domingo, 26 de janeiro de 2014

Krull - 1983



Por Jason

Na noite do casamento de seus filhos, dois reis que não se dão bem veem um exército de assassinos invadirem o castelo durante a cerimônia e raptarem a princesa. O príncipe, um jovem guerreiro, fará de tudo para salvar a mocinha, que é levada para a Fortaleza Negra, onde é aprisionada pelo vilão conhecido como a Besta. Assim começa Krull, essa estranha fantasia inglesa fracasso de crítica e de público, que ganhou status de cult com o passar dos anos.

No caminho para a Fortaleza Negra, o príncipe ganha a ajuda de personagens desajustados, como num episódio de Caverna do Dragão. Há o mágico atrapalhado que já entra em cena se transformando em um ganso falastrão, ladrões, um velho vidente (que deve ter inspirado a versão idosa de Shang Tsung, personagem do Mortal Kombat), uma criança descartável, um grande ciclope com maquiagem ruim, dentre outros. A coisa toda tem um clima de O hobbit: troque os anões e encha a tela de tipos exóticos que dá no mesmo. 

Embora tenha boa direção de arte e interessantes cenários, muitas vezes grandiosos, a mistura do roteiro é bem indigesta: ao cruzar as terras amaldiçoadas todos sofrem com os ataques da besta. O exército de assassinos, por exemplo, parece uma raça alien saída de algum episódio perdido de Star Wars ou de Duna. As criaturas se escondem em capacetes e se desmancham todas as vezes que são mortas. Disparam raios lasers e sempre que entram em combate, atacados por espadas, soltam faíscas como sabes de luz. Já os mocinhos, por sua vez, mais lembram cavaleiros medievais.

E aqui é de se notar também uma pitada de O senhor dos anéis na mistura, com artefatos mágicos e o cosplay pobre de Sauron, a própria Besta, que tenta apagar sua localização toda vez que tentam invocá-lo - e fica enchendo a paciência do povo. O seu conceito visual parece fruto de uma combinação entre o Monstro da Lagoa Negra (ele tem cara de sardinha) com os gremilins. Sai o anel que dá poderes a quem o usa e entra o bumerangue encontrado pelo príncipe na dublê da Montanha da Perdição. O espectador ainda é brindado com a versão paraguaia albina de Laracna da trama do anel, aqui servindo de guarda a uma bruxa do tempo dentro de um casulo. Apesar de pouco tempo em tela, a bruxa é um personagem interessante e se destaca dos demais: ela foi responsável por matar o próprio filho ao ser deixada por um homem que ela amava e agora este homem retorna pois ela possui a localização da Fortaleza. Dito tudo isso, não é de se admirar que Krull foi o precursor de filmes do gênero da década de 80, aliás, como lenda, Conan, Willow e O labirinto, todos verdadeiras saladas cheias de imaginação. Acrescente uma pitada de lições de moral sobre como o amor é capaz de salvar, a importância da amizade e a necessidade de se lutar contra as tentações - a besta é um pentelho dos infernos - e está pronto o prato completo.

O filme é do mesmo realizador de Bullit e Testemunha Fatal, Peter Yates. Toda a trama de fantasia se passa em um planeta que dá nome ao filme, embora não se saiba muito sobre sua geografia ou fauna. O espectador sofre com a trilha sonora histérica e descontrolada de James Horner, que adentra de forma incansável as cenas, muitas vezes deslocadamente. Sofre também com os atores: Ken Marshall (de Os deuses devem estar loucos 2 e a série de tv Star Trek), aqui aparece cabeludo, jovem e inexpressivo, sem conseguir passar nenhuma emoção ou importância para o personagem. Ele lembra um Chris Pine, que deve ter o mesmo destino dele, o fracasso na carreira, se não começar a mostrar serviço fora da nova série cinematográfica Star Trek. Isso vale também para a princesa, relegada a fazer caras e bocas com seus cabelos ruivos enormes que devem ter inspirado a Pixar e sua Merida, de Valente. Como bônus, uma série de efeitos que envelheceram miseravelmente. 

Fique de olho: o filme ainda traz um jovem Liam Neeson (que já tinha cara de velho) praticamente entrando mudo e saindo calado.

Cotação: 1,5/5

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