quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O preço de um escolha - 1996



Por Jason

O filme trata de um assunto ainda polêmico: o direito da mulher de abortar. No primeiro seguimento, Demi Moore interpreta uma jovem que perde o marido mas acaba engravidando do cunhado. Desesperada, ela esconde o acontecimento de todos e pensa em fazer um aborto, mas não sabe a quem recorrer. No auge da paranoia tenta tirar o feto de sua própria barriga usando uma haste, o que a faz confessar a sua gravidez para a ex cunhada (Catherine Keener, uma monstra). É a década de 50, onde as mulheres praticamente não falavam sobre o assunto e onde o procedimento, já bizarro e violento, era realizado dentro da própria casa da mulher por pessoas completamente despreparadas. Através de contatos, ela consegue realizar o procedimento sem que ninguém saiba, mas acaba sofrendo as consequências do aborto realizado na mesa cozinha da própria da casa. 

O tempo passa e a mesma casa é habitada agora por Barbara (Sissy Spacek, excelente), uma mãe de quatro filhos que acaba engravidando novamente. A mulher não dá conta de ser mãe dos quatro que vivem brigando, está estudando, tentando organizar a vida e cogita um aborto. Uma de suas amigas, que já realizou o procedimento, confessa ter se sentido aliviada de ter feito, porque lhe trouxe tranquilidade em sua vida. Ao final, ela recua da decisão e acaba aceitando a criança. Nesse sentido, o filme mostra as consequências de um aborto mal feito com a primeira personagem e a possibilidade de aceitação por parte da mulher de um filho que não é bem vindo no segundo caso.

O terceiro mostra Anne Heche, no papel de uma mulher que engravidou de um homem casado (Craig T Nelson) e não sabe o que fazer. Esconde da família, que são religiosos fervorosos e conta com o apoio da amiga (Jada Pinkett Smith), até que decide finalmente fazer o aborto. O que acontece é que na porta da clínica responsável por abortos, há uma manifestação tentando impedir que mais mulheres realizem o procedimento. O seguimento é dirigido por Cher, que aparece fazendo o papel da doutora responsável pelos abortos e que faz, na pele da doutora, com que o procedimento não seja algo violento para as mulheres, já que elas possuem acompanhamento psicológico.

O preço de um escolha é um filme feito para a televisão, no ano de 96. Os episódios parecem saídos de uma novela. Há de se relevar a atuação de Demi Moore, a mais fraca do time de atores, e de Jada Pinkett, quase prejudicando o composto final. De qualquer modo, o tema, polêmico, atual e sempre urgente, revela no filme como mulheres diferentes encaram o problema e como podem solucioná-los. Essa solução, aliás, nem sempre é a melhor ou mais fácil e a saída não é bem vinda pela sociedade - o fato é que a legalidade do aborto não muda o sofrimento da mulher em qualquer ocasião, seja antes, durante ou depois. O filme não procura julgar nem emitir uma opinião clara sobre a questão da legalidade, apenas registrar o problema de diferentes mulheres diante de uma gravidez não desejada e a procura por uma forma de aliviar um tormento que quase sempre resulta em outro muito pior. 

Cotação: 3,5/5

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