terça-feira, 1 de outubro de 2013

O aviador - 2004



Por Jason

Indicado a 11 Oscar, o filme de Martin Scorcese conta a história de Howard Hughes, desde a realização do seu filme Hell's Angels (1930) até o lendário e único voo do seu gigantesco avião Hughes H4 Hercules, em 1947. Sua obsessão por fazer o filme o fez comprar um sem número de câmeras e transformá-lo no filme mais caro realizado até então ao custo de quase quatro milhões de dólares. A mídia já o taxava como um fracasso retumbante antes mesmo do filme estrear. Buscando todo realismo possível, Hughes foi para o alto, com câmera na mão, no meio dos aviões, e em determinado momento precisou refilmar toda a produção para colocar som e efeitos sonoros. O filme tratava de personagens na Primeira Guerra Mundial e acabou se transformando num sucesso estupendo, mudando e marcando a história do cinema.

Paralelo a vida de sucesso em Hollywood e nos negócios, a sua vida sentimental foi bastante agitada, tendo relações amorosas com estrelas de Hollywood como Ava Gardner, Katherine Hepburn, Ginger Rogers, e outras. As últimas três décadas da sua vida não foram nada famosas. Leonardo Di Caprio interpreta Hughes, o milionário cheio de obsessões com competência habitual, mas é Cate Blanchett, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, que acaba roubando a cena como a atriz Katherine Hepburn. Inteligente, corajosa e determinada, além de falastrona, Hepburn é a primeira a notar que há algo errado com Hughes. Ambos são excêntricos e parecem deslocados de seu tempo, mas a paranoia e a insanidade de Hughes acaba minando o casamento que já começaria destinado ao fracasso.

Hughes começou a exibir um comportamento alarmante e uma fobia aos germes, levando-o a loucura total. O seu medo dos germes ficou pior com o tempo e sua saúde mental deteriorou a ponto de o tornar uma pessoa alienada, neurótica e paranoica, o que o deixou recluso e fez com que as pessoas se afastassem dele. Em determinado momento, no banheiro, esfrega suas mãos ao ponto de sangrarem e se tranca, sem conseguir tocar na maçaneta para abrir a porta, com medo de ser contaminado. Passa um tempo trancado dentro de um quarto, depois em casa, transformando-a em um paraíso para portadores de TOC, um verdadeiro ninho de rato. É inegável que a história de vida cheia de transtorno e obsessão é interessante e o resultado, de um uma produção requintada como essa, é que o filme segue o rigor técnico das produções de Scorcese, com ótima reconstituição de época, trilha sonora, figurinos, efeitos especiais práticos, etc, o que resultou em outras quatro estatuetas do Oscar merecidamente. 

As melhores passagens do filme estão relacionadas a Katherine Hepburn e, claro, os momentos de voos bem filmados dos aeroplanos de Hughes - até o monstrendo Hércules que, pesado e gigante, faz o seu único voo para a plateia em um projeto dispendioso que acabou não vingando, marcando um momento histórico na aviação mundial (foi um dos maiores aviões que já existiram, criado para a Guerra, mas não ficou pronto a tempo e o projeto acabou cancelado). Outro fato positivo é a visão dada a diva Ava Gardner (Kathe Beckinsale se esforça, mas não convence), como uma mulher um tanto tolerante e generosa, embora tenha Hughes como amante, e que o ajuda em um momento difícil. 

Mas não há como negar que gente entra e sai no filme sem dizer a que veio (Alec Baldwin, Ian Holm, Jude Law e Willem Dafoe são alguns dos muitos). Falta estofo dramático a ele, como se o filme apenas registrasse os fatos e fosse um gigantesco boletim de ocorrência da vida de Howard. Falta também agilidade a ele. São quase três horas de duração que parecem não acabar nunca e com fatos pouco interessantes - o filme carece de maior polimento do roteiro e quando Cate some da tela, algo se perde com ela - o que torna a vida de Hughes uma experiência no mínimo cansativa. Vale, contudo, para conhecer a importância que ele representa, não apenas para o cinema como para a aviação norte americana e despertar o interesse sobre sua polêmica vida pessoal .

Cotação: 3,5/5

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