sábado, 25 de janeiro de 2014

Cronos - 1993



Por Jason

Em 1536, o alquimista Humberto Oganelli desembarcou em Veracruz, no México. Lá ele criou um objeto de ouro chamado Cronos, que concede vida eterna a quem o detém. O homem morre quatro séculos depois e seu corpo é encontrado como se ele tivesse pele de mármore. O conteúdo da mansão é leiloado. 

Com isso Cronos chega às mãos de um vendedor de antiguidades Jesus Gris que, acidentalmente, dispara seu mecanismo. Aos poucos ele percebe que seu corpo está rejuvenescendo, mas também passa a ter uma obsessão por sangue. Um comprador de antiguidades, vítima de câncer, persegue o objeto e acaba tentando roubar, com seu sobrinho capacho, a relíquia de Jesus. Ele quer a vida eterna do aparelho. Jesus precisa lutar não só contra o homem mas contra os efeitos colaterais do instrumento, que o fazem até desejar atacar sua família em sua sede de sangue.

Cronos já mostrava o talento de Del Toro no uso de iluminação, de cenários e o estilo sombrio que se tornaria sua marca até mesmo em filmes como Círculo do Fogo (Cronos é o primeiro longa metragem do diretor mexicano). Ambicioso, o filme foi o mais caro do México até a época. Os atores estão todos bem, incorporando toda a piração do roteiro (do próprio Del Toro) de maneira convincente - a menina e sua frieza, principalmente. O elenco tem a participação de Ron Perlman, habitual colaborador do diretor e a maquiagem do filme é outro ponto a favor, já que as produções de Del Toro sempre demonstram qualidade técnica acima da média. Mas o roteiro esquece do principal que é criar o mistério em torno do instrumento e dar alguma densidade a trama arrastada. 

O segredo, por exemplo, é revelado logo no começo da trama, tudo mastigado. Falta terror e suspense ao filme - parece muito mais um drama raso de um homem condenado pela imortalidade do que um filme de vampiro em si. Há os sinais do bizarro, típicos de Del Toro - em determinado momento, Jesus lambe o sangue deixado por um homem ferido na pia do banheiro - e metáforas - o próprio nome do personagem Jesus e seu sacrifício para livrar a família do seu martírio. Por fim, o filme não deixa nada para o espectador deduzir nem se envolver com a mitologia em torno do curioso objeto, que, ao final, termina destruído, sem deixar brecha para que o seu efeito encantador e ao mesmo tempo destruidor prossiga através de outras gerações.

Cota: 2/5

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