sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Filme do dia: Além da eternidade - 1989



Por Jason

Terceiro fracasso da carreira de Spielberg, Além da eternidade conta a história de um romance entre Pete e Dorinda, com roteiro baseado no romance A guy named Joe (o filme é uma refilmagem de Dois no céu, de 1943). Pete, um piloto de avião que combate incêndios florestais acaba morrendo em um acidente, não sem antes salvar o seu amigo Al (John Goodman). Ao fazer a passagem, ele é recebido por uma entidade angelical (a maravilhosa Audrey Hepburn, em seu último filme nos cinemas) que o instrui a voltar para fazer com que um jovem piloto, Ted, aprenda os seus conhecimentos e para Dorinda esquecê-lo.

Pete (Richard Dreyfuss) pentelha o tempo todo e perambula para lá e para cá de forma invisível. Tenta engatar um romance entre o novato Ted - que ri guinchando como um burro - e uma jovem, mas acaba descobrindo que ele está apaixonado por Dorinda. A mensagem que Spielberg parece gritar o tempo todo é a de que a dor da perda uma dia pode dar lugar a novas alegrias. A vida tira algumas oportunidades para dar outras aqueles que perderam seus entes queridos, cabe a cada um aproveitar. A parte interessante é o fato de que Pete é o veículo pelo qual o espectador testemunha como andam os outros personagens após a perda de Pete.  

Na parte técnica do filme, não há do que se questionar nada. Tudo mantém o rigor dos filmes de Spielberg, com fotografia, efeitos, direção de arte, tudo de qualidade (note que a montagem é vigorosa). As cenas de voo são todas bem trabalhadas e se os efeitos especiais envelheceram, a mão de Spielberg para as sequências mais agitadas continua mostrando que o cara é um mestre no quesito porque o filme não tem problema nenhum de ritmo - vide a ótima e ainda impressionante sequência em que Dorinda dá rasantes no meio do fogo para abrir passagem a um grupo de homens que está preso no meio do matagal em chamas. São outros problemas, contudo, que comprometem a produção. 

O elenco não tem química e cada um parece estar atuando sozinho. Holly Hunter, apesar de talentosa, parece fora do tom. Dreyfuss faz as tiradas e as caras que sempre foi especialista. John Goodman tem um personagem simpático e só, mas Deus sabe de onde saiu o tal de Brad Johnson, sem talento e inexpressivo. A trilha é melosa e açucarada. Personagens somem sem dizer a que vieram (o caso da coadjuvante apaixonada por Ted é o mais grave). Melhor que tivessem chamado a Whoopi Goldberg e sua Oda Mae Brown. 

Se o espectador não consegue se identificar com os personagens nem torcer por eles, fica difícil acompanhar a odisseia de Pete transitando pelo mundo como uma alma penada. É aí que o tom leve demais do filme parece jogar contra - é um romance, mas não cativa, não emociona por falta de estofo dramático, como o sucesso Ghost, por exemplo, que traz um tema parecido.  Ao final, quando Spielberg apela pelo melodrama, já é tarde demais.

Cotação: 2/5

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