terça-feira, 22 de outubro de 2013

Indomável Sonhadora - 2012



Por Jason

Hushpuppy é uma menina que vive com seu pai em uma comunidade miserável do Lousiana. O homem é viciado em álcool, pobre, completamente ignorante, e está doente. A menina não tem mãe ou qualquer parente conhecido e a relação com seu pai não é das melhores. A comunidade em que vive, em barracos, tira seu sustento de galinhas, peixes e tudo que seja comestível. Durante uma tempestade, tudo fica alagado e os barracos são tomados pela água. Enquanto a maioria das pessoas parte, o pai decide ficar com a menina junto a alguns moradores. Ocorre que a água acaba matando toda a vegetação e os animais por volta de duas semanas depois, complicando ainda mais a situação.

Pegos pelo governo, eles são levados para um hospital, onde a menina, criada no meio de bichos, mato e imundícies, parece não se adequar ao local, assim como seu pai, que foge de lá mesmo sabendo no que isso pode resultar. Como uma fabula sombria, durante todo esse processo, o pai tenta ensinar a menina a se virar sozinha e a ser forte, pois sabe que mais ou mais tarde, irá morrer. Paralelo a isso, a menina imagina um mundo fantástico, com javalis gigantes e um degelo apocalíptico, tanto quanto sua ignorância lhe permite imaginar, enquanto acredita que deixará o seu legado na forma de desenhos, como os homens das cavernas. 

Esse paralelo, aliás, entre a comunidade das "bestas do sul selvagem", ao que o título original se refere, e os homens das cavernas, é um acerto do roteiro adaptado, indicado ao Oscar (além de Direção, filme e atriz). A própria comunidade retratada é feita de pessoas com crendices próprias (uma senhora, por exemplo, usa remédios caseiros e ensina coisas para as crianças) como se vivessem longe da luz dos fatos reais porque não tem acesso a nenhuma informação. Os trovões, na imaginação da menina, levam a crer que algo apocalíptico se aproxima. Para completar, Hush tem contato com um verdadeiro mundo selvagem, na forma de animais em decomposição, morte e podridão que infestam a região - um mundo real e cruel que a direção não hesita em mostrar abertamente. Tudo é seco, cru e exposto - da carne de jacaré cortada e assada, da comida feita pela menina, até os corpos dos animais e suas vísceras espalhadas pelo chão. O estilo de filme, aliás, me lembrou o de Lee Daniels, com a câmera vacilando, os closes indigestos e personagens disfuncionais - o que pode afastar alguns espectadores mais sensíveis. 

O maior acerto, contudo, é a escolha da menina de nome complicado, Quvenzhané Wallis. Ela atua com grande naturalidade, tem presença de cena e conquista o espectador. Mesmo que não seja um arrombo de emoção ou de atuação, Wallis domina o filme, com sua graciosidade e fofura, ao mesmo tempo que imprime força, uma sensação de que está fazendo sua personagem se encontrar no meio daquele caos e demonstra que pode ter uma carreira promissora no futuro. Fiquemos de olho. 

Cotação: 4/5

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