domingo, 13 de outubro de 2013

Pecado da carne - 2009



Por Jason

Confesso que me surpreendi um pouco com esse filme de Israel, Pecado da Carne. Nele, um pai de família, Aaron, se envolve amorosamente com um jovem, Ezri, que acabou de chegar na cidade com a desculpa que está em Jerusalem para estudos religiosos - quando na verdade foi até para ficar com um rapaz. No começo, o jovem só queria passar uma chuva no estabelecimento de Aaron, um açougue herdado do falecido pai. Mais tarde, é dada a oportunidade de trabalhar e morar no andar de cima do lugar. 

O começo dessa relação é amistoso. Ezri, mais bem resolvido, desenvolve empatia e começa a investir em Aaron, que acaba esquivando. Sem conseguir se conter, no entanto, mergulhado em uma casamento frio e obrigado a cumprir uma série de regras religiosas insuportáveis, Aaron se entrega para o rapaz numa cena no mínimo corajosa - dentro de uma saleta do açougue. A partir daí, Aaron tenta a todo custo esconder o relacionamento, que se desenvolve a tal ponto de começar a incomodar o bairro onde mora. Ezri é visto como uma ameaça, um pecador, que vai comprometer a vida não só de Aaron mas como a de todo mundo no local - que os líderes religiosos do lugar acabam por tentar contê-la a todo custo. 

O filme é feliz na constituição do relacionamento amoroso dos dois e leva o espectador a torcer pela união do casal o que, todos sabemos desde o começo, será impossível, já que vivem sobre regras sociais e religiosas tão sufocantes. Notável também é a transformação de Aaron, cuja vida familiar, como ele confessa, está morta, mas que ganha algum sentido com a presença do rapaz. Há algumas sacadas interessantes da direção. Quase sempre depois que os dois se relacionam, por exemplo, a direção salienta o problema que os dois personagens possuem por insistir em um relacionamento fadado ao fracasso - eles ficam sozinhos, cada um no seu canto, olhando o movimento repetitivo da rua, como se não quisessem fazer parte daquele microcosmo; quando estão na cama, não conseguem se separar tão facilmente. Em outro momento, Aaron parece experimentar o toque da pele da própria esposa - e em seguida, repete o gesto com o rapaz, quando percebe que o desejo, que a religião tanto tenta conter, já está aflorando e ele, entre se livrar e se render, opta pela segunda opção. 


Mas o filme é simples demais em diversos aspectos e em determinado momento, isso passa a incomodar. Personagens secundários não possuem muita importância e não se estabelecem, sem criarem vínculos com o espectador - surge um problema desinteressante no meio do filme, com uma das filhas dos religiosos, Sarah, que vai se casar seguindo costumes da família que arranjou o marido para ela, mas ela está envolvida com outro homem. Falta densidade dramática e maior consistência do roteiro: se em um país como o Brasil, que é liberal até demais, a população homossexual sofre com preconceito, imagine então em países de costumes religiosos tradicionais, arcaicos e rigorosos como no Oriente Médio (a homossexualidade é considerada um crime e é punida com a morte em muitos países islâmicos)

Sabendo disso, o contexto em que estão e as ameaças feitas aos dois personagens soam até irrisórias, deixando o filme flutuar, leve, livre e solto até o final pessimista, quando já deu o tiro no próprio pé.

Cotação: 2,5/5






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