segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Diana - 2013



Por Jason

O filme abre com Diana no hotel poucos minutos antes de sair e entrar no carro para a sua última noite de vida. Do lado de fora, um batalhão de pessoas aguarda. A câmera aqui funciona como um paparazzi, colada na personagem o tempo todo, como se a perseguisse. De repente, se afasta, como se ela estivesse sufocada e pressentisse que algo está errado. Ao entrar no elevador, o filme corta para dois anos antes, retratando seu suposto romance com o cirurgião Hasnat Khan e o seu relacionamento com Dodi Al Fayed.

Diana foi uma das personalidades mais clicadas de todos os tempos. Sua vida era vigiada em tempo integral, como um Big Brother bizarro. Para qualquer lugar que ela olhasse, havia uma câmera apontada para ela. Isolada dentro de seu mundo pelo assédio da imprensa e pela sua vida cheia de compromissos, tornava-se solitária e sonhadora. Viveu um conto de fadas casando com um príncipe, mas essa história acabou com um divórcio porque ele mantinha relações secretamente com uma amante. A separação de Diana trouxe problemas para os dois lados - foi a primeira princesa da realeza britânica a se separar e o povo estava do lado dela, já que ela tinha sido a vítima e era infeliz no casamento, o que fez com que a realeza criasse uma forma de blindar sua imagem e diminui-la para não ganhar mais popularidade (uma das razões pela qual supõe-se que acidente que a matou tenha sido premeditado!). Só que Diana era também uma personalidade interessante por si só - a menina pobre que virou princesa e tentava se adaptar aquela vida fútil do palácio - e já era uma grande celebridade - talvez uma das maiores do século passado. Inteligente, soube usar a mídia a seu favor quando preciso e por isso, após sua separação, sua imagem permaneceu junto ao povo mais forte do que quando estava casada, criando um tipo de mito dos novos tempos alimentado pelo poder da mídia. 

Diana conseguiu assim construir uma imagem sólida, que sobreviveu ao seu divórcio, ao poder real, às instituições políticas e posteriormente a sua própria morte - enquanto em vida pôde usá-la afim de angariar fundos para instituições de caridade ao redor do mundo e em missões humanitárias. Trouxe então esta imagem em benefício de outras pessoas de outros países, como em Angola, quando chamou a atenção para o mundo dos problemas das minas terrestres e dos sofrimentos dos amputados. Virou um ícone de moda, de benevolência, a chamada "princesa do povo". Essa história fantástica, terminou em um acidente de carro em um túnel de Paris, quando morreu a pessoa e nasceu, junto com inúmeras teorias de conspiração, o mito Lady Di. O problema, então, não é a personagem central deste filme, uma das personalidades mais complexas que o mundo já viu. 

Ao invés de transformar Diana em uma pessoa real, que sofre pelo assédio destruidor da imprensa, o roteiro faz com que Diana seja princesa em tempo integral, unidimensional, com seu jeito blasé e fantasia de menina sonhadora que quer ser amada - e o filme bate tanto nessa tecla que chega a enjoar. O ritmo do filme é insosso, dá preguiça, a trama é desinteressante e arrastada, como numa novela mexicana em que a personagem tenta encontrar o seu amor e é infeliz apenas por isso (esqueça relacionamento com a família, problemas com filhos, com ex marido, etc, nada disso é incluído no pacote). Os paparazzis praticamente surgem na trama apenas na meia hora final, quando finalmente a coisa toda parece que vai se tornar mais interessante, com Diana simulando um romance com Dodi para atingir o seu amor, o médico. 

Do elenco, Naveen Andrews, o Sayd de Lost, podia voltar para ilha e ficar perdido por lá mesmo. Cas Anvar, o Dodi, não tem muito o que fazer - ele entra na trama e sai sem dizer a que veio. Tamanho relapso da produção faz sobrar até para Naomi Watts, atriz de talento capaz de desempenhos bem superiores ao mostrado no filme. Naomi se esforça, tentando copiar trejeitos, tenta até imitar a voz, o olhar de Diana, mas acaba engessada e traída pelo roteiro frouxo, que transforma tudo numa espécie de romance adolescente idiota e superficial. O drama de se relacionar com a então mulher mais famosa do mundo praticamente é condensado em cenas constrangedoras, em que os atores parecem perdidos discutindo a relação. 

Há pelo menos uma cena interessante ao final do filme, quando a sequência inicial é vista finalmente por outro ângulo. Sai a Diana seguida pelas costas por uma câmera, como um paparazzi louco para pegar um lance de sua estrela, entra a Diana encarando a câmera, já então ciente de sua posição e seu status no mundo, mas ainda assim hesitante e vulnerável. Se toda a linguagem do filme se desse nessas entrelinhas e se o talento de Naomi fossem melhor explorados, teríamos uma obra pelo menos interessante. Só que é tarde demais. Chegar até aí é um martírio e o estrago já foi feito.

Cotação: 1/5

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