quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Irmandade - Brotherhood - 2009



Por Jason

Lars abandona a carreira militar depois de ser acusado de tentar seduzir seu subordinado e é barrado pelo exército. Revoltado, se junta a um grupo radical. A mãe é uma política da região que usa sua influência para que ele volte para o exército. Sem querer voltar, Lars sai de casa e vai pedir ajuda ao líder do movimento, que o coloca temporariamente na casa de praia do grupo onde mora Jimmy. Entre ele e Jimmy começa a rolar uma tensão amorosa e sexual que Jimmy tenta evitar antes de se render e, como se pode esperar, caminha para a tragédia.

Ambos os personagens são homossexuais enrustidos e se policiam o tempo todo para não demonstrarem porque estão em território inimigo. Os seguidores da doutrina discriminam homossexuais, negros, estrangeiros, judeus e comunistas (bem como outras correntes político-ideológicas correlatas à esquerda política), além de imigrantes. Lars e Jimmy exorcizam um sentimento de culpa e de sofrimento fazendo com que a sociedade, que não tem nada a ver, pague por isso. Nesse sentido, Irmandade (Brotherhood, 2009) é pelo menos eficiente em mostrar a complicada situação em que os dois se encontram, na forma como os dois acabam se aproximando (há estranhamento inicial entre os dois e eles não se gostam muito) e na maneira como pretendem levar a relação adiante. 

O problema é que o filme tem coisas que não dá para fazer vistas grossas. Patrick, irmão de Jimmy, acaba descobrindo o relacionamento dos dois por uma idiotice. Pouco se sabe como funciona o partido (a parte política e ideológica do negócio é pobre); excetuando a ação de abertura do filme, em que Jimmy atrai um homossexual para ser espancado e outra agressão mais adiante que serve como rito para Lars, os coadjuvantes são inúteis, unidimensionais, se resumindo a aparecerem em algumas reuniões de vagabundos que não tem o que fazer da vida (seria pedir demais?). 

Claro que, conforme o clichê deste tipo de filme, em determinado momento, Lars quer sair do grupo e fugir com o namorado, o que resumiria tudo rapidamente, e os dois poderiam viver felizes para sempre em outra cidade ou outro lugar qualquer. Mas Jimmy, transformado em burro como um animal pelo roteiro, não aceita, com a desculpa que o partido é a sua família (?). Ele prefere ficar com Lars e com o grupo neo nazista, mesmo tendo consciência que isso não vai dar certo, ignorando todos os avisos e o fato de que o irmão também sabe de sua sexualidade e pertence ao movimento (!). 

Os personagens da família de Lars, o pai e a mãe, desaparecem no meio do caminho sem deixar vestígios (principalmente ela, que descobre pelo próprio filho que foi ele o responsável por agredir um indefeso e fica por isso mesmo). E do elenco, só o estranho David Dencik se sai melhor como Jimmy, traduzindo toda a piração do personagem, que embora se deite com um homem faz questão de dizer que "viados não são bem vindos no grupo" mas chora copiosamente ao ver o namorado espancado pelos parceiros.  

Ruim mesmo é aturar o final estúpido - tem gente que diz que é "aberto", mas parece um sinal de que o roteirista não sabia o que fazer ao fechar a trama e foi de qualquer jeito. O personagem vítima de Jimmy no começo do filme se vinga dele com uma facada que misteriosamente o deixa em COMA. Um personagem que tinha entrado e saído em duas cenas dentro da trama e ganha essa importância. É a pá de cal.

Cotação: 2/5

Interessante, mas superficial.

Filme completo


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