quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Extermínio - 2002



Por Jason

Após invadirem um laboratório com macacos contaminados pela raiva, um grupo de ativistas acaba liberando uma infecção por um vírus mortal. Vinte e oito dias depois, Jim (Cillian Murphy) acorda num hospital de Londres com a sensação de que toda a humanidade evaporou. Ao investigar o ocorrido, Jim acaba se deparando com dois sobreviventes, entre elas Selena, que lhe explica a situação: uma infecção se espalhou e transforma os contaminados em espécies de ferozes e raivosos zumbis. A infecção age em apenas vinte segundos e uma vez contaminada, a pessoa deve ser morta.

Mais tarde, Jim e Selena acabam refugiados com outro sobrevivente e sua filha, que vivem presos em um prédio rodeado por infectados. Eles captam uma transmissão de soldados informando que há uma solução para o caso. Eles decidem então seguir o rastro da transmissão supondo que os soldados podem protegê-los. No meio do caminho, claro, estão os infectados e a construção da relação entre os sobreviventes, que se dão magicamente bem, sem demonstrarem a diferença de personalidades (incrivelmente, não existem conflitos entre eles).

Danny Boyle faz da produção muito menos um filme de terror e muito mais um estudo do caos. Há, claro, momentos de suspense, como a histeria dos infectados correndo atrás dos sobreviventes, presos no túnel. Borra com sua câmera uma plantação de flores e pinta um quadro tão surreal como a própria situação dos personagens. Não poupa o público de cenas envolvendo crianças infectadas e de violência grotesca, contrastando com cenas de comercial de margarina com cavalos galopando em campos verdejantes ao som de coral religioso. Nesse futuro pós apocalíptico, os sobreviventes vivem em estado de degradação total, escondidos como bichos em seus lares, sem água e muitas vezes sem energia elétrica. É o ponto mais baixo da humanidade. A cidade está vazia e devastada, com seus cadáveres amontoados, mas o diferencial aqui é que as criaturas se movem rapidamente - diferentemente dos filmes dos zumbis lerdos que o público estavam acostumados a ver nos cinemas. 

Cillian Murphy, em sua primeira parceria com o diretor, ganhou aqui a oportunidade de ser descoberto pelo mundo. Talentoso, o irlandês é ponto alto no filme. A personagem Selena de Naomie Harris é outro ponto importante. De uma mulher sem sentimentos, sem planos para o futuro, capaz de assassinar o companheiro imediatamente após uma contaminação, Harris consegue fazer a transição para uma pessoa mais esperançosa e mais vulnerável, mas ainda assim guardar inteligência para escapar do perigo de ser estuprada por soldados desequilibrados. E há os poréns.

O filme tem o ótimo Brendan Gleeson relegado a artigo de luxo, desperdiçado de maneira ridícula pelo roteiro em uma cena constrangedora (ele dá um chute para espantar um corvo e é atingido por uma gota de sangue contaminado (!)). A terceira parte do filme vira o lugar comum, com direito a mansão para se proteger dos zumbis (Resident Evil?), chuva, trovoada e a clicheria com os soldados unidimensionais e estereotipados que estão surtados com a situação. Jim passa então de sobrevivente de uma infecção zumbi para um herói de ação nos moldes de Rambo - escapa de ser executado, se finge de morto e vai atraindo os inimigos para eliminá-los e enfim salvar as donzelas em perigo. 

Extermínio deixa de ser um filme de terror e suspense e passa a ser um filme de ação, mimetizado em maior escala recentemente, pela super produção Guerra Mundial Z, enquanto Danny Boyle tem os seus momentos Michael Bay, picotando cenas em que fica impossível saber o que acontece. Não precisava, o filme sobreviveria muito bem sem isso.

Cotação: 3/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...