quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cherry 2000 - 1987



Por Jason

A ficção começa com o personagem Sam encontrando o amor de sua vida num jantar romântico. Sam acredita que ela é a mulher e esposa perfeita. Há, contudo, alguma coisa errada com sua sensual amada. Ao iniciar um envolvimento sexual com Sam, enquanto a máquina de lavar enche o cômodo de sabão, a mulher entra em curto. Sim, ela é um androide, um modelo Cherry 2000 que, devido ao que ocorreu, não tem mais conserto. Para ter um outro modelo idêntico (ele ignora os outros, desejando pela mulher que perdeu como se ela fosse real), Sam precisa arranjar o corpo e implantar as memórias nela com o chip que foi recuperado e é considerado valioso por causa do modelo especial ultrapassado.

Para encontrar outra Cherry, ele contrata os serviços de Edith E. Johnson, a ruiva Melanie Griffith (linda, de cabelo ruivo), com seu Mustang vermelho turbinado. A outra Cherry só existe em um lugar chamado Cemitério de Androides, perdido num deserto pós apocalíptico desse futuro estranho. Sam não tem sorte com mulheres de carne e osso. A maioria delas, aliás, parece resumida a prostitutas nesse futuro deslocado, já que se interessam apenas pelos homens que podem por elas pagar. A ex namorada é desequilibrada e abandonou tudo para viver numa espécie de oásis, um rancho com uma gang Mad Max mas sem os punks e com gente que parece de férias eternamente. O envolvimento de Sam e Edith torna-se inevitável.

Cherry 2000 é um clássico B da sessão da tarde e traz uma série de referências. O quarto do motel, por exemplo, é iluminado como uma sequência de Terminator (a trilha também parece copiada descaradamente) e o próprio herói, a determinada altura, é filmado  como um Kyle Reese da trama de James Cameron (até mesmo guardando a arma dentro da jaqueta que veste). Robôs de O dia em que a terra parou (1951) e O planeta proibido (1956) surgem na tela ao fundo de algumas cenas e West World (1971) parece ser revivido na cena em que Sam adentra um bar com ares de Velho Oeste. Os carros e as gangues do deserto parecem ter saído de Mad Max (1979) e a Las Vegas coberta de areia deve ter servido de inspiração para o péssimo Paul W.S. Anderson no trash Resident Evil 3

O filme mistura ação, aventura, romance, comédia e ficção de uma maneira sofrível. As atuações, como de praxe em filme B, são um fracasso total: Melanie Griffith, apesar de linda, parece dopada e lendo o texto no automático, diferente de sua atuação indicada ao Oscar pelo divertido Uma secretária de futuro. O herói é inexpressivo (David Andrews, de Apolo 13, Clube da Luta, Guerra Mundial Z, que melhoraria com o tempo), reagindo da mesma maneira não importando o que se passa ao redor - o verdadeiro robô do filme. O vilão é daí para baixo. As sequências de ação são involuntariamente risíveis, deixando no ar aquele gosto indefectível de tosqueira dos anos 80. Há algo de inesquecível nelas no entanto: quem não se lembra do Mustang vermelho preso por uma grua ou da sequência final em que o herói, ao perceber que mulher boa era a real e não um robô, pede para a androide ir buscar uma pepsi no meio do deserto só para se livrar dela?

Mais saboroso impossível. 

Cotação: 2/5

Vale para relembrar que um dia fomos felizes vendo Sessão da tarde.


Um comentário:

  1. Classico trash mas com inituito de parecer sério.. parecia o "modus operandis" dos filmes nos anos 80.. Melanie Griffith era linda mas mediana. Sessão da tarde já foi sexy..hahaha !! Redhead Rules !!!

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