quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Star Trek Primeiro Contato - 1996



Por Jason

Na trama, uma raça alienígena chamada Borg vai ao passado da Terra para escravizar os humanos. Os Borgs tem alta capacidade de assimilação, transformando desde matérias orgânicas como seres humanos em ciborgues até a própria nave Enterprise. A equipe da Enterprise vai então ao passado para evitar que o programa de assimilação da raça se concretize e acabe com os humanos. 

Sai a tripulação original e entra uma nova, liderada por Jean Luc Picard oriunda da série de tv Star Trek The Next Generation. O elenco principal é formado pelos atores da série e traz Patrick Stewart no papel principal. Patrick é ator calejado e eficiente e cumpre muito bem sua função. Os efeitos especiais são bons e ainda se mantém muito bem até hoje, com o pé na explosão de efeitos computadorizados de meados da década de noventa. O destaque fica por conta da sedutora rainha alien, de Alice Krige (em boa atuação, demonstrando ser boa atriz, mas que nunca teve uma carreira devidamente reconhecida). 

A rainha mistura computação com maquiagem em um bom efeito visual e protagoniza pelo menos uma cena grotesca - a do beijo com o robô Data. Há uma profusão de maquiagem aliás, algumas bem elaboradas como as dos borgs (o filme foi indicado ao Oscar na categoria) e outras desastrosas, como a do referido Data, com lente de contato bizarra e cara pintada para desfilar numa escola de samba (isso vale também para Geordi, que usava um óculos na concepção da série e adotou lentes de contato espalhafatosas na transposição para este episódio no cinema). Outra mudança importante e interessante é a investida na ação. O filme já começa com uma batalha contra um cubo borg gigante e um festival de efeitos especiais e explosões. O resultado é sem dúvidas um filme mais dinâmico, que passa suas quase duas horas muito bem. Mas não dá para fazer vistas grossas aos vários problemas. 

Star Trek Primeiro Contato sofre com a falta de coadjuvantes interessantes. Há o robô Data, numa tentativa fracassada de ocupar um lugar deixado por Spock na tripulação original e ele não consegue chegar aos pés da concepção de Spock. O resto parece descartável e unidimensional, uma falta de melhor concepção do roteiro em trabalhar personagens secundários - a exceção de Stewart e do excelente James Cromwell ninguém atua com destaque. Há coisas mais graves. 

A direção de arte é espalhafatosa demais e os cenários parecem destoar de tudo - se havia nos outros filmes uma tentativa de transpor certa realidade, futurismo e elegância para o ambiente da Enterprise, por exemplo, aqui tudo lembra um filme de ficção cafona da década de 50. A sala do reator parece um carro alegórico ou saída de Batman e Robin. A ponte de comando da Enterprise parece o saguão de um hotel misturando um monte de cores (incluindo uma luz azul que sai do chão da ponte de comando), os ambientes são todos sem inspiração (alguns lembram Star Wars) e a iluminação do filme é problemática. Talvez porque o filme ainda tem aquela indefectível cara de episódio de televisão, talvez um eco ou assinatura do diretor Jonathan Frakes, que atuava na série de Tv e aqui assumiu a direção. Exceto por algumas cenas e a personagem bizarra alienígena, que parece incorporar características de outra série de ficção, Alien, o resultado é uma sensação de filme descartável, esteticamente pobre e sem brilho.

Cotação: 2/5

Funciona bem na ação e aventura (Picard exige fisicamente de Stewart mais aqui do que nos outros episódios, pelo visto). Quem procura por mais do que entretenimento descompromissado, no entanto, pode se decepcionar.

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