quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Planeta Vermelho - Red Planet - 2000



Por Jason

O ano 2000 entregou para o público pelo menos três filmes ruins sobre viagem espacial, todos fracassados: Supernova, Missão Marte e, dois meses depois da estreia deste, em novembro, o Planeta Vermelho. Os dois últimos se passam em sua maior parte em Marte: Hollywood tentava colocar o planeta e as viagens espaciais novamente em alta depois do lançamento das sondas da Nasa para mapearem e escarafuncharem a superfície do planeta menos de três anos antes. Mas, na concorrência, Missão Marte, de De Palma, acabou se dando um pouco melhor que este retumbante fracasso. 

Não é culpa do orçamento. Planeta Vermelho estreou com orçamento de grande produção pela Warner (80 milhões de dólares, 20 a menos que o concorrente direto pago pela Disney) bancados para rechear o filme de efeitos especiais. Também não é culpa do elenco de nomes conhecidos, como Carrie Anne Moss (então em alta na época, como a Trinity de Matrix), Val Kilmer (ainda em boa forma física, mas já dando demonstrações de fracasso em sua carreira porque sempre foi canastrão), o veterano Terrence Stamp (que entra e sai completamente ignorado pelo roteiro) e Tom Sizemore (a cara das drogas). Trazia também um plot que parecia interessante. O filme fala da ida do homem a Marte no futuro próximo, onde o planeta Terra está combalido e suas reservas naturais se esgotaram e Marte parece a saída para a humanidade através do processo de terraformação. 

Mesmo assim, o filme não decolou porque tudo em Planeta Vermelho é um erro. A começar pelo design dos cenários da espaçonave, que parece saído de alguma série de tv como Perdidos no Espaço ou Star Trek. Essa falta de comprometimento com a realidade do ambiente onde a trama se passa deixa uma sensação de superficialidade terrível - é difícil para o espectador comprar a ideia. Os figurinos - os trajes espaciais usados pelos personagens - parecem saídos de uma ficção de quinta categoria da década de 50. Todo o material lembra lixo reciclado. A fotografia com o filtro amarelado revela que os profissionais do filme não tinham estudado nada sobre o cenário do planeta (que tem atmosfera cinzenta visto de sua superfície e aqui se tornou amarelado, dando uma coloração hilária amarelada para a pele dos personagens, como se estes estivessem com hepatite).

A falta de cuidado se estende para o roteiro. Todos os personagens, a exceção da cosmonauta de Carrie, são desinteressantes e unidimensionais. Ela, aliás, é relegada a ficar se virando nos trinta dentro da nave combalida em órbita do planeta enquanto outros três estão na superfície marciana dando uma de McGyver para mandar uma mensagem de socorro usando um jipe enviado para lá cinquenta anos antes. Não há suspense, o drama é superficial, não há aventura ou horror. A ação é ruim. Não bastasse o descaso, o espectador é obrigado a aturar um robô filho de Transformers, de aspecto felino, que sofre de esquizofrenia porque levou umas batidas na cabeça durante o pouso - e sabe lutar todas as modalidades de artes maciais possíveis. Nada comparável as baratinhas marcianas explosivas e assassinas, herança dos escaravelhos comedores de gente de A múmia

Um verdadeiro (e caro) espetáculo trash

Cotação: 1/5

Só vale pelos efeitos especiais e pela agradável presença de Carrie Anne Moss, a eterna Trinity, que era uma promessa para o cinema no começo da última década e desapareceu dos holofotes com filmes medíocres. Carrie está creditada no elenco de Pompéia, produção que será lançada este ano.

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