segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O fim do mundo - 1951




Por Jason

Vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Especiais, O fim do mundo (também conhecido como Quando Mundos Colidem) traz o astrônomo Dr Cole Hendron e sua filha Joyce, que descobrem um planeta orbitando uma estrela em rota de colisão com a Terra. A solução sugerida pelo astrônomo é a construção de naves espaciais que levem os seres humanos para esse planeta habitável, já que a proximidade entre a Terra e ele possibilitará a viagem e os efeitos no nosso planeta dessa aproximação serão catastróficos. 

O problema é que a maioria dos líderes das nações não acredita que o mundo vai acabar, com a ideia de que diversos corpos celestes passam todo o tempo perto da Terra sem afetarem os seres humanos. Entra em cena o barão industrial Stanton, um homem em uma cadeira de rodas que não se importa com a civilização, apenas com o fato de que tem medo de morrer e quer sair da situação vivo deixando o resto do mundo na tragédia. Stanton exige que sua vaga seja garantida no voo da nave espacial, que só pode levar apenas 40 pessoas para o novo planeta (contra 600 das que estão envolvida no projeto). Um sorteio é sugerido aos envolvidos e o projeto da nave prevê a possibilidade de levar alguns animais, numa espécie de Arca de Noé do futuro. 

Não existe a garantia, contudo, de que eles possam chegar ao planeta e construir uma nova casa para os humanos selecionados. Fica evidente neste ponto, aliás, que o filme de Roland Emmerich, 2012, bebeu desta fonte. A ideia das arcas para levar parte da população que pode pagar por um ingresso como ocorre no filme do diretor alemão, por exemplo, é uma delas (troque as arcas de 2012 pelo foguete e dá no mesmo). Isso sem falar do milionário inescrupuloso e egoísta que decide se aproveitar de uma desistência para poder subir na nave (alguém lembra do milionário russo de 2012?), além do envolvimento e da busca da população mundial pela religião como forma de salvação do desastre que está por vir.

O filme é rápido (80 minutos apenas). Há um triângulo amoroso no centro, que não empolga - entre Joyce, que está noiva prestes a se casar, seu noivo e o personagem David. Esse triângulo, aliás, termina de uma forma estranha: o noivo parece apaixonado pelo amante dela e a entrega de mão beijada para que os dois fiquem juntos e o amante possa ir com eles para o novo planeta (!). Há outros momentos bizarros de roteiro: no auge da aproximação do planeta, o cadeirante milionário mata um homem, seu assistente por 7 anos que quer uma vaga no transporte, mas ninguém demonstra se importar com o crime. Revoltados, os que ficaram decidem lutar com armas de última hora, até que só sobrem as quarenta pessoas destinadas à viagem - mas a confusão misteriosamente é deixada de lado pelo roteiro. Tamanha loucura faz com que o milionário, de cadeira de rodas, até ande milagrosamente (!) no momento que é deixado para trás.

Mas o melhor do filme fica mesmo por conta dos efeitos especiais. Portentosos para a época, sofríveis nos dias atuais, a aproximação do planeta Zyra começa a ser sentida como um terremoto, para agonia do milionário que achava que tinha perdido sua fortuna num projeto sem futuro. Em seguida, o mar começa a se deslocar e ondas gigantes invadem os continentes arrastando tudo e chegando, inclusive, a Nova York (sempre ela) numa sequência copiada descaradamente por Roland Emmerich (ele de novo!) em O dia depois do amanhã. A destruição acaba quase afetando o lançamento do foguete - e tome maquete sendo destruída, para desespero dessa nova geração fã de efeitos especiais em CGI.

E o que falar dos recursos usados pela direção de arte e cenários? As cadeiras da nave mais parecem cadeiras de praia; o interior da nave lembra um ônibus coletivo e o planeta novo nada mais é do que um quadro pintado pendurado ao fundo da cena que, misteriosamente, possui duas pirâmides no horizonte. Extraterrestres? Toda essa ingenuidade da produção se reflete no filme, feito na era pós II Guerra Mundial e pré corrida espacial, quando o homem ainda não tinha muito conhecimento a respeito do espaço. Os homens, aliás, que vão para o planeta, não usam trajes espaciais, não possuem tecnologia para pesquisarem a composição atmosférica ou a gravidade antecipadamente e sequer se importam com os efeitos que esse astro pode causar com sua chegada nos outros planetas do sistema solar. Como bônus, a nave, por fora, lembra um foguete nuclear, viajando como um míssil pronto para explodir o novo lar. Ecos da Guerra Fria? Seria o planeta Zyra uma ameaça aos EUA e ao planeta como a União Soviética? 

Mais metafórico que isso, impossível.

Cotação: 3/5

Preste atenção: na representação da ONU, numa cena em que as nações se reúnem, que inclui o Brasil (e o nosso representante falando, ainda bem, português e não espanhol).


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