quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pecados Inocentes - 2007



Por Jason

Julianne Moore interpreta Barbara, uma socialite, ex modelo, que é casada com um rico, Brooks e ambos tem um filho chamado Tony. O casal parece perfeito às vistas da alta sociedade cheia de frescuras, mas é na vida a dois que o lado B da família fica evidente. Barbara demonstra obsessão com o filho, narcisismo e opressão - e o nascimento abala o casamento ainda mais. Aos poucos, quando vai se tornando adulto, a ausência do pai que se fez notar na infância influencia o comportamento do filho. O pai praticamente não tinha contato com a criança e a ausência de sua presença masculina com a personalidade um tanto neurótica da mãe podem ter influenciado o seu comportamento sexual no futuro. 

Já adulto, Tony, homossexual, mantém relacionamento com rapazes. O afastamento do pai já veio gradativamente, a rejeição se completa quando o filho se torna homossexual assumido, mas a mãe se mantém solitária e sensivelmente desequilibrada com o fato. A tentativa de namorar uma menina espanhola por parte de Tony acaba resultando num caso amoroso do pai para completar a desastrosa relação do casal. A personalidade do rapaz se tornou vazia como a da mãe e há nela uma estranha obsessão e relação incestuosa, como se Barbara quisesse curá-lo e buscasse nele o homem que ela não teve. Para se ter uma ideia do relacionamento dos dois, no ápice da loucura de suas vidas, os dois dividem a cama com o mesmo rapaz e ela o molesta, transa e ao perceber que ele não ejacula, o masturba. Tony parece cada vez mais psicótico. O destino de Barbara não poderia ser outro: desorientada, ela tenta acabar com a própria vida. Mas é o seu próprio filho quem acaba consolidando esse desejo.

O filme é baseado em uma história real, no caso de assassinato que rendeu o livro homônimo publicado na década de 80. Tony, disfuncional como a família, matou sua mãe a facadas, sendo mandado para um hospital prisão. Libertado, Tony foi viver com a avó, e também tentou matá-la a facadas (a mulher sobreviveu). Foi para a prisão e morreu, por suicídio. O filme procura estabelecer a falta de conexão entre a família, o abismo que existe entre as três personalidades diferentes e seus comportamentos distintos. 

Toda a composição dos ambientes e reconstituição de época são bons, mas a abordagem do filme, elegante como um filme britânico, parece destoar do composto (involuntariamente ou propositalmente, isso causa estranheza). O filme parece mais um episódio de série americana desinteressante (é curto, mas arrastado). Falta uma carga dramática maior por parte de outros atores além de melhor desenvolvimento (o namorado dos dois é peça central, entra e some sem dizer a que veio) e nesse contexto, é Julianne Moore que se sobressai. 

Talentosa, uma das melhores atrizes que já surgiram no cinema, Moore consegue captar toda a essência de sua personagem depressiva - toda vez que ela sai de cena, o filme embola. Da mãe instável, perturbada com o relacionamento do filho com outro homem e tentando curá-lo mantendo relações sexuais com ele (num momento no mínimo bizarro e corajoso), passando pela mulher traída pelo marido que se envolve com uma menina mais nova e caminhando para a auto destruição, Moore dá corpo e transforma em realidade tátil uma personagem complexa, carente e fracassada e difícil. A trama poderia ferver mas o filme, no saldo final, parece aquém de sua presença.

Cotação: 3/5  

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