terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Estação 44 - 1990



Por Jason

Todo mundo está cansado de saber que Roland Emmerich é um dos piores diretores que já existiram em toda a história do cinema. Muito antes de realizar fracassos como 10000 AC e O ataque, e conseguir sucessos milionários como Independence Day e 2012, Emmerich já demonstrava ser obcecado por destruir tudo em seus filmes. E Estação 44, quarto filme do diretor, já era um atestado, lá no longínquo ano de 1990, de sua megalomania.

Antes de qualquer coisa, não adianta dizer que a culpa do filme ser ruim é de orçamento apertado. Um diretor como Steven Spielberg realizou, praticamente com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, o excelente suspense Encurralado em 1971. James Cameron, com 150 mil dólares, conseguiu fazer de O exterminador do futuro um clássico inquestionável do gênero poucos anos antes. Há ainda exemplos como Peter Jackson, no espetáculo trash Fome AnimalEstação 44 custou 7 milhões de dólares, uma mixaria no mundo atual, padrão de filme de terror barato com algo retorno nos moldes de Atividade Paranormal - sem contar que foi realizado na Alemanha, longe da inflação das produções de Hollywood. O problema do filme, logo, não se trata de questões orçamentárias, ele já começa pelo roteiro. 

A trama, embora pudesse render algo digno de nota, é simplória, como em todos os filmes de Emmerich (a exceção deve ser Anônimo, de 2011, em que ele arriscou Shakespeare). Uma lua, a estação 44 do título, está ameaçada de ser assaltada como as outras, por sabotagem. Lá há maquinários processando minérios para corporações gananciosas que valem bilhões de dólares, pois a Terra está combalida pela falta de recursos minerais. Um grupo de prisioneiros que cumprem suas penas com trabalho pesado é recrutado para a missão e o filme passa quase todo o tempo mostrando o treinamento desses homens e os desentendimentos entre eles até se tornarem uma equipe (com direito a amizade suspeita de dois deles e tudo mais) já que todos, teoricamente, são suspeitos de sabotagem por causa da ficha corrida de cada um. O herói, Michael Paré, é chamado e levado junto com esses prisioneiros para descobrir quem está por trás dos ataques. Não há um personagem sequer digno de nota - todos são desinteressantes - e o roteiro agoniza e se arrasta até o final, quando finalmente há alguma ação (uma surpresa, em se tratando de Emmerich).

O filme não tem uma nota autoral e tenta misturar tantos gêneros (incluindo um suspense porco de dar dó) mas não funciona em nenhum. Emmerich chupa descaradamente conceitos visuais e estéticos de outros filmes de sucesso, como Aliens (a nave passeando no espaço é uma cópia piorada da bela Sulaco, do filme de James Cameron, bem como a lua com sua atmosfera nebulosa que parece ter saído do mesmo filme), Outland (a própria estação), dentre outros. Aliás, Emmerich já imitava os outros desde muito cedo. Seu primeiro filme, um fracasso espacial, nascia em 1984 sob o título de princípio da Arca de Noé, uma versão pobre misturando 2001 (tem até nave rodando lentamente no espaço) e Alien. Seu sucesso estrondoso de bilheteria, por exemplo, foi com Independence Day, uma cópia descarada de Guerra dos Mundos. Ele parece que repetiu takes desse filme em O dia depois de amanhã, Godzilla, 2012 e O ataque (notem os ângulos de câmera das naves durante os voos). Ou seja: é Emmerich copiando até ele mesmo!

Para piorar a situação do espectador desavisado, por todo o filme povoam conotações homoeróticas. Além dos homens sem camisa que desfilam aqui e ali seus músculos, a relação entre o furioso Jake (o grandalhão Brian Thompson, revelado em Terminator e que nunca prestou) e o policial sensível e hesitante Stone (Paré) começa no tapa praticamente numa clara conotação homossexual (falta de aceitação da sexualidade?) e termina quase aos beijos, com o grandalhão em sacrifício no lugar do outro. 

No meio do filme, o espectador é brindado com uma sequência de tensão sexual entre os homens seguida de estupro. A vítima é um pobre e indefeso jovem, enquanto o estuprador é um loiro grandalhão feio (Sonhos eróticos do Emmerich? Abusos na infância? Freud explica). E a vítima, claro, faz sua vingança durante a operação, jogando o helicóptero em que o algoz estava contra um paredão. Stephen Geoffreys, de A hora do espanto, mais tarde viria se tornar astro de filmes pornôs gays e por fim, Dean Devlin (que se transformaria no parceiro de Emmerich em diversas produções como produtor) aqui mais parece fazer parte de um triângulo amoroso enquanto Paré distribui seus olhares de sedução aos homens. Não é de se admirar, portanto, que o design da própria estação traga traços fálicos com torres cilíndricas e que Emmerich, em sua obsessão sexual pelos homens do elenco, achou melhor filmar a nave como um falo gigante.

O elenco, aliás, é de mal a pior. Além dos péssimos Brian Thompson e Dean Devlin, sobra até para o incansável e talentoso Malcolm McDowell, que um dia fez clássicos como Laranja Mecânica e A viagem dos condenados e até hoje vive de esmola em produções (a maioria de quinta categoria). Mas nada supera o canastrão Michael Paré. O ator, que chamou atenção logo na tv quando estreou, tinha tudo para decolar, mas nunca viu o sol dos grandes astros e morreu na praia tentando se tornar o que nunca foi. Quanto a Roland Emmerich, todo mundo sabe o que o destino o reservou. Dois anos depois ele chegaria aos cinemas com Soldado Universal, que tinha tudo para ser uma fitinha esquecida no limbo das locadoras, mas acabou se tornando cult e impulsionando sua carreira ao primeiro grande sucesso, Star Gate

Claro que Estação 44 tem sua cota de explosões, afinal estamos num filme de Emmerich. Em todos os seus filmes, deve-se dar o crédito para o uso de efeitos especiais - e aqui não é diferente. O diretor consegue até um bom resultado no uso dos efeitos visuais e suas maquetes, principalmente nas cenas de batalhas, uma prova de que ele aprendeu direitinho copiando os mestres. Resta saber o que ele prepará para explodir na sequência de Independence Day, prevista para estrear em 2015. O nosso pobre sistema solar?

Cotação: 0/5

OBS: no Brasil, o filme ganhou um subtítulo ainda pior ao ser lançado na época para o mercado de home vídeo, "Estação 44 - O refúgio dos exterminadores"

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