quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Na hora da Zona Morta - 1983




Por Jason

David Cronenberg dirigiu essa adaptação do livro de Stephen King que conta a história de Johnny (Christopher Walken), um professor que está prestes a pedir a namorada em casamento. Após sofrer um acidente com seu carro, Johnny vai para o hospital e acorda cinco anos depois de um coma profundo. O que ele descobre mais tarde é que pode visualizar o passado e o presente através do toque e - melhor - pode evitar certas ações. 

As obras de Stephen King sofrem com má adaptações para o cinema e para a tv (Under the dome é mais um trabalho insuportável). Para cada Carrie A estranha de De Palma aparecem dez Apanhador de Sonhos. Dito isso, com esse argumento e com David Cronenberg na direção, poderíamos ter um filme no mínimo bizarro (é o Cronenberg) e interessante. Só que apesar da premissa, da direção correta e mesmo tendo no elenco um Walken esforçado e Martin Sheen como um político corrupto, Zona Morta é um filme frouxo, que não decola.

No meio do caminho, por exemplo, surge Tom Skerritt, como um xerife que precisa de ajuda na resolução de assassinatos em série de jovens meninas adolescentes. Só essa parte daria um thriller excelente de suspense. Mas a trama é subtraída, rapidamente o assassino  é revelado por Johnny, somos levados para as consequências do ato e fim de papo. Entra bruscamente outro roteiro, o de uma trama política e a coisa muda completamente de direção. 

Johnny é chamado por um político para ajudar o seu filho recluso e prevê a morte do menino (e isso, de novo, servirá muito pouco dentro do roteiro). Pouco depois, entra em contato com o candidato a vaga no senado de Martin Sheen e descobre toda a tramoia envolvendo o homem. Paralelo a isso, o espectador tem que suportar a trama embolada de relacionamento mal resolvido de Johnny, que ainda gosta da mulher que perdeu e que seguiu com sua vida quando ele entrou em coma (pior, ela está apoiando o candidato inescrupuloso). 

Todo o roteiro tenta condensar assim tudo de uma única vez: temas como maldição e dom (Johnny reclama para o xerife da sua condição, sendo que este acredita ser uma benção, numa cena rápida), heroísmo, sacrifício, responsabilidades, a fama, o assédio, o preço que se paga por ser quem ele é, etc. Só que tudo vai se esvaindo às pressas ao longo de pouco mais de uma hora e meia de duração. Para completar, o final, pessimista, dá o golpe de misericórdia em uma produção que tinha tudo para ferver mas resulta num conjunto morno e superficial.

Cotação: 2/5

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