme dano voadora naquele bando de marvado que deixa o Kanye West ser comido pelos dog. Também as pobre mucama coitada, que apanhavam que nem mala véia até porque quebrarra os ovos, e ficarra ali torturada, muita maldadchy gente! O Django Pobre vai atrás de sua mulata Globeleza, mulé tomava tapa a torto e a direito, tarra toda metralhada e quase toma martelada na cabeça, coitada. Nas hora que começa o tiroteio eu ri, adoro todo aquele baile de extrato de tomate que explodi pra tudo que é lado, queria todos morto kkkkkkkkkkkkkkkk 

O Jango que era livre fica preso, de cabeça pra baixo e tal, com o piu piu solto, quase perde as bola de golfe, coitado. Muito sofrimento! E quando ele encontra o Tarantela, feio como todos os demonio dos inferno, quase morri de tanto que ri porque ele ACREDITOU no papo furado e tipo, EXPLODIU kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ! Melhor que tivesse explodido essa bomba podre que eu ia AMAR! Pois eu ADORO o Tarantela quando ele não se leva a sério e faz as bagaceira, entende? Quando ele, tipo, mata todas, faz tudo xoxo, cheio de defeito, AMO. Mar tirano isso, o filme não vai, num anda, é um sonífero, é dialogo que num acaba maish, sua passiencia vai se estorano, voce quer ver misera e num aparece, fica aquele negoço que parece que num vai acabar noonca. Pelo menos quando acaba todos explode, menos mal kkkkkkkkkkkkkk

Samuel Jacko também tá mais feio que satanás no filme, colocaram tanto make na cara do home que ele parece que veio do Planeta dos Macaco, mar olha, achei ele mió que o Waltz nessa eterna reprise que ele faz em tudo que é filme, né... Leonardo DiCABRA acreditano e ninguém lembrou dele porque num merece mermu kkkkkkkkkkkkkkkkkk Tem os outro coadjuvantchy, mas tipo, num me interessei. Jame Foca meu negaum pirocaum RAY fugino do flop como cão foge da cruz né... Quede indicassaum pra ele, porque desde Charles que o home não aparece nos Uoscar? Como vive o ator no flop. Seria maldissaum do Uóscar? Falta de talento? De uma diressaum melhor? Falta de trabalhos melhores? Preconceito com os black? 

Não perca. Sexta no Globo Reporter.

Cota de paciência da tia: 



1/5

Quase três hora dessa ladainha toda, me economizem, num sou obrigada né gente... AFE

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Amantes Passageiros - 2013



Por Tia Rá

Olha, yo conheço um monte de gente que ama essa bee diretora de filmes insuportaveish como esse, Os amantes passagerozzzzZZZZZZZzzz HIBERNASSAUM. Tudo bem, eu até gosto de alguns, mar gente, nunca vi coisa mais pobre que isso. Amadorishmo total. A trama é bem podre, entaum, depois que eu contar, num venha reclamar viu?

Tá todos viajano pro Mexico ver Paola Bracho num aviaum. Os passagero saum umas coisa lynda. Uma véia poota fracassada que dá pra outro no meio da viage; um véio careca que tem uma fia que virou poota e quer falar com ela; um traficante mula que carrega droga no cool e acabou de casar com uma bitch e no auge do fogo no rabo, papoca a piranha no aviaum mermu; e uma medium vidente cabocla que nem a tia Rá aqui, mar que é virge, nunca deu, aí acaba dano pra um desconhecido no aviaum. Tem um ator flopado no aviaum também, que pegou todas na cidade e uma das hijas de poota quer se matar no viaduto. Todos saum drogado. 

O piloto é casado, pai de dois fio, mas adora papocar o comissario e o co piloto; o outro comissario é poota do copiloto e adora um ballcatchy. Já a outra viada gorda comissaria reza pra santa Maria das Virgens porque tá doida pra dar mar ninguem quer comer. É isso, receba. Num tem nenhuma graça, que nem os esquetes comicos da Porra Total, entende? O filme é bem pobre, bem podre e bem parado. As atuassaum tudo ruim. 

Antonio Bandera, que era garoto de programa nos Mexico, Espanha e tals, quando era mais novo, foi namorado da Almodovar nos começo da carreira, faz participassaum pra tentar ajudar a porcaria. Ele aparece no começo do filme, é ele que deixa os calço dos pneu no aviaum e acaba enrolano, impedino que ele pouse. Mar ele nunca prestou, entaum melhor que num faça nada mermu e fique pouco tempo na tela kkkkkkkkkkkkkkkkk

Cota: 0/5

Só posso dizer uma coisa pra essa bomba...


Naum véi, xapralá...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pecados Inocentes - 2007



Por Jason

Julianne Moore interpreta Barbara, uma socialite, ex modelo, que é casada com um rico, Brooks e ambos tem um filho chamado Tony. O casal parece perfeito às vistas da alta sociedade cheia de frescuras, mas é na vida a dois que o lado B da família fica evidente. Barbara demonstra obsessão com o filho, narcisismo e opressão - e o nascimento abala o casamento ainda mais. Aos poucos, quando vai se tornando adulto, a ausência do pai que se fez notar na infância influencia o comportamento do filho. O pai praticamente não tinha contato com a criança e a ausência de sua presença masculina com a personalidade um tanto neurótica da mãe podem ter influenciado o seu comportamento sexual no futuro. 

Já adulto, Tony, homossexual, mantém relacionamento com rapazes. O afastamento do pai já veio gradativamente, a rejeição se completa quando o filho se torna homossexual assumido, mas a mãe se mantém solitária e sensivelmente desequilibrada com o fato. A tentativa de namorar uma menina espanhola por parte de Tony acaba resultando num caso amoroso do pai para completar a desastrosa relação do casal. A personalidade do rapaz se tornou vazia como a da mãe e há nela uma estranha obsessão e relação incestuosa, como se Barbara quisesse curá-lo e buscasse nele o homem que ela não teve. Para se ter uma ideia do relacionamento dos dois, no ápice da loucura de suas vidas, os dois dividem a cama com o mesmo rapaz e ela o molesta, transa e ao perceber que ele não ejacula, o masturba. Tony parece cada vez mais psicótico. O destino de Barbara não poderia ser outro: desorientada, ela tenta acabar com a própria vida. Mas é o seu próprio filho quem acaba consolidando esse desejo.

O filme é baseado em uma história real, no caso de assassinato que rendeu o livro homônimo publicado na década de 80. Tony, disfuncional como a família, matou sua mãe a facadas, sendo mandado para um hospital prisão. Libertado, Tony foi viver com a avó, e também tentou matá-la a facadas (a mulher sobreviveu). Foi para a prisão e morreu, por suicídio. O filme procura estabelecer a falta de conexão entre a família, o abismo que existe entre as três personalidades diferentes e seus comportamentos distintos. 

Toda a composição dos ambientes e reconstituição de época são bons, mas a abordagem do filme, elegante como um filme britânico, parece destoar do composto (involuntariamente ou propositalmente, isso causa estranheza). O filme parece mais um episódio de série americana desinteressante (é curto, mas arrastado). Falta uma carga dramática maior por parte de outros atores além de melhor desenvolvimento (o namorado dos dois é peça central, entra e some sem dizer a que veio) e nesse contexto, é Julianne Moore que se sobressai. 

Talentosa, uma das melhores atrizes que já surgiram no cinema, Moore consegue captar toda a essência de sua personagem depressiva - toda vez que ela sai de cena, o filme embola. Da mãe instável, perturbada com o relacionamento do filho com outro homem e tentando curá-lo mantendo relações sexuais com ele (num momento no mínimo bizarro e corajoso), passando pela mulher traída pelo marido que se envolve com uma menina mais nova e caminhando para a auto destruição, Moore dá corpo e transforma em realidade tátil uma personagem complexa, carente e fracassada e difícil. A trama poderia ferver mas o filme, no saldo final, parece aquém de sua presença.

Cotação: 3/5  

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Boven is het stil - 2013



Por Jason

Helmer vive uma vida desagradável numa comunidade rural do interior da Holanda. Seu pai está doente, atrofiado em cima de uma cama e é Helmer quem por uma crueldade do destino acaba sendo responsável por cuidar do velho - dá banho, comida, limpa suas imundícies e o mantém na cama, enquanto o pai, sem conseguir andar direito, insiste em lhe dar trabalho. Helmer é grosseiro, reservado e não consegue dialogar com ninguém. Traz no rosto a própria imagem de amargura, reclusão e de sofrimento que parece que não vai acabar nunca. Não é bonito, não é muito educado. Não se conhece seu passado. As conversas entre pai e filho não rendem. Para completar, ele sempre priva o pai de visitas, um peso, um martírio em sua vida com o qual ele visivelmente não sabe lidar. 

Em sua sina, Helmer passa o dia todo no meio dos bichos, cuidando da propriedade rural, de vacas, burros e ovelhas de onde tira seu sustento. Limpa suas imundícies, dá comida, cuida. Não tem uma vida sexual, não se relaciona com ninguém. Esse paralelo entre a vida em que ele leva cuidando de seu pai e dos animais é uma das partes mais interessantes do roteiro. A analogia é clara: a vida de Helmer é ingrata, isolada e solitária - e ele vive praticamente vinte e quatro horas em um beco sem saída, servindo apenas para cuidar das coisas e dos outros. Em seu íntimo, ele anseia se livrar daquilo (verifica se o pai está morto, ouve dele o desejo de morrer, vê o quadro pendurado na parede com uma imagem que lhe parece bonita e decide não jogá-lo fora quando está tentando mudar as coisas dentro de casa) mas nada do que faça parece ser o bastante.

Paralelo a isso, Helmer mantém contato diário com o parceiro de negócios, o motorista do leite que, visivelmente, demonstra interesse nele, mas toda vez que ele investe, Helmer se esquiva e se retrai. Até que surge em sua vida um jovem ajudante para as atividades diárias e, gradualmente, o inevitável acontece entre os dois. É então que Helmer começa a diferenciar a sua vida e as possibilidades que ele abandonou por não saber lidar com seus sentimentos. Quando sabemos um pouco mais sobre seu passado, entendemos o que finalmente o deixou nesse estado e sofremos com o fato de que o personagem se anulou durante boa parte de sua vida a troco de nada. 

É nas atuações que o filme se sobressai porque todos os atores são excelentes. Boven is het stil é um filme difícil, contudo. É seco, a fotografia é monocromática, como a vida de Helmer, ganhando sempre um tom cinza, azulado ou escuro e o sol só parece dar alguma vida a ele ao final do filme. O roteiro sabe trabalhar as nuances do personagem complexo, embora peque por não desenvolver gente que entra e sai na vida dele (o motorista, o jovem ajudante, a amiga). O próprio passado dele é apenas pincelado em alguns diálogos e o final, apesar de sinalizar um novo caminho para o personagem, deixa, de certa forma, um tanto a desejar.

Cotação: 3,5/5

Pra virar filme... ou não! - Conan - A torre do elefante, de Robert E. Howard (Parte 5 de 5)





Capítulo Final

Cautelosamente, ele empurrou a porta de marfim, que abriu-se silenciosamente. Na reluzente soleira, Conan olhava como um lobo num ambiente estranho, pronto para lutar ou fugir. Era uma grande sala com um teto em abóbada dourada; as paredes eram de jade verde, o chão, de marfim, parcialmente coberto por tapetes espessos. Fumaça e um exótico cheiro de incenso saíam do braseiro apoiado sobre um tripé de ouro, atrás do qual estava sentado um ídolo sobre uma espécie de divã de mármore. 

Conan olhava estupefato; a imagem tinha o corpo de um homem nu, de cor verde; mas a cabeça era feita de algum pesadelo e loucura. Era grande demais para o corpo humano; não tinha atributos humanos. Conan olhava as grandes orelhas de abano, o nariz enrolado, ladeado por dois chifres brancos com bolas de ouro na ponta. Os olhos estavam fechados, como se a figura estivesse dormindo.

Era essa então a razão do nome Torre do Elefante, pois a cabeça da coisa era muito semelhante às dos animais descritos pelo nômade shemita. Esse era o deus de Yara; onde mais poderia estar a jóia a não ser escondida dentro do ídolo, já que a pedra era chamada de Coração do Elefante?

Quando Conan se aproximou, com os olhos fixos no ídolo imóvel, os olhos da coisa se abriram abruptamente! O cimério ficou paralisado. Não era uma imagem, era um ser vivo, e ele estava encurralado em sua câmara!

O fato de que ele não explodiu no mesmo instante num acesso de frenesi assassino demonstrava o tamanho de seu terror, que o mantinha grudado ao chão. Numa condição dessas, um homem civilizado iria se refugiar na conclusão de estar louco; ao cimério, porém, não ocorreu duvidar de sua sanidade. Ele sabia estar face a face com um demônio do Mundo Antigo, constatação essa que lhe embotou todos os sentidos com exceção da visão. A tromba da criatura estava erguida interrogativamente, os olhos de topázio fitavam sem ver, e Conan percebeu que o monstro era cego.

Com este pensamento, seus nervos congelados se amoleceram, e ele começou a recuar silenciosamente em direção à porta. Mas a criatura ouviu. A tromba sensível se esticou em sua direção, e o terror de Conan o paralisou novamente quando o ser falou, numa voz estranha, trêmula que jamais modificava o tom ou o timbre. O cimério sabia que aquelas mandíbulas não tinham sido feitas para a fala humana.

- Quem está aí? Você veio para me torturar de novo, Yara? Você jamais fica satisfeito? Ó, Yag-Kosha, quando essa agonia terá fim? Lágrimas rolavam dos olhos cegos da criatura; Conan deteve seu olhar nos membros estendidos sobre o divã de mármore. E percebeu que o monstro não seria capaz de se levantar para atacá-lo. Ele conhecia as marcas da roda de tortura e as cicatrizes do fogo, e por mais que fosse impiedoso, ficou horrorizado com as deformações daqueles que outrora foram membros tão graciosos como os dele próprio. E, de repente, todo o medo e repulsa foram substituídos por uma grande pena. Conan não podia saber o que era esse monstro, mas as evidências de seus sofrimentos eram tão terríveis e patéticas que uma estranha tristeza tomou conta do cimério, sem ele saber por quê. Apenas sentia que estava olhando para uma tragédia cósmica, e encolheu-se de vergonha, como se a culpa de uma raça inteira estivesse sobre os seus ombros.

- Eu não sou Yara – disse ele – Sou apenas um ladrão. Não vou machucá-lo.

- Aproxime-se para que eu possa tocá-lo – implorou a criatura, e Conan se aproximou sem medo, com a espada esquecida na mão. A tromba sensível estendeu-se e apalpou seu rosto e seus ombros, tateando como um cego; um toque leve como o de uma menina. - Você não pertence à raça diabólica de Yara – suspirou a criatura – Você traz as marcas dos desertos limpos e selvagens. Conheço o seu povo desde um tempo antigo, quando era chamado por outro nome,
quando outro mundo erguia seus pináculos ornados para as estrelas... Há sangue em seus dedos.

- Uma aranha na câmara de cima e um leão no jardim – murmurou Conan.

- Você também matou um homem esta noite – respondeu o outro – E há morte no alto da torre. Eu sinto; eu sei.

- Sim – murmurou Conan – O Príncipe dos Ladrões jaz lá em cima, morto pela mordida da aranha.

- Então, então! – a estranha voz não humana elevou-se numa espécie de canto monótono – Uma morte na taverna... uma morte no telhado, eu sei; eu sinto. E a terceira fará a magia que nem mesmo Yara sonha: a magia da libertação, ó deuses verdes de Yag! Novamente as lágrimas rolaram, enquanto o corpo torturado era embalado por diversas emoções. Conan observava, confuso. Então as convulsões cresceram; os olhos meigos e cegos voltaram-se para o cimério, a tromba acenou.

- Escute, humano – disse a criatura estranha – Sei que sou repulsivo e monstruoso para você, não é? Não, não precisa responder; eu sei. Mas você também seria para mim, seu eu pudesse vê-lo. Existem incontáveis mundos além dessa Terra e a vida neles assume muitas formas. Eu não sou nem deus nem demônio, mas um ser de carne e osso como você, embora a substância seja em parte diferente e a minha forma tenha sido fundida em outro molde.

“Sou muito velho, ó homem dos países desertos; eras atrás, eu vim para este planeta junto com outros do meu mundo, de um planeta verde chamado Yag, que gira eternamente na orla desse universo. Viemos voando pelo espaço com asas poderosas que nos levaram pelo cosmo mais rápido que a luz, porque fomos banidos depois da derrota numa guerra contra os reis de Yag. Mas jamais pudemos voltar, pois, na Terra, as nossas asas murcharam. Aqui, vivíamos separados da vida terrestre. Lutamos com as estranhas e terríveis formas de vida que andavam pela Terra então, de maneira que nos tornamos temidos e não éramos molestados nas florestas escuras do Oriente onde morávamos. 

“Vimos os homens evoluírem dos macacos e construírem as reluzentes cidades de Valúsia, Kamelia, Commoria e suas irmãs. Vimos como elas tremeram por causa dos ataques dos atlantes, pictos e lemurianos pagãos. Vimos os oceanos se erguerem e tragarem a Atlântida e a Lemúria, as ilhas dos pictos e as reluzentes cidades civilizadas. Vimos os sobreviventes de Pictdom e da Atlântida construírem seu império da idade da pedra, para depois caírem na ruína, envolvidos em guerras sangrentas. Vimos os pictos afundarem no abismo da selvageria, os atlantes voltarem ao estado simiesco. Vimos novas levas de migrações de selvagens rumo ao sul, vindas do Círculo Ártico, para construir uma nova civilização, com novos reinos chamados Nemédia, Koth, Aquilônia e suas irmãs. Vimos o seu povo ascender dos atlantes, que regrediram ao nível dos macacos. Vimos os descendentes dos lemurianos, que haviam sobrevivido ao cataclismo, surgirem de novo como selvagens que migraram para o oeste, com o nome de hirkanianos. E vimos essa raça de demônios, sobreviventes de uma antiga civilização que existia antes da submersão da Atlântida, adquirir de novo a cultura e o poder, que é este maldito reino de Zamora.

“E isso nós vimos, sem ajudar nem atrapalhar o cumprimento da imutável Lei Cósmica, e fomos morrendo um após o outro; pois nós, de Yag, não somos imortais, embora a nossa vida seja longa como a vida dos planetas e das constelações. Por fim somente eu restei, sonhando com os tempos antigos entre os templos em ruínas de Khitai perdido nas florestas, adorado como um deus pela ancestral raça de pele amarela. Então veio Yara, versado no conhecimento oculto transmitido desde os dias da barbárie, desde antes da submersão da Atlântida.

“De início, ele se sentava a meus pés e aprendia sabedoria comigo. Mas não ficava satisfeito com o que eu lhe ensinava, pois era magia branca, e ele queria a sabedoria do mal para escravizar soberanos e satisfazer suas diabólicas satisfações. Eu jamais lhe ensinaria por vontade própria, os negros segredos que aprendi involuntariamente, sem procurá-los.

“Mas ele sabia mais do que eu imaginara; com a maldade obtida entre as tumbas sombrias da escura Stygia, ele me obrigou a lhe passar um segredo que eu não pretendia desvelar; e, voltando meu próprio poder contra mim, ele me escravizou. Ah, deuses de Yag, minha taça tem sido amarga desde aquela hora!

“Ele me tirou das floretas perdidas de Khitai, onde macacos cinzentos dançavam ao som das flautas dos sacerdotes amarelos, e oferendas de frutas e de vinhos abarrotavam meus altares quebrados. Eu não era mais um deus para o bondoso povo das florestas... eu era o escravo de um demônio em forma humana”.

Novamente, lágrimas surgiram nos olhos cegos da criatura.

- Ele me aprisionou nessa torre que, sob seu comando, eu construí em apenas uma noite. Dominou-me pelo fogo e pela roda da tortura, e por outras torturas tão estranhas e extraterrenas que você jamais entenderia. Há muito eu teria acabado com minha vida, se pudesse, mas ele me mantém vivo, aleijado, cego e mutilado – para obedecer às suas ordens nojentas. E durante trezentos anos, eu obedeci às suas ordens, sentado neste divã de mármore, denegrindo minha alma com pecados cósmicos e manchando minha sabedoria com crimes, porque não tinha outra escolha. No entanto, nem todos os antigos segredos ele conseguiu arrancar de mim, e meu último ato será o feitiço do Sangue e da Jóia. 

“Pois sinto que o fim se aproxima. E você é a mão do Destino. Eu lhe peço, pegue a gema sobre aquele altar”.

Conan voltou-se para o altar de ouro e marfim indicado, e pegou uma grande pedra redonda e escarlate, límpida como um cristal; e reconheceu que era o Coração do Elefante. 

- Por fim, chegou a hora da mais poderosa magia jamais vista até hoje, e que jamais será vista no futuro, por milhares e milhares de milênios. Pelo sangue de minha vida, eu o conjuro, pelo sangue nascido no peito verde de Yag sonhando suspenso na imensidão azul do Espaço.

“Pegue sua espada, humano, e arranque meu coração; em seguida esprema-o deixando o sangue escorrer sobre a pedra vermelha. Desça as escadas e entre na câmara de ébano onde Yara está sentado, envolto nos sonhos malignos do lótus. Pronuncie seu nome e ele acordará. Então coloque esta jóia diante dele, e diga: “Yag- Kosha lhe dá um último presente e um último encantamento”. Em seguida, saia rapidamente da torre; não tenha medo, seu caminho estará livre. A vida humana não é igual à vida de Yag, nem a morte humana é igual à morte de Yag. Deixe-me ficar livre dessa prisão de carne alquebrada e cega, e eu serei mais uma vez Yogah de Yag, coroado pela manhã, reluzente, com asas para voar, pés para dançar, olhos para ver e mãos para tocar”.

Conan se aproximou indeciso, e Yag-Kosha, ou Yogah, sentindo sua indecisão, indicou onde ele deveria desferir o golpe. Conan cerrou os dentes e enfiou fundo a espada. O sangue espirrou na lâmina e nas mãos de Conan, o monstro debateu-se em convulsões e depois caiu imóvel para trás. Certificando-se que a vida o tinha deixado, pelo menos a vida como ele a entendia, Conan se pôs a executar a  macabra tarefa e rapidamente retirou e rapidamente retirou algo que achava ser o coração da estranha criatura, embora esse fosse diferente de qualquer outro que já tinha visto. Segurando o órgão ainda pulsante sobre a jóia reluzente, ele o espremeu com ambas as mãos, e um jorro de sangue caiu sobre a pedra. Para a sua surpresa, o sangue não escorreu por fora, mas foi absorvido pela pedra como se fosse uma esponja.

Segurando hesitante a jóia, ele saiu da câmara fantástica e chegou até os degraus de prata. Não olhou para trás; instintivamente, ele sentia que estava acontecendo algum tipo de transmutação no corpo estendido sobre o divã de mármore, e sentia também que era do tipo que não devia ser testemunhada por olhos humanos. Conan fechou a porta de marfim atrás de si e aí, sem hesitar desceu os degraus de prata. Não lhe ocorreu ignorar as instruções que lhe foram dadas. Parou na porta de ébano, no centro da qual havia uma caveira de prata esboçando um sorriso macabro. Abriu a porta e, dentro do aposento de ébano e azeviche, viu uma figura alta reclinada sobre um catre de seda negra. Yara, o sacerdote e feiticeiro, estava deitado com os olhos abertos e dilatados pelos eflúvios do lótus amarelo, com o olhar perdido nos abismos noturnos além do alcance de um simples ser humano.

- Yara! – disse Conan, como um juiz decretando a destruição – Acorde!

No mesmo instante, seus olhos voltaram ao normal, frios e cruéis como os de uma ave de rapina. A figura alta, vestida de seda, ergueu-se  e ficou bem mais alta que o cimério.

- Cão! – sibilou como uma serpente – O que faz aqui? 

Conan colocou a jóia sobre a grande mesa de ébano.

- Aquele que mandou essa gema, ordenou-me que dissesse: “Yag-Kosha lhe dá um último presente e um último encantamento”. 

Yara encolheu-se; seu rosto escuro empalideceu. A jóia deixara de ser límpida como um cristal; suas profundezas lamacentas pulsavam e tremiam, e esquisitas ondas esfumaçadas de cor mutante passavam por sua superfície lisa. Como que hipnotizado, Yara se curvou sobre a mesa e agarrou a gema nas mãos, olhando nas suas profundezas sombrias, como se um imã estivesse atraindo a sua alma trêmula para fora do corpo. E Conan pensou que seus próprios olhos estivessem lhe pregando peças. Pois quando Yara se levantou do divã, parecera gigantesco; agora a cabeça de Yara mal chegava aos seus ombros. Ele piscou, confuso e, pela primeira vez naquela noite, duvidou de seus sentidos. Então, percebeu, chocado, que o sacerdote estava encolhendo cada vez mais diante de seus olhos.

Conan continuou olhando sem se emocionar, como um homem observa um jogo; imerso num sentimento de irrealidade esmagadora, o cimério não estava mais certo de sua própria identidade; percebeu que estava olhando para evidências externas de um combate invisível entre forças imensas, muito além de sua compreensão.

Agora Yara não era maior que uma criança; depois do tamanho de um bebê, ele esticou-se sobre a mesa, ainda segurando a joia.  Súbito, percebendo o seu destino, o feiticeiro levantou-se de um salto, soltando a gema. Ele continuava encolhendo mais ainda, e Conan viu uma minúscula figura correndo loucamente pela mesa de ébano, agitando os minúsculos braços e gritando numa voz que parecia o guinchar de um inseto.

Agora ele estava encolhido até o ponto em que a enorme joia se erguia acima dele como uma montanha. Conan viu como ele cobriu os olhos com as mãos para se proteger da luz, cambaleando como um louco. O cimério sentiu que alguma força magnética invisível atraía Yara para a gema. Três vezes ele correu ao redor dela num círculo cada vez mais fechado, três vezes ele tentou voltar-se e correr para o outro lado da mesa; em seguida, com um grito quase inaudível que ecoou nos ouvidos do observador, o sacerdote jogou os braços para cima e correu direto para o globo chamejante.

Curvando-se, Conan viu Yara rastejar por cima da superfície lisa e curva como um homem que realiza a impossível façanha de escalar uma montanha de vidro. Agora o sacerdote estava em pé sobre o topo, ainda com os braços erguidos, invocando nomes sinistros que apenas os deuses conhecem. E de repente, ele afundou no centro da jóia como um homem afunda no mar, e ondas de fumaça se fecharam sobre sua cabeça. Agora, no coração rubro da pedra que voltara a ser límpido como um cristal, ele era minúsculo como numa cena distante. E lá dentro apareceu uma figura verde, reluzente, com o corpo de homem e a cabeça de elefante, não mais cego nem aleijado. Yara jogou os braços para cima e fugiu como um louco, com o vingador em seu encalço. Então, a enorme pedra desapareceu como uma bolha de sabão que estoura, num arco-íris de luzes muito brilhantes, e a mesa de ébano ficou vazia, tão vazia como o divã de mármore na sala acima, onde o corpo daquele estranho ser transcósmico chamado Yag-Kosha e também Yogah havia estado.

O cimério voltou-se e desceu correndo a escada de prata. Estava tão perplexo que não lhe ocorreu fugir pelo mesmo caminho que usara para entrar na torre. Correndo pelo sinuoso poço de prata, chegou a uma grande sala ao pé dos degraus reluzentes. Deteve-se por um instante; era a sala dos soldados. Viu o brilho de seus peitorais de prata e das suas bainhas ornadas de jóias. Estavam aglomerados ao redor de uma mesa, com suas plumas escuras ondulando sombriamente acima das cabeças caídas, vestidas com capacetes; eles estavam deitados no meio de seus dados e canecos de vinho espalhados pelo chão de lápis-lazúli manchado de vinho. E Conan sabia que estavam mortos. A promessa havia sido cumprida, a palavra fora mantida. Conan não sabia se foi feitiçaria, ou encantamento ou a sombra das grandes asas verdes que silenciou os inimigos, mas seu caminho havia sido desimpedido. E uma porta de prata estava aberta, emoldurada pela claridade da aurora. 

O cimério saiu para os jardins e, quando o vento da aurora soprou sobre ele a fresca fragrância das plantas viçosas, Conan despertou como de um sonho. Voltou-se indeciso, para olhar para a torre enigmática que acabara de deixar. Ele esteve enfeitiçado ou encantado? Será que tudo não passara de um sonho? A torre reluzente, oscilando contra a aurora rubra, com a borda ornada de jóias brilhando sob a luz crescente, desabou, transformando-se num monte de escombros brilhantes.
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