terça-feira, 29 de outubro de 2013

Síndrome da China - 1979



Por Jason

Jane Fonda interpreta Kimberly, uma repórter de matérias rápidas e bobas para uma rede televisão. Um determinado dia, Kim é destacada para fazer uma matéria especial sobre os benefícios de energia nuclear e é levada para uma central nuclear. Durante a reportagem, um incidente num reator faz com que Kimberly, mesmo sem entender muito sobre a energia ali produzida, e seu cinegrafista, Richard, questionem a segurança do lugar. O que a cúpula da central nuclear não sabe é que Richard registrou todo o momento de tensão durante o incidente e tem agora um furo jornalistico.

Acontece que a rede de televisão se recusa a passar o vídeo temendo processos por filmagem ilegal. Richard foge com o vídeo, enquanto Kim começa a investigar mais a fundo o problema. O supervisor de turno, Jack, que estava no momento do incidente, também percebe que a central tem problemas sérios de segurança que podem resultar na chamada Síndrome da China. Esse é o termo usado para designar uma situação imaginária e impossível de acontecer, em que um reator nuclear aquece a ponto de fundir a própria base onde está montado e "afundar" no solo, derretendo tudo o que encontra para baixo. Como a quantidade de energia é absurdamente alta, ele poderia ir derretendo o solo e "mergulhando" cada vez mais fundo, até chegar na China, atravessando todo o centro do planeta. 

Jack começa a ser perseguido e tanto Kim quanto Richard passam a ser pressionados a desistirem do furo. A obsessão de Jack em resolver o problema e livrar o estado de uma catástrofe o leva a descoberta que os dados de segurança eram falsificados e ignorados, culminando na sua invasão a central armado e exigindo uma reportagem e uma declaração ao vivo para Kimberly. Enquanto uns começam a passar a imagem de que Jack é um perturbado e alcoólatra, imagem mantida pela cúpula da central, Kim tem nas mãos a oportunidade de expor a verdade e mostrar que pode ser mais do que a rede Tv quer que seja. Tal ação termina de maneira trágica para os envolvidos, mas a matéria, contudo, vai ao ar e Kimberly, mesmo sentida após os eventos, faz o seu trabalho, passa sua emoção verdadeira e se expõe, emocionada - em uma jogada da direção que deixa o espectador decidir se o perigo que viu era real ou não.

O elenco é afiado, com Jane Fonda no seu melhor momento (indicada ao Oscar pelo filme) como a determinada, segura, mas cautelosa repórter e o excelente Jack Lemmon como o supervisor perseguido pela empresa (Jack ganhou o prêmio de melhor ator de Cannes pelo filme e foi indicado ao Oscar também - o filme recebeu outras indicações ao Oscar em roteiro original e direção de arte). A química entre os dois é excelente. Um jovem Michael Douglas faz o papel de Richard e a direção é de James Bridges, que já tinha em seu currículo a ótima ficção Colossus. James consegue segurar a tensão até o final do final, em jogadas de câmera e cortes precisos (enquanto acompanhamos Kimberly de um lado, no ar, vemos o que acontece no estúdio de televisão, como se fossemos testemunhas dos acontecimentos e como se estivéssemos numa sala de edição do jornal), cenas de perseguições com automóveis, diálogos nervosos e situações complicadas dos personagens, como a própria cúpula da central que, no momento chave, decide matar Jack para evitar que ele fale ao mundo a verdade sobre os acontecimentos. 

O filme ainda serve de alerta para o uso da energia nuclear e em tempos de sinais de um possível colapso de Fukushima que pode vaporizar meio mundo desde que um terremoto gerou um tsunami que arrasou a costa japonesa, Síndrome da China continua atual em sua mensagem. Uma curiosidade: o filme foi lançado nos Estados Unidos no dia 16 de março de 1979 e, por ironia do destino, o acidente com a usina nuclear de Three Mile Island, na Pensilvânia, aconteceu no dia 28 de março, exatamente treze dias depois do lançamento, o que faz a produção ser sintonizada com seu tempo.

Cotação: 4/5

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